31 de mar de 2019

O “policial bonzinho”


O general Mourão, quem diria, acabou no Wilson Center. No dia 8 de abril, ele é convidado do instituto, em Washington. Diz o convite: “Junte-se a nós naquela tarde para uma conversa sobre as perspectivas políticas para o Brasil no próximo ano e além“.

O texto do convite dá o tom da participação e dos objetivos do convescote neo-golpista. 

“Os primeiros 100 dias do governo Bolsonaro foram marcados por paralisia política, em grande parte devido às crises sucessivas geradas pelo círculo interno do próprio presidente, se não por si próprio. Em meio ao barulho político, o vice-presidente Hamilton Mourão emergiu como uma voz de razão e moderação, capaz de orientar tanto em assuntos internos quanto externos. O vice-presidente Mourão assumiu a gestão da crise na Venezuela e tem sido cada vez mais procurado por autoridades da China, Europa e Oriente Médio, bem como pela comunidade empresarial, para atuar como interlocutor do governo”.

Para quem ainda não sabe, “desde 2015, juízes do STF, além de Sergio Moro, não saem do Instituto Wilson, conhecido think tank da CIA, e uma das instituições que, através desses seminários, dentre outras atividades, deu importante apoio ao golpe no Brasil”, escreveu Miguel do Rosário, em seu blog O Cafezinho.

O que Mourão vai fazer nos EUA, nas pegadas da visita do capitão-presidente? Vai disputar a “amizade” do imperialismo, na condição de “policial bonzinho”? Tentar tomar para si o comando da operação golpista, que passou pelo PSDB, Temer e, agora, Bolsonaro? Vai defender sua tese de “ditadura constitucional”?

Resta saber o que o capitão-presidente pensa sobre isso? Ah, e também seu filho predileto, desafeto do general? Desta vez, ao que parece, por ironia, a rebelião parte dos seus superiores.

A única certeza disso tudo é que capitão e generais (no plural) desmoralizam as Forças Armadas, como jamais ocorreu na história do Brasil.

E que a fatura vai ser alta na hora do ajuste de contas.

Desta vez, a cobrança será na mesma proporção.

E com juros.

Fernando Rosa
No Senhor X

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