12 de mar de 2019

O PM Ronnie Lessa


Ronnie Lessa atuava em guarnição comandada por condenado pelo assassinato da juíza Patrícia Acioli

O policial miltiar Ronnie Lesssa, preso na manhã desta terça-feira, suspeito do assassinato da vereadora Marielle Franco e apontado como o atirador do homicídio, atuava no 9º BPM (Rocha Miranda), chefiado, em muitos momentos, pelo tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira. A guarnição era formada pelos mesmos integrantes, com Lessa incluído na mairoia das vezes, e comandada por Cláudio. O oficial é conhecido pelo público por ser condenado a 36 anos de prisão, acusado de ser o mandante do assassinato da juíza Patrícia Acioli. Cláudio cumpre pena na Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Até julho do ano passado, ao menos, Cláudio continuava integrando as fileiras da PM, recebendo a sua remuneração todos os meses. Em junho, mesmo sem servir e proteger a população, Claudio Luiz teve a conta engordada em R$ 19.916,53. Até aquele mês, nos seis anos e dez meses de prisão, ganhou R$ 1,7 milhão entre remunerações e 13º.

A juíza patrícia Acioli foi morta, na porta de casa com 21 tiros, no dia 12 de agosto de 2011, no bairro de Piratininga, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio. A juíza era titular da 4º Vara Criminal de São Gonçalo e foi responsável pela prisão de cerca de 60 policiais ligados a milícias e grupos de extermínio, fato que teria gerado insatisfação entre os grupos criminosos que atuavam na região.

Em dezembro de 2013, Cláudio foi condenado a 36 anos de prisão pelo crime. O oficial ingressou no sistema penitenciário federal em dezembro de 2011 e já passou por diversas unidades. Desde março de 2016, ele está em Mossoró.

(...)

Histórico de Ronnie Lessa

Ronnie Lessa nos idos de 1992, tinha fama de ser violento, aparecendo com frequência nas manchetes de jornal. Não é à toa que os policiais que davam serviço naquela época eram conhecidos como “Cavalos Corredores”. Foi da unidade de Rocha Miranda que saíram os PM condenados pela chacina de Vigário Geral, em 1993, quando 21 pessoas — oito delas evangélicos de uma mesma família — foram executadas.

Na época, o batalhão tinha praticamente todo o seu efetivo com casos de auto de resistência, situação que ganhou o holofote justamente por causa do massacre. Ronnie Lessa ainda era soldado e se integrava aos colegas. Sua guarnição era uma das campeãs de louvores da corporação pelas operações que incluíam a apreensão de armas e drogas, o estouro de locais de endolação de drogas e prisões. O chefe do grupo era o capitão que inclusive ainda é lembrado nos dias de hoje como um dos três oficiais mais operacionais que passaram pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope): Cláudio Luiz Silva de Oliveira.

PM Ronnie Lessa é conhecido pela frieza e por ser exímio atirador

Ninguém jamais havia investigado Ronnie Lessa. Embora os corredores das delegacias conhecessem a fama do sargento reformado, de 48 anos, associada a crimes de mando pela eficiência no gatilho e pela frieza na ação, Lessa era até a operação desta quarta-feira um ficha limpa. Egresso dos quadros do Exército, foi incorporado à Polícia Militar do Rio em 1992, atuando principalmente no 9º BPM (Rocha Miranda), até virar adido da Polícia Civil, trabalhando na extinta Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (DRAE), com a mesma função da atual Desarme, na Delegacia de Repressão à Roubo de Cargas (DRFC) e na extinta Divisão de Capturas da Polinter Sul.

Já o ex-PM Elcio Vieira de Queiroz, de 46 anos, também preso hoje, é acusado de ter dirigido o Cobalt prata usado na emboscada. Ele foi expulso da corporação após se tornar réu na chamada Operação Guilhotina, que colocou em xeque a cúpula da Polícia Cívil. Elcio foi detido hoje quando estava saindo de sua casa, na Rua Eulina Ribeiro, no Engenho de Dentro, na Zona Norte do Rio.

