22 de abr de 2019

CCR paga mesada de R$ 78 mil por 5 anos a quem fizer delação

No total, a CCR decidiu desembolsar R$ 71 milhões para financiar acordos de delação premiada e evitar sanções decorrentes da Lava Jato, como multas equivalentes a 80% de seu patrimônio


A repórter Consuelo Dieguez informa na última edição da Revista Piauí que a CCR – empresa de capital aberto de concessão de rodovias, aeroportos e barcos – decidiu desembolsar R$ 71 milhões em mesadas para ex-funcionários que aceitem colocar a “cabeça a prêmio”, delatando esquemas de corrupção revelados pela Lava Jato. A ideia é ajudar a força-tarefa a chegar nos agentes públicos que recebiam propina.

A CCR é investigada em São Paulo e no Paraná por pagamento de propina em troca de contratos e aditivos de grandes obras. Na versão paulista, as transferências, segundo os investigadores, tinham as digitais de Paulo Vieira Souza, mais conhecido como Paulo Preto, operador do PSDB e ex-diretor da Dersa.

Para fechar acordo de leniência e evitar pagar multas que representam até 80% do patrimônio da empresa – o que a levaria à falência – a CCR reuniu o Conselho Administrativo, contratou um parecer jurídico e decidiu premiar os delatores como forma de incentivá-lo a colaborar com as investigações. Os acionistas minoritários já questionam a decisão judicialmente.

O acordo prevê o desembolso mensal de R$ 78 mil, por até 5 anos, a quem fizer a delação.

A reportagem mostra a preocupação de setores do Ministério Público que acham o instrumento complexo e duvidoso. Em parte, porque passa a impressão de que a empresa quer ter o controle sobre o que será delatado. E, de outro lado, também gratifica executivos que tiveram participação em ilícitos. Além disso, não há previsão legal.

Chama atenção a declaração do advogado da CCR, Celso Vilardi, que ficou “espantado” ao saber que há procuradores criticando a empresa.

Vilardi frisou que sem o acordo de leniência, a CCR quebra. Para evitar isso, é preciso colaborar com as autoridades. E a delação financiada foi o meio encontrado, e não que seja novidade: pelo menos outros três acordos de leniência em Curitiba – um deles homologado por Sergio Moro – tiveram pagamento de delatores por trás.

A OAS está entre as empresas que lançaram mão do expediente.


A reportagem da Piauí:



No GGN

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