10 de mai. de 2019

A homossexualidade de Franz Kafka e a imbecilidade do Ministro da Educação


Ironia é ver este Ministro da Educação de um governo tão homofóbico que, além de não saber o nome da obra de Kafka, não saber também que Kafka era homossexual não assumido.

O conflito existencial que adveio disso, fez com que ele tivesse enormes conflitos com seu pai, o que resultou no livro “Cartas ao Pai”, uma das obras mais bonitas da literatura no século XX. Em 1912, Kafka tentou se matar, mas fracassou nesse intento. Este conflito existencial o levou a escrever neste mesmo período a obra “O Desaparecido” e “Metamorfose”. Kafka era conhecido por ser um jovem solitário e tinha grave problema de depressão e, por isso, vivia isolado do mundo. A escrita lhe era um refúgio.

A obra labiríntica que o Ministro não soube citar chama-se O Processo e, segundo alguns de seus biógrafos, foi a maior expressão artística desse conflito existencial kafkiano. Escrita em 1914, Kafka engavetou o romance por dez anos e, em uma carta escrita a seu amigo Max Brod, pediu-lhe que queimasse a obra, por considerá-la a expressão textual de uma mente adoecida como a sua e, por isso, não ver nela valor literário.

Por sorte, Brod, discordando de Kafka, reconheceu a grandeza de O Processo e, no ano seguinte à morte do amigo, publicou este livro magnífico que o Ministro mostrou nunca ter lido nem a orelha.

Kafka, embora não assumido, pode entrar na lista de mais uma bicha que faz esse governo passar vergonha.

Dário Neto é Doutor em Literatura Brasileira pela USP com a tese “A pena do cronista: a presença das crônicas nos romances machadianos”, Professor Colaborador em Teoria Literária na UNESPAR (Universidade Estadual do Paraná) e autor do livro de contos “Candelabro”.
No GGN

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