Carreira mercenária

A experiência como adido foi o motor da carreira mercenária de Lessa. A prática de cessão de PMs para a Polícia Civil começou no início dos anos 2000, quando o Rio ainda enfrentava uma onda de sequestros irrompida na década anterior. A primeira leva, transferida para a Divisão Anti-Sequestro (DAS), forjou outros nomes que posteriormente fariam fama no mundo criminal, como o do sargento da reserva da PM Geraldo Antônio Pereira, o Pereira; e o sargento Marcos Vieira de Souza, o Falcon, ex-presidente da Portela, ambos já foram assassinados em 2016, em situações diversas.

O próprio Orlando de Oliveira Araújo, o Orlando da Curicica, apontado inicialmente como principal suspeito, também é oriundo da DAS. No caso dele, como já havia sido expulso pela Polícia Militar, atuava como informante da delegacia ou X-9, como era vulgarmente conhecido. O alcaguete andava em viaturas da polícia, além de portar armas, inclusive fuzis.

Arregimentado por contraventor

Lessa, como outros adidos, conhecia mais das ruas do que qualquer policial civil. Logo, destacou-se e ganhou respeito pela agilidade e pela coragem na solução dos casos. Esta fama, segundo os bastidores da polícia, chegou aos ouvidos do contraventor Rogério Andrade, na época cada vez mais ocupado em fortalecer o seu exército numa sangrenta disputa territorial com o também contraventor Fernando Iggnácio de Miranda. Em jogo, o legado do bicheiro Castor de Andrade, morto em 1997.

Arregimentado por Andrade, Lessa não demorou a crescer na organização e ocupar o destacado posto de homem de confiança do chefe. Até que, em abril de 2010, a explosão de uma bomba no carro do bicheiro não apenas matou o filho dele, Diogo Andrade, de 17 anos, como fulminou a credibilidade de Lessa junto ao chefe, por não conseguir protegê-lo, assim como sua família. O guarda-costa e exímio atirador foi incapaz de evitar a morte do jovem.

Chama atenção que o método de detonação da bomba usada no atentado que matou o filho do contraventor, segundo peritos da época, foi o mesmo usado no atentado ao sargento da PM, em 2 de outubro de 2009, que perdeu a perna. Um laudo do Esquadrão Antibombas da Polícia Civil revelou que para explodir o Toyota Corolla blindado de Andrade foi usado um dispositivo acionado à distância por meio de um telefone celular.

Com a sua reforma por invalidez, Lessa acabou deixando de ser adido, mas ainda frequentava as delegacias da Polícia Civil, principalmente a antiga Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (DRAE). Até que, em 2011, ciente da migração dos adidos para as fileiras do crime, a Secretaria de Segurança do Estado vetou para sempre a cessão de quadros da PM para a Polícia Civil e acabou com a DRAE. A medida foi resultado da Operação Guilhotina da Polícia Federal, que investigou a corrupção policial envolvendo policiais civis e os adidos, além de integrantes da cúpula da instituição.

Com as portas fechadas na polícia, o ambiente mafioso tornou-se um caminho sem volta para Lessa. A mira certeira, decisiva para a expansão territorial de Rogério Andrade, foi também o passaporte do ex-sargento para a organização criminosa formada por matadores de aluguel, considerada mais temida e eficiente do Rio. Num cenário em que o dinheiro da corrupção garantia a impunidade destes mercenários, Lessa nem sequer se dava ao trabalho de agir às sombras. Para agenciá-lo, bastava dar uma passada no bar onde o ex-adido fazia ponto no Quebra-Mar, na Barra da Tijuca.

Uma opinião unânime assombra os que conheceram Lessa pessoalmente. Há quem diga que ele é capaz de tudo para cumprir as empreitadas criminosas, sem medir as consequências. Hábil no manejo principalmente de fuzis, é conhecido por gostar de atirar sentado, embora uma prótese moderna disfarce bem o problema físico quando em pé. Jamais volta para a base sem ter cumprido o que fora acertado com o contratante.

