6 de mar de 2019

Um maluco no Planalto


O tenente que virou capitão ao ser expelido do Exército voltou à toda. Jair Bolsonaro faz questão de exibir sua total incapacidade de ocupar o cargo conquistado devido a fraudes de todo o tipo. É um caso para os hospícios que sua equipe pretende ressuscitar. Em vez de uniformes pirateados, Bolsonaro estaria melhor vestido com uma camisa de força.

Em poucos dias, disparou contra as universidades, defendeu a legalização do extermínio praticado por policiais ou qualquer cidadão e atacou artistas que criticam suas ideias paleolíticas. Tudo mediante mensagens de twitters, que comportam o número de caracteres que ele consegue escrever sem tropeçar no vernáculo elementar.

Aos olhos do Planalto, essa estratégia parece suficiente para dirigir um país como o Brasil. Ledo engano. O Brasil é uma das dez maiores economias do mundo. Tem a quinta maior população do planeta. Suas reservas de petróleo estão entre as maiores da Terra. O mercado interno possui um potencial cobiçado internacionalmente. A Amazônia é uma joia da coroa do meio ambiente.

Deixar tudo isto nas mãos de um desequilibrado de extrema-direita vem se mostrando um perigo maior do que qualquer um poderia imaginar. Mesmo os abutres do capital financeiro se perguntam se não foram longe demais.

Eles também se perguntam se uma coalizão de milicianos paramilitares, ladrões assumidos de dinheiro público e adversários de costumes civilizados podem dirigir um país como o Brasil. Em política, mesmo as aparências valem bastante. Para a famiglia Bolsonaro, porém, nada valem.

Todos sabem que a Previdência é a “mãe de todas as batalhas”. A liquidação das aposentadorias, em benefício da banca privada, preocupa dez entre dez interessados em avançar sobre o dinheiro do povo. A recolonização do Brasil depende disso, junto com a privatização sem limites de estatais como a Petrobras, Caixa Econômica, Banco do Brasil etc.

Bolsonaro foi quem sobrou para dirigir o trabalho sujo. Por incrível que pareça, o Congresso pode ser um obstáculo. A bancada do Partido Só de Laranjas, o PSL do tenente que virou ex-capitão, é uma incógnita. O restante dos parlamentares ainda pesa na balança quanto custaria em votos e em dinheiro o apoio a um projeto tão impopular.

O decisivo, em todo caso, é a reação do povo. A CUT e as demais centrais sindicais, que insistem em chamar greves gerais fora de hora para depois recuar, tem o dever de levar a sério o combate que está em jogo. E repetir, em escala ampliada, a greve vitoriosa de abril de 2018. Se a oposição não se der conta de que Bolsonaro e sua turma estão determinados a incinerar os tímidos avanços que o Brasil conseguiu, os aeroportos serão a única saída.

Ricardo Melo é jornalista, presidiu a EBC e integra o Jornalistas pela Democracia

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