8 de mar de 2019

Vem aí a ditadura sem disfarce

Xavier: Bolsonaro é um tanque desgovernado

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O Conversa Afiada publica artigo sereno (sempre!) de seu exclusivo colUnista Joaquim Xavier:

O Golpe no Golpe de Temer/Bolsonaro

Numa transmissão bizarra, como de costume, Jair Bolsonaro apareceu ao lado dos generais Augusto Heleno e Otávio Barros para “explicar” sua frase matinal dando às Forças Armadas o poder supremo sobre a democracia no Brasil. Pior a emenda que o soneto. Nos dois casos, a Constituição foi rasgada sem clemência.

A Carta de 1988 diz com todas as letras que “todo o poder emana do povo e em seu nome será exercido”. Às Forças Armadas cabe, portanto, respeitar a vontade do povo. Numa democracia, portanto, estão submetidas ao poder civil. O contrário, conforme pregado por Bolsonaro e sua turma, é entregar os destinos do Brasil a uma camarilha .O país já sentiu na carne o que isto significa. É isto o que este governo usurpador quer reviver.

Impressionante observar como a mídia gorda se ajoelha diante deste estupro constitucional, embora não seja novidade. O Globo, Folha, Correio da Manhã e tantos outros veículos estiveram na linha de frente da quartelada que derrubou um governo eleito em 1964.

Décadas mais tarde, ensaiaram um mea culpa ao apoio que deram a assassinatos, torturas, perseguições, censura e a todo tipo de massacre das liberdades. Até Bolsonaro, um limítrofe, aproveitou-se da hipocrisia ao humilhar Willian Bonner em pleno Jornal Nacional quando exibiu manchetes comemorativas de O Globo à época do golpe de 1964.

A situação de hoje é um pouco mais complexa. Jair Bolsonaro é um tanque desgovernado. Já demonstrou que, além do despreparo intelectual, carrega sérios problemas psíquicos. Detalhe: isso não é novidade. Há trinta anos, Bolsonaro milita na política defendendo as mesmas ideias que coloca em prática no Planalto. A diferença é que atualmente ele tem a caneta na mão, e dedos para tuitar o que lhe der na telha.

Não será agora que suas crenças ideológicas mudarão. De pouco adiantam as propostas dos colunistas de aluguel no sentido de montar um “cordão de isolamento” em torno do tenente que só virou capitão pela burocracia do Exército ao passá-lo para a reserva. Primeiro porque Bolsonaro se serve de garantias constitucionais naquilo que lhe interessa –o resto ele já lançou ao lixo faz tempo.

Depois, seu “núcleo duro” é composto de generais de péssima reputação. Hamilton Mourão, vendido na imprensa como moderado, tem sua história ligada à obediência incondicional aos preceitos da ditadura militar. Augusto Heleno, para mim o cérebro (?) deste governo, é adversário implacável de liberdades, direitos populares, autonomia nacional, defesa do povo brasileiro. Para quem duvida, basta pesquisar sua atuação no Haiti.

Tudo fica mais complicado para os poderosos de plantão porque a elite cheirosa começa a perceber que um desequilibrado pode atrapalhar os planos de liquidar a aposentadoria e avassalar ainda mais o povo trabalhador.

Imaginem a situação: Roberto Setúbal, Cândido Bracher (ambos do Itaú), Octavio de Lazari Júnior (Bradesco) reunidos assistindo ao tuíte pornográfico de Bolsonaro junto com suas famílias. O mesmo acontecendo numa reunião da Fiesp, do Banco Central Americano, da cúpula do governo chinês, do comando da União Europeia e por aí afora.

Bolsonaro é alvo do ridículo internacional. O Último Rei da Escócia, como dizia o célebre filme. Com uma diferença fundamental: o Brasil não é um país insignificante economicamente como Uganda, Haiti, Somália. Na guerra comercial que se acirra pelo mundo, nosso país é peça-chave. Até Donald Trump é capaz de enxergar isso. Mas, acima dele, o grande capital internacional diante do qual o empresariado brasileiro e o próprio Trump prestam continência, não rasga dinheiro. Bolsonaro está na prancha. Falta saber quando será jogado ao mar.

Joaquim Xavier

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