4 de mai de 2019

Olavo de Carvalho: O problema não é a falta de diploma, é a desonestidade intelectual

No afã lacratório das redes sociais, muita gente boa acaba enfatizando que Olavo de Carvalho não tem diploma.

Mas o problema não é a ausência de diploma.

Um diploma é um certificado público de que se possuem determinadas competências. Se o sistema funciona com perfeição, podemos ter certeza de que os portadores de diplomas possuem aquelas competências. Às vezes, no entanto, ocorrem falhas e uma pessoa possui o diploma sem ter as competências, como parece ser o caso do atual ministro da Educação.

É razoável que sejam exigidos diplomas para o exercício de determinadas atividades, já que as pessoas leigas por definição não têm como aferir as competências - e por isso se fiam nas certificações. Assim como é razoável exigir que os motoristas tenham habilitação oficial.

Mas isso não impede que alguém saiba dirigir sem ter carteira. Assim como alguém pode aprender economia, física, engenharia mecânica, medicina ou filosofia por conta própria, sem passar pelos bancos universitários. É difícil, dado o grau de especialização de cada área, mas não é impossível.

Um ambiente mais formal de ensino e aprendizagem também provê estímulos para que se respeitem dois elementos essenciais para a formação: a disciplina intelectual e a honestidade intelectual. São elas que inibem a opção por soluções fáceis e nos forçam a verdadeiramente enfrentar os problemas.

São elas que faltam a Olavo de Carvalho.

Ele é um espertalhão, cujo talento é mistificar uma plateia de pessoas que, tanto quanto ele, não possuem estofo para se engajar na efetiva busca pelo conhecimento. A agressividade contra tudo e contra todos substitui os argumentos, anula as exigências de coerência e lógica, transita como transgressão e permite que se tomem todos os atalhos possíveis para chegar a quaisquer conclusões que se queira.

O problema não é a falta de diploma, é a desonestidade intelectual.

Mas nossa justificável repulsa por Olavo de Carvalho não pode nos levar a uma posição elitista e cartorial, negando a contribuição, por vezes valiosa, que pode ser dada por pessoas que se construíram como intelectuais à margem do sistema universitário ou com trajetórias acadêmicas heterodoxas.

Luis Felipe Miguel

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