É esse homem que, agora, a polícia pretende levar para o banco dos réus como o principal acusado da morte de Marielle e Anderson.

Homenagem pelos 'bons serviços prestados'

Extremamente operacional, Ronnie Lessa encontrou no 9º BPM (Rocha Miranda) a unidade perfeita para o seu perfil. Afinal, o batalhão, nos idos de 1992, tinha fama de ser violento, aparecendo com frequência nas manchetes de jornal. Não é à toa que os policiais que davam serviço naquela época eram conhecidos como “Cavalos Corredores”. Foi da unidade de Rocha Miranda que saíram os PM condenados pela chacina de Vigário Geral, em 1993, quando 21 pessoas — oito delas evangélicos de uma mesma família — foram executadas.

Na época, o batalhão tinha praticamente todo o seu efetivo com casos de auto de resistência, situação que ganhou o holofote justamente por causa do massacre. Ronnie Lessa ainda era soldado e se integrava aos colegas. Sua guarnição era uma das campeãs de louvores da corporação pelas operações que incluíam a apreensão de armas e drogas, o estouro de locais de endolação de drogas e prisões. O chefe do grupo era um capitão que inclusive ainda é lembrado nos dias de hoje como um dos três oficiais mais operacionais que passaram pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope): Cláudio Luiz Silva de Oliveira. Do público em geral, hoje ele é conhecido como o tenente-coronel Cláudio, condenado a 36 anos de prisão como mandante do assassinato da juíza Patrícia Acioli, em 2011. Ele cumpre pena na Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Era um louvor por mês, sendo que, em 1997, no mês de março houve duas menções. Mas a PM não havia mais espaço para Lessa que junto com outros colegas da mesma guarnição passaram a dar serviço nas delegacia especializadas do Rio, como as que cuidavam de roubos de cargas — justamente porque a maioria dos alvos era de favelas da área do quartel de Rocha Miranda, que a guarnição conhecia bem —, de capturas de presos (Polinter) e para coibir os sequestros.

Entre os colegas que seguiram com Lessa estão: Roberto Oliveira Dias, conhecido como Beto Cachorro; e os irmãos Ivan Jorge Evangelista de Araújo e Floriano Jorge Evangelista Araújo.Todos foram investigados na Operação Guilhotina, deflagrada pela Polícia Federal que apurava a corrupção policial na Polícia Civil. Lessa conseguiu não foi indiciado na época.

Lessa também recebeu moção do deputado estadual Pedro Fernandes (PSD), em 23 de novembro de 1998, avô do atual secretário de Educação Pedro Fernandes. Fernandes destacou na época: “a maneira como vem pautando sua vida profissional como policial-militar do 9º BPM. Sem nenhum constrangimento posso afirmar que o referido militar é digno desta homenagem por honrar, permanentemente, com suas posturas, atitudes e desempenho profissional, a sua condição humana e de militar discreto mas eficaz.

Constituindo-se, deste modo, em brilhante exemplo àqueles com quem convive e com àqueles que passam a conhecê-lo. Por tudo isto, sinto-me orgulhoso e honrado ao propor esta moção de louvor”.

Réu na Operação Guilhotina, Élcio foi expulso da PM

O ex-PM Élcio Vieira Queiroz foi expulso da corporação depois de ter sido réu na Operação Guilhotina da Polícia Federal, em 2011. Ele foi um dos 45 denunciados pelo Ministério Público estadual pelos crimes de formação de quadrilha armada, peculato, corrupção passiva, comércio ilegal de arma de fogo, extorsão qualificada, entre outros delitos. Segundo o processo, foram expedidos mandados de prisão contra 11 policiais civis, 21 PMs — incluindo oito que atuavam na Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae), que acabou sendo extiinta; e na Delegacia de Combate a Drogas (DCOD) —, além de 13 ex-policiais e informantes. Na época, Élcio era segundo sargento do 16º BPM (Olaria), mas atuava cedido à Polícia Civil como adido, função muito comum nos anos 2000.

