26 de abr. de 2019

O que é contubérnio? Moro, PF e MPF explicam…


Trabalhar com Leonel Brizola, volta e meia, obrigava-me a procurar o “pai dos burros”, por conta de palavas em desuso que, de vez em quando, ele sacava. Só lá no dicionário, antes do Google, para saber que diabos era o tal d “contubérnio” que ele usava para classificar uniões promíscuas e espúrias. Vem do latim contubernium, menor unidade dos legionários romanos, que dividiam a tenda de campanha.

Pois há, faz tempo, na máquina judicial-policial um contubérnio, o de Curitiba, destacamento feroz cuja missão é massacrar, o quanto puder, o ex-presidente Lula. Sob a tenda de Sérgio Moro, eles agem sempre articulados e têm cúmplices incondicionais em publicações financiadas por gente do mercado financeiro que se apresentam como jornalísticas e agem como agentes provocadores.

Quem quiser pensar que foi da cabeça do delegado Luciano Flores que veio a absurda ideia e que a entrevista de Lula, pela qual Monica Bergamo e Florestan Fernandes Jr lutaram 8 meses no Supremo para obter, numa impensavel “coletiva”, está redondamente enganado.

No dia 28 de setembro de 2018, em seguida à autorização – depois vetada por Luís Fux e Dias Toffoli – para que a entrevista fosse realizada, Deltan Dallagnol e a trupe da Força Tarefa dirigiram a Sérgio Moro, então ainda o juiz da 13ª Vara Criminal, sugerindo a mesma manobra que o delegado Flores tentou fazer ontem: transformá-la num “circo” coletivo, convidando todos os que haviam solicitado entrevistas e mesmo órgão de imprensa que não haviam feito tal pedido a participar.

“(…) tem-se que tal ato deverá se dar em evento único para todos os órgãos de imprensa. Para tal, tem-se que deve a autoridade policial adotar as providências necessárias a fim de que a entrevista pelos órgãos de imprensa interessados se faça em prazo razoável.”

O texto da promoção dos procuradores, que resumo na imagem, está aqui, na íntegra.

A outra parte do acerto é evidente e foi mostrada ontem aqui. Os “jornalistas certos” devem saber antes, inscrever-se para a farsa e, lá, cumprirem seu papel de paladinos da moralidade.

Bem depois de ouvi-lo, entendi que Brizola, que não era bobo, usava contubérnio para evitar o uso de outra palavra, que ajudaria a mentira a arvorar-se em defensora da honra.

E  povão, que igual não é bobo, entendia direitinho o que ele queria dizer.

Fernando Brito
No Tijolaço



Lewandowski deu um murro na cara da polícia política do Moro

O juiz do STF Ricardo Lewandowski não precisou mais que 252 palavras para desferir um murro ético, moral e de decência na cara da polícia política do Moro, que se arvorou a condição de carcereira suprema do Lula [ler aqui].

O delegado da polícia federal do Estado policial do Moro, o carcereiro Luciano Flores Lima, queria sequestrar outra vez a liberdade de expressão do Lula que Lewandowski conseguiu restaurar, depois que Fux e Dias Toffoli sequestraram na época eleitoral, em obediência à tutela militar, para não impedir a vitória do Bolsonaro e do Partido da Lava Jato.

Lewandowski deu uma clara lição aos fascistas:

A liberdade de imprensa, apesar de ampla, deve ser conjugada com o direito fundamental de expressão, que tem caráter personalíssimo, cujo exercício se dá apenas nas condições e na extensão desejadas por seu detentor, no caso, do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao qual não se pode impor a presença de outros jornalistas ou de terceiros, na entrevista que o Supremo franqueou aos jornalistas Florestan Fernandes e Mônica Bergamo, sem a expressa autorização do custodiado e em franca extrapolação dos limites da autorização judicial em questão“.

Jeferson Miola

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