20 de abr de 2019

A Palestina nos livros didáticos israelenses | por Nurit Peled-Elhanan


Da lousa ao fuzil, para além da cortina de fumaça. Acaba de chegar ao Brasil uma obra de referência para compreender, de fato, por quais mecanismos e dispositivos uma ideologia de Estado se imiscui no sistema educacional de uma nação.

Este vídeo foi produzido pela Alternate Focus, por ocasião do lançamento da primeira edição do livro. As legendas foram feitas por Tarsha Hodapp.

Qual é o poder da escola na formação cultural de uma nação? Como ela pode contribuir para predispor os jovens a reproduzir situações de opressão, em vez de transformá-las? A educação é assediada explicitamente por discursos como o da formação “para o mercado de trabalho”, mas não haveria outros ainda, tão ou mais perigosos, operando?

Neste estudo fundamental, a professora de linguagem da educação Nurit Peled-Elhanan investiga os recursos visuais e verbais utilizados em livros didáticos de Israel para representar a população palestina. Mobilizando um sofisticado e rigoroso arcabouço teórico e metodológico, a autora examina a apresentação de imagens, mapas, layouts e o uso da linguagem em livros de história, geografia e educação moral e cívica. O resultado é uma detalhada exposição dos mecanismos pelos quais esses materiais escolares moldam um imaginário de marginalização dos palestinos. Para a autora, o discurso aparentemente científico e neutro empregado no material usado em sala de aula é, em realidade, carregado de signos de violência, desprezo e intolerância contra os palestinos.

Filha de um general do Exército de Israel que, após participar da Guerra dos Seis Dias (junho de 1967), tornou-se um importante acadêmico e militante pacifista, Nurit Peled-Elhanan tornou pública sua contundente crítica à ocupação da Faixa de Gaza por Israel depois de perder a filha de 13 anos num atentado suicida palestino, em 1997. Para a autora, os livros didáticos têm um papel crucial na transformação dos bem-educados rapazes e moças israelenses em combatentes prontos a eliminar o “inimigo”.

* * *

Com edição, sempre caprichada, de Isabella Marcatti, a obra tem tradução de Artur Renzo e conta com uma apresentação de Carlota Boto, professora da Faculdade de Educação da USP, e um prefácio inédito escrito pela própria autora refletindo sobre a atualidade da obra para o público brasileiro. Com capa e diagramação de Antonio Kehl, "Ideologia e propaganda na educação" é uma coedição da Editora Unifesp e da Boitempo.

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