21 de mai. de 2019

Com decreto que libera fuzis, Bolsonaro contempla o mercado, a Taurus e as milícias

Bolsonaro com o fuzil e o gráfico que da Bolsa: ações da Taurus dispararam
As ações da Taurus dispararam na manhã desta terça-feira, depois que se tornou púbico que o decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro no dia 7 de maio sobre o porte de armas tem um alcance muito maior do que o divulgado inicialmente.

A Taurus, fabricante do fuzil T4, já tem uma lista de duas mil pessoas que encomendaram o armamento, que até então era considerado restrito para uso das forças armadas e das polícias militares.

Por volta das 10h30 de hoje, as ações subiam10,54%. No Twitter, a Taurus se tornou um dos assuntos mais populares, com 50 mil menções.

Embora o Palácio do Planalto tenha negado que o decreto permita a compra dessas armas por qualquer pessoa, o mercado não acreditou. E nem deveria.

Quando já estava em campanha para presidente, em 2017, Bolsonaro compareceu a uma feira de armas, fez propaganda desse mesmo fuzil  e prometeu liberaria sua compra.

Em vídeo que circula pela internet, o então deputado segura um arma e diz, se dirigindo à câmera:

“A Taurus tá lançando aqui um fuzil…”.

O representante da empresa completa:”…o nosso T4”.

E Bolsonaro, sorridente, reforça: ”…o nosso T4”.

O agora presidente pega da mesa uma pistola e afirma:

“É o que eu sempre digo, se eu chegar lá, você, cidadão de bem, no primeiro momento, vai ter isso em casa. E você, produtor rural, no que depender de mim, vai ter isso aqui também (ergue o fuzil)… cartão de visita pra invasor tem que ser cartucho 762”.

No arremate, informa:”Porque mais importante que a tua vida é a sua liberdade. Povo armado jamais será escravizado. Parabéns à Taurus”.

Bolsonaro poderia dizer também “muito obrigado, Taurus”.

Em novembro de 2017, quando ele já viajava pelo Brasil em pré-campanha, o repórter Eduardo Reina fez um levantamento sobre quem estava bancando esses deslocamentos.

A reportagem, publicada no DCM, informou que, de 33 viagens do pré-candidato, dezesseis tinham sido patrocinadas por empresas ligadas a fabricantes de armas.

Uma das empresas que bancou  as viagens do parlamentar foi a Taurus.

Ao permitir a compra de fuzis por qualquer pessoa, Bolsonaro também dá a milicianos a oportunidade de contar com armamento pesado de maneira legal.

Armas ilegais, as milícias já têm. O homem apontado como assassino de Marielle Franco, Ronnie Lessa, que é vizinho de Jair Bolsonaro e miliciano, tinha na casa de um comparsa 117 partes de um fuzis M-116, fabricados nos Estados Unidos para uso das forças armadas.

Com o decreto de Bolsonaro sobre porte de armas, dois setores ligados a ele são beneficiados: a indústria das armas, especialmente a Taurus, e também a indústria da morte, representada pelas milícias.

Bolsonaro ainda vai incendiar o Brasil.

Joaquim de Carvalho
No DCM



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