29 de mar. de 2019

O projeto de Bolsonaro é um só: continuar a ser o “Mito”


Bruno Boghossian, na Folha de hoje, caminha por uma trilha que está visível, mas pouco sinalizada, porque a distorção do olhar da imprensa costuma deixar os olhos mais presos às formas que ao conteúdo.

Diz ele que Rodrigo Maia e os líderes dos partidos e até os emissários do governo não tratam como paz, mas como trégua a suspensão dos enfrentamentos entre o Executivo e o Legilativo, e que foram avisados de que “o  presidente continuará com o dedo no gatilho e que o tiroteio pode recomeçar a qualquer momento”.

Francamente, não parece existir outra possibilidade.

Jair Bolsonaro não é um lobo solitário, embora o pareça, pelo individualismo de suas atitudes e pela guarda pretoriana familiar na qual está envolto.

Ele só tem significado porque há uma matilha, caprichosamente arrebanhada pela mídia e pelas instituições policiais-judiciais, que foram alimentadas e fortalecidas desde o início do primeiro governo Lula.

O processo destrutivo e a histeria que desenvolveram por anos levou de roldão as referências políticas da sociedade e abriu espaços para que ela, em parte, optasse por alguém que simbolizava a negação da harmonia e prometesse a destruição da “velha política”, embora dela viesse e nela vivesse por décadas.

No bandos, inclusive os de humanos primitivos, mostrar os dentes, a força, o poder é rotina inescapavel para mantê-lo unido, disciplinado e, sempre, evitar que outros comecem a aspirar a posição de líder

Não esperem que, em nome de um pragmatismo político, Jair Bolsonaro vá passar a ser um agregador, um articulador, um conciliador, condições essenciais para qualquer governante em estados minimamente democráticos.

Escreve Bruno, muito bem:

Bolsonaro está convencido de que o discurso de oposição às práticas políticas foi o grande motor de sua campanha presidencial. Incensado pelo núcleo ideológico do governo, ele deu demonstrações de que não está disposto a abrir mão dessa carta.

O ex-capitão não tem um programa para a economia, para o bem-estar social, para a inserção do Brasil no mundo. Tem apenas um projeto político, o de manter a excitação nacional em busca do “inimigo” a ser destruído e, assim, manter-se como o “Mito”, o que já o desonera de ser verdadeiro.

Trégua não é paz, é apenas o intervalo para uma nova onda de ataques.

Fernando Brito
No Tijolaço

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