3 de mai de 2019

Mais uma prova do crime brasileiro


É impossível não rir do despreparo e do desespero de Jair Bolsonaro. Ninguém nesse governo é capaz de fazer o presidente observar um preceito fundamental da política desde o século XVII?

“Em toda circunstância em que podes ser vigiado, fala o mínimo possível. Arriscarás menos cometendo um erro do que se falares a torto e a direito.” (Breviário dos políticos, Cardeal Mazarin, editora 34, São Paulo, 2000, p. 125/126)

Um dia antes da comemoração do Dia dos Trabalhadores, em que a imagem de Lula seria uma vez mais mundialmente realçada, o presidente resolveu atacar seu inimigo. Na entrevista que deu a uma rede de TV ele disse:

“Pelo perfil dos nossos ministros, ele (Lula) não terá chance, no que depender de nós, não terá chance de conseguir sua liberdade na forma da lei…”

Essa declaração não vai prejudicar Lula. O mais provável é que ela favoreça o ex-presidente petista. Afinal, Bolsonaro revelou ao “respeitável público” nacional e internacional que pretende interferir no andamento do processo de Lula para suprimir ou reduzir a autonomia do Poder Judiciário com o intuito de prejudicar seu adversário político.

Nesse sentido, a declaração de Bolsonaro é uma prova inequívoca de que ele está sendo ferozmente perseguido pelo Estado brasileiro. Não só isso. Além de comprovar as alegações de Lula na Conselho de Direitos Humanos da ONU, a declaração do presidente em exercício pode ser usada contra ele (art. 85, II, da CF/88).

Se não estivesse tão desesperado, Bolsonaro não daria esse presente para a defesa de Lula no dia 1º de maio. O conteúdo desta entrevista, que tem tudo para aumentar o isolamento diplomático do Brasil caso o Conselho de Direitos Humanos da ONU profira uma decisão de mérito favorável a Lula, também coloca em dúvida a capacidade profissional dos assessores jurídicos e diplomáticos do presidente da república.

Ao que parece ninguém consegue fazer o mito parar de atirar no próprio pé. É difícil saber o que se passa nos bastidores de um governo tão obscuro e obscurantista. Entretanto, em razão do imenso prejuízo diplomático que essa entrevista causará ao governo estou convicto de que nós já podemos começar a suspeitar de que existem pessoas muito próximas a Jair Bolsonaro trabalhando para promover o General Mourão de vice à presidente do Brasil.

Fábio de Oliveira Ribeiro
No GGN

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