8 de mai de 2019

Olavo não passa de porta-voz do Governo Trump

Baixarias contra militares escondem o objetivo de colonizar o Brasil


O Conversa Afiada publica artigo sereno (sempre!) de seu colUnista exclusivo Joaquim Xavier:

Há muito de caricatura, estardalhaço e sobretudo baixo calão nos posts do astrólogo Olavo de Carvalho. A imprensa gorda dá destaque aos destemperos verbais do charlatão de Virginia e à sua falta de decoro. O mais importante não é isso, embora enoje qualquer um acostumado a uma discussão civilizada.

O buraco é mais profundo. Olavo de Carvalho age abertamente como porta-voz do imperialismo americano, valendo-se da condição de "brasileiro" e supostamente conhecedor de problemas nacionais. Só por isso suas opiniões ganham repercussão.

Se algum representante do governo americano viesse a público dizer que um militar brasileiro é b...engomada, deveria usar melhor o c..., que generais são analfabetos dirigidos por um cadeirante e outras pérolas do gênero, a grita seria imediata. Mas quando um “brasileiro” espalha estes impropérios, a coisa muda de figura.

O panorama é bem mais complexo, como tudo na política.

Bolsonaro é um acidente histórico, resultado da ofensiva contra Lula, falência do tucanato, divisão personalista das forças progressistas e covardia da chamada elite nativa com seus aliados de sempre. Como militar, Bolsonaro não é respeitado nem sequer por recrutas. Uma presa caída do céu na exata medida dos interesses do rentismo internacional.

É a este que ele responde. Problema: por mais que as Forças Armadas brasileiras não sejam propriamente flores que se cheirem, a maioria de seus representantes mais graduados é formada com base na ideia de defesa mínima de interesses nacionais. Nisso entram a Petrobras, a Amazônia, a base de Alcântara, política externa mais ou menos autônoma.

O alinhamento automático com Trump, Israel e governos de extrema-direita em geral incomoda a caserna. Ninguém se esqueça: foi durante o governo Lula que as Forças Armadas receberam recursos capazes de levantar o moral das tropas. Agora, vê-se o contrário. O horizonte é de desmantelamento. Transformar o Brasil numa Guantánamo continental.

Bolsonaro e sua turma estão determinados a ir em frente nesta política. Claro que isso não sai da cabeça dele e de sua famiglia. Vem de fora. O dito chanceler nacional vive numa ponte aérea Brasília-Washington para receber instruções, com direito a visitas constantes à CIA.

O jantar promovido na embaixada brasileira nos EUA reunindo o tenente-capitão, Olavo de Carvalho, Steve Bannon e figuras carimbadas da direita americana mostrou o grau de subserviência. A insistência de Bolsonaro em endeusar o paspalho de Virgínia junto com a recusa em criticar as baixarias contra assessores e ministros diz tudo.

Bolsonaro, sua famiglia, Carvalho e asseclas como Paulo Guedes fazem parte de uma força intervencionista destinada a eliminar a soberania nacional. O tenente vestido de capitão não tem ascendência real sobre a cúpula militar, seja pela patente, trajetória, folha corrida e condições intelectuais.

A crise entre os “de cima” está instalada sem prazo para terminar. Nenhum dos lados esta disputa oferece uma alternativa de progresso para o Brasil. Cabe ao povo aproveitar este momento para mostrar sua própria força nas jornadas em defesa da educação e na greve geral.

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