5 de abr de 2019

Pesquisa mostra 15 milhões de eleitores desiludidos com Bolsonaro


Nesta semana, o presidente Jair Bolsonaro completa 100 dias à frente do governo. No jargão da política, esse período é chamado de “lua de mel”, fase em que os deslizes são perdoados e os defeitos relevados pela maior parte dos eleitores — que, afinal, elegeu o mandatário da vez. Apesar de Bolsonaro ter sido ungido pelas urnas com 58 milhões de votos, sua lua de mel foi muito mais curta que o normal. Entre janeiro e março, a parcela das brasileiros que avaliavam o governo como ótimo ou bom encolheu de 50% para 38%. A perda de apoio também se manifestou no aumento de eleitores que consideravam o governo regular e passaram a classificá-lo como ruim ou péssimo, fatia que subiu para 27%, 5 pontos porcentuais acima do dado de janeiro. No cômputo geral, estima-se que cerca de 15 milhões de pessoas que votaram em Bolsonaro deixaram de avaliar seu governo de maneira positiva, de acordo com a consultoria de pesquisa Ideia Big Data, que fez o estudo a pedido de Veja. A maioria dos desiludidos está na classe média, fragilizada pela crise. Com esses números, o atual governo encerrou março com a menor popularidade em um primeiro mandato desde 1995. O Ibope registrou números semelhantes: queda de 15 pontos porcentuais entre os que avaliavam a atual gestão como ótima ou boa de janeiro a março, derrubando a popularidade de Bolsonaro para 34%. No primeiro mandato, Dilma Rousseff fechou o primeiro trimestre com 56% de aprovação; Lula obteve 51% e Fernando Henrique Cardoso, 41%.

A perda de popularidade do atual governo deve-se, em boa parte, à fragilidade de seu eleitorado, reunido em um processo eleitoral altamente polarizado. O caldeirão de eleitores do candidato do PSL juntou grupos com expectativas múltiplas, como foram múltiplas (e vagas) as promessas de campanha: combate à corrupção e ao petismo, reforma conservadora dos costumes, segurança pública. O antipetismo, por exemplo, foi excelente para ganhar a eleição, porém é inútil para governar bem. Mas Bolsonaro dá mostras de acreditar que o eleitor que o escolheu comprou o pacote completo — e nem isso é verdadeiro. A pulverização das pautas propicia uma perda mais rápida do apoio popular, pois cria expectativas muito diversificadas. “Nesses casos, o eleito tem maior risco de frustrar o eleitor, por não conseguir cumprir tudo o que prometeu”, diz o cientista político Sérgio Abranches. Por contraste, Abranches lembra que Fernando Henrique, em 1994, e Lula, em 2002, tinham um discurso bem concentrado em pautas concretas — Fernando Henrique falava da estabilização da economia; Lula, de combate à pobreza. Nenhum dos dois sofreu o desgaste rápido que aflige Bolsonaro.

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No Veja

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