23 de abr de 2019

A hora de Gilmar


Gilmar Mendes é uma triste figura que Fernando Henrique Cardoso nos deixou de herança, no Supremo Tribunal Federal.

Quando não era moda e exigia coragem de verdade, fui eu quem denunciei as capivaras de Gilmar, na CartaCapital, ao custo de responder a ações judiciais enviesadas, usadas como intimidação explícita, sem qualquer respaldo ou apoio de sindicatos e Abrajis da vida. Ainda assim, nunca baixei a cabeça.

Diante de Gilmar Mendes, a mídia se ajoelhava, servil, pronta para a aceitar todo tipo de absurdo, a começar pelo famoso grampo sem áudio usado para infernizar o governo Lula e desmoralizar a Operação Satiagraha, que prendeu o banqueiro Daniel Dantas. O mesmo Dantas libertado, duas vezes, em menos de 48 horas, por Gilmar.

O ministro não só tinha a mídia na mão como também era o ídolo dos protofascistas, antes do fenômeno Bolsonaro. Era admirado por ser a ponta de lança da direita antipetista dentro do Judiciário, um preposto do PSDB, no Supremo. Seu último grande lance foi impedir que Lula se tornasse ministro de Dilma, em 2016, às vésperas do golpe contra a presidenta.

Com os desarranjos da Lava Jato e ascensão do bolsonarismo, Mendes foi tendo os olhos arrancados pelos corvos que ajudou a criar.

Agora, passou a ser perseguido nas ruas, aqui e em Portugal, onde costuma passear, pela tropa de brasileiros imbecis espalhadas pelo mundo, xingado e achincalhado, ironicamente, por ter abandonado as bravatas e se voltado para o Estado de Direito, assim que percebeu que iria ser engolido pelo leviatã de extrema direita que ajudou a gestar.

Tarde demais.

Leandro Fortes, jornalista

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