15 de abr de 2019

O ideólogo do “Partido do Exército”


Em 1977, o presidente da República, general Ernesto Geisel, demitiu o também general Sylvio Frota, então Ministro do Exército.

Além de chefe da linha dura, Frota conspirava intramuros e estimulava parlamentares a defender sua candidatura à sucessão presidencial.

Exemplar na defesa da disciplina e o respeito à hierarquia das tropas, que faltam hoje no Exército Nacional, o general Ernesto Geisel demitiu Frota no dia 12 de outubro.

As razões da demissão foram explicitadas para a história pelo próprio general Sylvio Frota, em manifesto divulgado pela imprensa.

“Sem obediência cronológica”, como escreveu, Frota enumerou argumentos em sua defesa, que iam além das questões democráticas.

LEIA A INTEGRA DO MANIFESTO

No topo da lista, o estabelecimento de relações diplomáticas com a China, iniciativa de Geisel, contra sua vontade.

“O estabelecimento de relações com a República Popular da China que defende, precisamente, valores antagônicos aos nossos, feito sob Imposições, a rigor, desabonadoras para a nossa soberania, constituiu o primeiro passo na escalada socialista que pretende dominar o país”, assinalou Frota, abrindo seu rosário de resmungos contra a política praticada pelo governo.

Outro argumento era “o voto de abstenção, quanto ao ingresso de Cuba, na Organização dos Estados Americanos, que esconde, na omissão, a simpatia a um país comunista, exportador de subversão”, segundo Frota, em seu manifesto. 

Também “o reconhecimento precipitado do governo comunista de Angola, só explicável pela ânsia ideológica de prestigiá-lo” – segundo ele, integrou seu rol de reclamações.

Ainda, com destaque em seus argumentos, estava “o voto anti-sionista de caráter discriminatório, menos favorável ao Brasil do que às áreas de influência soviética”.

O manifesto não é dos documentos mais conhecidos, ou divulgados, nem fez parte do pacote que a CIA distribuiu ano passado para atacar a memória do general Ernesto Geisel.

Os temas destacados são de extrema atualidade e, não por acaso, base ideológica e política do governo Bolsonaro, em especial de seu braço militar – o Partido do Exército.

O alinhamento servil aos Estados Unidos, a rejeição à política de multilateralidade, o desprezo aos “mulambos” – como já falou o general Mourão, isso tudo faz parte do ideário atual. 

Ao embarcarem na aventura neocolonialista do imperialismo norte-americano, e submeterem o Exército ao papel de guarda pretoriana, os herdeiros do general Sylvio Frota apostam no lado perdedor da história, pelo que vão pagar caro.

Assim como essa política atrasada foi derrotada nos anos setenta, também não tem futuro atualmente diante da nova realidade mundial, com o fim do mundo unipolar e seus desdobramentos geopolíticos.

O Brasil, nem país nenhum do mundo, aceita ser escravizado e, antes do que imaginam, o povo se levantará em defesa da soberania do país e de seus direitos. 

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Fernando Rosa
No Senhor X

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