13 de mai. de 2019

As versões falsas de Flávio Bolsonaro sobre o caso Queiroz e a quebra de sigilo


Pego no caso Queiroz, Flávio Bolsonaro abraçou o discurso de que a investigação é ilegal e que está sendo perseguido pelo Ministério Público. Para endossar a narrativa, dá versões falsas sobre os fatos. Começando por um extrato bancário que ele afirma que foi vazado para a imprensa.

Ao contrário do que diz, Flávio não teve extrato bancário levantado ou divulgado para a sociedade na televisão. Quando ele fala em “extrato bancário”, está se referindo ao relátio do Coaf, órgão que descobriu que seu antigo homem de confiança, Fabrício Queiroz, movimentou 7 milhões em 3 anos sem ter renda nem patrimônio para isso.

O documento do Coaf, sim, apareceu na TV algumas vezes desde que foi revelado pela TV Globo em janeiro. Nele consta que Flávio foi beneficiado com 48 depósitos sequenciais de R$ 2 mil em espécie, num intervalo de cerca de 1 mês.

Flávio está errado ao dizer que é um extrato bancário, e ao afirmar que os dados foram obtidos de maneira ilegal, sem autorização da Justiça. Mas o erro serve à sua defesa pública.

O fato é que o Coaf não precisava de ordem judicial para ter acessos às informações que levaram o hoje senador a ser investigado. Esse entendimento já foi reafirmado pelos tribunais que rejeitaram as duas tentativas de trancar o inquérito.

Sobre os depósitos, Flávio tentou justificá-los afirmando que são pagamentos que ele recebeu pela venda de um imóvel a um atleta. Folha diz que as informações do senador não batem precisamente com as movimentações e informações de cartório.

Quando fala à imprensa sobre isso, chama de “dois quitinetes”. Certo é que um dos “quitinetes” de Flávio custou R$ 1 milhão, que ele quitou junto à Caixa com o pagamento de um título bancário neste valor.

Na semana passada, notas em colunas políticas registraram que o Ministério Público, em breve, vai pedir a quebra de sigilo bancário e fiscal de Flávio.

Ele é alvo do mesmo inquérito em que é investigado o ex-assessor Fabrício Queiroz.

A família Bolsonaro foi objeto do escândalo ainda no final de 2018, quando a Folha revelou a suspeita de esquema de rachadinha (recolhimento de parte do salários dos assessores para fins desconhecidos) no gabinete de Flávio, nos anos em que foi deputado no Rio.

Entre os beneficiários da conta de Queiroz está Michelle Bolsonaro, com um cheque de R$ 24 mil. O presidente Jair Bolsonaro afirma que o valor diz respeito a um empréstimo que fez a Queiroz. Críticos, contudo, questionam por que Queiroz, que movimentou R$ 7 milhões em 3 anos, precisou de R$ 40 mil emprestados do presidente.



O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) autorizou a quebra de sigilo bancário e telemático de Flávio Bolsonaro, no caso que envolve Fabrício Queiroz. O pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) foi feito no dia 24 de abril e estava engavetado até o presente momento.

Além do filho do presidente e senador Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, Fernanda Bolsonaro (esposa do senador) e a empresa do casal Bolsotini Chocolates e Café LTDA, tiveram os sigilos quebrados pelo TJRJ. Foram incluídas na quebra, também, as duas filhas de Fabrício Queiroz, Natália e Evelyn, bem como a esposa, Márcia.

O juiz Flávio Nicolau, que autorizou o pedido, afirmou ser importante “para a instrução do procedimento investigatório criminal”.

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