19 de mar de 2019

Palocci admitiu não ter provas e seu depoimento é “imprestável”


"Palocci admitiu que suas afirmações não foram presenciadas ou testemunhadas por qualquer pessoa, deixando claro o caráter imprestável de seu depoimento", diz defesa sobre acusação de que ex-presidente negociou propina com Sarkozy

A defesa do ex-presidente Lula emitiu uma nota à imprensa, na noite desta segunda (18), afirmando que o depoimento em que Antonio Palocci afirma que o petista combinou pagamento de propina com Nicolas Sarkozy, em 2009, é “imprestável” porque não possui nenhuma comprovação.

“Quando confrontado pela defesa de Lula, Palocci admitiu que suas afirmações não foram presenciadas ou testemunhadas por qualquer pessoa, deixando claro o caráter imprestável de seu depoimento”, anotou a defesa.

Palocci foi ouvido hoje como testemunha de acusação na ação penal em que um dos filhos de Lula é acusado de receber vantagens indevidas de montadoras.

O delator da Lava Jato disse que presenciou reunião entre Lula e Sarkozy em 2009, na qual houve acerto de pagamento de propina na compra de equipamentos para as forças armadas. Entre esses itens estariam os caças, mas o fato é que o governo Dilma Rousseff adquiriu as aeronaves da sueca Saab.

A defesa de Lula reclamou que Palocci gosta de falar dos caças, mas que isso sequer tem a ver com a ação penal em curso.

“Trata-se de arrolamento extemporâneo da acusação, baseado em referência artificial a “caças” feita pelo ex-Ministro em depoimento prestado em 26/06/2018 no âmbito da Operação Greenfield, que não tem qualquer relação com o objeto da ação penal relativa ao depoimento hoje prestado.”

Leia, abaixo, a nota completa:

O depoimento prestado hoje (18/03) pelo ex-Ministro Antônio Palocci perante o Juízo da 10ª Vara Federal de Brasília só serviu para deixar ainda mais claro que ele negociou generosos benefícios com autoridades em troca de múltiplas e esfarrapadas acusações contra o ex-Presidente Lula.

Quando confrontado pela defesa de Lula, Palocci admitiu que suas afirmações não foram presenciadas ou testemunhadas por qualquer pessoa, deixando claro o caráter imprestável de seu depoimento. Durante a ação penal, 30 testemunhas prestaram depoimento e todas elas, inclusive aquelas arroladas pelo MPF, demonstraram que Lula não cometeu qualquer ato ilícito. Dentre as pessoas ouvidas estão os dos ex-Presidentes Dilma Rousseff e Fernando Henrique Cardoso, ex-Ministros de Estado, membros das Forças Armadas e servidores da Presidência da República. A lisura da conduta de Lula foi confirmada também nesta data pelo depoimento prestado pelo ex-Ministro Nelson Jobim.

Palocci foi ouvido como testemunha do Juízo a pedido do MPF. Trata-se de arrolamento extemporâneo da acusação, baseado em referência artificial a “caças” feita pelo ex-Ministro em depoimento prestado em 26/06/2018 no âmbito da Operação Greenfield, que não tem qualquer relação com o objeto da ação penal relativa ao depoimento hoje prestado.

Em petição protocolada nesta tarde, demonstramos ao Juízo que embora Palocci tenha negado peremptoriamente sua iniciativa de incluir o tema dos “caças” naquele depoimento da Operação Greenfield, telas capturadas a partir do vídeo correspondente àquele depoimento mostram suas anotações e, consequentemente, sua intenção de tratar do tema, situação absolutamente incompatível com a isenção que se espera de uma real testemunha.

Cristiano Zanin Martins

No GGN

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