8 de mai de 2019

O corte de 43% do orçamento militar é chantagem ou mentira?


Quando dirigentes de instituições públicas são comunicados, já no quinto mês do ano, que seus orçamentos serão cortados em 43% e dizem que isso “não afetará suas atividades”, das duas uma: ou não vê nenhuma importância naquilo que faz ou está, simplesmente, mentindo.

Afinal, 43 por cento significa, grosso modo, cinco dos 12 meses do ano.

Contingenciar verbas é coisa corriqueira na administração, mas isso se dá, normalmente, sobre parcelas de investimentos, adiados ou cancelados. Como no Orçamento deste ano os investimentos são minúsculos – quando não inexistentes – o corte tem de recair sobre o custeio, as despesas do cotidiano.

Militares que não são capazes de lutar para que seus quartéis funcionem, para que suas tropas comam, para que seus veículos andem, em última análise, ou estão acovarados ou não vêem nenhuma serventia em existirem.

Será que acham que os cortes, depois de aceitos, serão “de mentirinha”? Ou, pior, que seu papel pode ser suprido pelas milícias informais que o atual presidente está formando, sob a capa de “atiradores esportivos”, nas quais a afliação a um “clube de tiro” dá direito a andar com armas de grosso calibre e munição à vontade?

Já há até um comandante pronto para elas, na Virgínia.

Jair Bolsonaro deu mais um grande passo para humilhar as Forças Armadas.

Do lado do Governo, dizer que é um “simples” contingenciamento de verbas, que será revertido “com a aprovação da nova Previdência” é algo que ofende a inteligência de qualquer simples contabilista, porque , ainda que aprovada, o efeito da reforma neste ano fiscal é, literalmente, zero.

Na sua coluna de hoje, Miriam Leitão fala que “na área econômica, a informação é de que está havendo uma queda de nada menos do que R$ 30 bilhões nas receitas esperadas”. E vai ficar pior, porque todos os sinais são de retração da economia, o pior veneno para as scontas públicas.

O país está desmanchando e, infelizmente, uma de suas estruturas permanente, as Forças Armadas, foram arrastadas pela armadilha ideológica e viraram saco de pancadas do “bolsolavismo” que instalaram no Poder.

Estão sendo tratados como idiotas pelo “tenente bombinha” a quem entregaram o comando do país.

Fernando Brito
No Tijolaço

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