17 de mai. de 2019

Não tem mais jeito: o que se discute agora é como e quando Bolsonaro vai cair


Renúncia? Internação? Impeachment? Golpe dos generais?

Como diria o êmulo Trump, todas as opções estão sobre a mesa, mas uma coisa é certa: Jair Bolsonaro não tem mais condições políticas, mentais e morais para governar o país.

Já não tinha quando tomou posse. Mas, de lá para cá, tudo só piorou - para ele e para nós.

O país esta perto de um colapso político e econômico sem precedentes na nossa história.

Antes de completar cinco meses no poder e de começar a governar, o tempo do capitão já acabou.

Quem ainda sustenta Bolsonaro e quer a sua permanência? Quem vai sair às ruas para defender seu desgoverno?

Cada vez mais isolado e raivoso, ele mesmo já falou em impeachment num dos confrontos com os jornalistas na sua escalafobética viagem relâmpago a Dallas para fazer uma homenagem a ele mesmo.

“Nossa senhora, hein? É uma Lava Jato aí. Vai fundo, tá ok? O objetivo é me atingir”, deixou escapar logo cedo, ao ser perguntado sobre o Queirozgate que está fazendo uma devassa no modus-operandi dos bolsonaros.

Ainda atordoado com as grandes manifestações contra seu governo na véspera, as maiores desde o Fora Collor, o capitão saiu atirando para todo lado.

“Não vão me pegar!”, bradou Bolsonaro, mas agora é tarde. Já pegaram, como ele pode constatar ao ler a Folha de hoje:

“Apuração sobre Flávio pode avançar sobre milícia, PSL e primeira-dama”, informa o jornal na página A8.

Para completar, os editoriais dos três principais jornais brasileiros nesta sexta-feira já decretaram o fim do seu governo.

O Globo – “Não é possível governar assim. Não se governa por meio de confrontos”.

Estadão – “Hostilidade como método”. No texto, o jornalão conservador, que apoiou sua candidatura, constata que “Bolsonaro age como um chefe de facção”.

Folha – “Idiotia inútil”. Começa assim: “O obscurantismo agressivo do governo Jair Bolsonaro (PSL) converteu o crucial debate sobre o financiamento do ensino superior público, já tardio no país, em um confronto de bandeiras ideológicas”.

Com a economia e a articulação política em frangalhos, sem conseguir entregar as reformas prometidas, Bolsonaro já perdeu o apoio da mídia e do mercado que bancaram o Fora PT.

Só faltava o povo nas ruas. Não falta mais. Novas manifestações já foram marcadas para o dia 30 e uma greve geral está sendo organizada para 14 de junho.

Só as redes sociais dos guerrilheiros de internet do filho Carlucho 02 não vão segurar Bolsonaro no poder.

Ao contrário, agora com sinal invertido, podem apressar a sua queda, como mostram as pesquisas feitas pelos jornais após os protestos contra o governo esta semana.

Em guerra permanente, Bolsonaro abriu várias frentes de batalha ao mesmo tempo - e perdeu todas.

Até o inacreditável gurú Olavo de Carvalho (de onde saiu isso?) já pulou do navio e avisou que não vai mais se meter na política nacional.

Restou a Bolsonaro a companhia apenas dos três belicosos filhos parlamentares, que só lhe causam problemas.

Triste fim de um capitão expulso do Exército, que passou 30 anos escondido no baixo clero da Câmara, e achou que poderia ser presidente da República para se vingar dos seus inimigos reais ou imaginários.

Alguém precisa avisar o presidente que a Guerra Fria já acabou faz tempo, mas acho que agora não adianta mais.

Enquanto se procura uma “saída institucional” para tirar o estorvo do Palácio do Planalto, com o vice general Mourão ou com Rodrigo Maia, o herdeiro do centrão de Eduardo Cunha, não para de crescer o número de desempregados e de moradores de rua jogados nas calçadas.

O que virá depois de Bolsonaro? É a pergunta que mais se houve agora, diante da terra arrasada pela “nova política”, que fez o país retroceder 50 anos, ou mais.

Perdeu, capitão. Acabou a brincadeira de fazer arminha com as mãos.

Vida que segue.

Ricardo Kotscho

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