3 de mar de 2019

“Para que não se esqueça, para que não se repita”.


E o que significa o 2 de março na memória nacional?

02 de março representa o dia de uma das maiores derrotas do Exército brasileiro para revoltosos. Foi na Guerra de Canudos, no interior da Bahia, em 1897.

O Exército chegou a ser derrotado em 03 batalhas na Guerra de Canudos.
Isto gerou extremo desconforto no Exército e as notícias que foram veiculadas apavoraram a opinião pública. Esta, portanto, exigiu a destruição do arraial de Canudos e deu legitimidade ao massacre de vinte mil sertanejos apenas naquele ano. As baixas militares durante toda a Guerra (1896-1897) foram em torno de cinco mil.

O fim da Guerra deu-se em setembro de 1897, com a rendição do município de Canudos, com a maioria de seus habitantes saindo de suas casas e agitando bandeira branca, Mesmo assim, todos os homens ali presentes, e até grupos de mulheres e crianças, acabaram sendo degolados – uma execução sumária que se apelidou de “gravata vermelha”.

O arraial ainda resistiu por um mês, mas em 05 de outubro, os quatro últimos habitantes foram executados; o cadáver do líder Antônio Conselheiro, morto um mês antes, foi exumado e sua cabeça decepada a faca.

Todas as casas do arraial foram incendiadas.

A Guerra de Canudos constituiu-se num dos maiores crimes já praticados em território brasileiro.

As razões de toda essa tragédia foi a crença de que o movimento popular, de fundo sócio-religioso liderado por Antônio Conselheiro, deveria ser sufocado.

A região, historicamente caracterizada por latifúndios improdutivos, secas cíclicas e desemprego crônico, passava por uma grave crise econômica e social. Milhares de sertanejos partiram para Canudos, unidos na crença de uma salvação milagrosa que pouparia os humildes habitantes do sertão dos flagelos do clima e da exclusão econômica e social.

Os grandes fazendeiros da região, unindo-se à Igreja, iniciaram uma forte pressão junto à República recém-instaurada, pedindo que fossem tomadas providências contra Antônio Conselheiro e seus seguidores.

O Exército então, mais uma vez, ao invés de atuar com base nas leis vigentes e de respeitar o primado de que essas forças existem para defender o país de ataques externos, atacou os cidadãos brasileiros, a quem deveria proteger.

A modesta estátua de António Conselheiro, que se vê nesta foto, situa-se na cidade de Canudos, em frente ao museu – tão modesto quanto – que conta a história do município.

“Para que não se esqueça, para que não se repita”.

Da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos

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