A Operação Guilhotina teve grande repercussão na imprensa em 2011, pois colocava em xeque a cúpula da Polícia Civil. Agentes da Polícia Federal (PF) chegaram a fazer buscas na casa de um delegado que era ex-subchefe de Polícia Civil e, antes, titular da Drae, onde os adidos como Elcio trabalhavam. Este delegado chegou a ser excluído da corporação, mas foi reitegrado, pois sua defesa conseguiu provar sua inocência.

Na época, os policiais eram acusados de fazer jogo duplo com bandidos, inclusive vendendo armas a eles. Alguns chegaram até a ser flagrados em escutas e e-mails informando aos criminosos ligados ao traficante Antonio Bonfim Lopes, o Nem, preso em presídio federal fora do estado, o local e o dia que a polícia iria realizar operações nas favelas dominadas pelo bando.

Durante as investigações que começaram em 2009, os agentes federais descobriram também que os policiais em vez de prender, costumavam roubar os próprios traficantes. Pelo menos nove policiais civis e militares foram flagrados saqueando bens, dinheiro e pertences de moradores e traficantes dos Complexos da Penha e do Alemão, na época da ocupação para a implantação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

Carro apreendido com PM envolvido no assassinato de Marielle e Anderson tem 93 multas por excesso de velocidade

O carro apreendido com o sargento reformado da Polícia Militar Ronnie Lessa, preso na madrugada desta terça-feira por envolvimento no asssassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, tem 124 multas registradas desde agosto de 2013. A maioria das infrações é por excesso de velocidade. O veículo, um Infiniti FX35 V6 AWD, custa em média R$ 120 mil. O modelo de Lessa é blindado.

De acordo com o sistema da Secretaria municipal de Transportes (SMT) da prefeitura do Rio, as infrações foram por estacionamento irregular, excesso de velocidade, avanço de sinal e dirigir com o celular. A maioria das multas registradas na prefeitura, no entanto, foi por excesso de velocidade: foram 93 infrações.

A Infiniti é uma marca nipo-americana de automóveis de luxo da Nissan que tem modelos comercializados nos Estados Unidos, no México, no Canadá, em países do Oriente Médio, na Coreia do Sul e em Taiwan. Em 2007 a marca chegou à Europa continental, à Rússia e à Ucrânia. Em 2012, a Nissan chegou a anunciar planos de trazer a Infiniti ao Brasil, mas a iniciativa não avançou.

Além de Ronnie Lessa, a Delegacia de Homicídios (DH) da Capital e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) prenderam o ex-PM Elcio Vieira de Queiroz por envolvimento no crime. Os dois tiveram a prisão preventiva decretada pelo juiz substituto do 4º Tribunal do Júri Guilherme Schilling Pollo Duarte, após denúncia da promotoria. Segundo a denúncia do MP do Rio, Lessa teria atirado nas vítimas, e Elcio era quem dirigia o Cobalt prata usado na emboscada. Elcio de Queiroz foi expulso da corporação.

Segundo a denúncia das promotoras Simone Sibilio e Leticia Emile, o crime foi "meticulosamente" planejado três meses antes do atentado. Além das prisões, a operação realiza mandados de busca e apreensão nos endereços dos denunciados para apreender documentos, telefones celulares, notebooks, computadores, armas, acessórios, munições e outros objetos. Lessa e Elcio foram denunciados pelo assassinato e a tentativa de homicídio de Fernanda Chaves, assessora da vereadora que sobreviveu ao ataque. A ação foi batizada de Operação Buraco do Lume, em referência ao local no Centro de mesmo nome, na Rua São José, onde Marielle prestava contas à população sobre medidas tomadas em seu mandato. Ali ela desenvolvia também o projeto Lume Feminista. Os denunciados foram presos às 4h desta madrugada.



Já tentaram apagar o PM Ronnie Lessa

Tentativa de assalto na Barra termina com PM e bombeiro baleados

Os dois estavam na praia do Pepê quando foram abordados por um criminoso

Por Leticia Lopes, às 27/04/2018

Um policial militar reformado e um agente do Corpo de Bombeiros foram baleados durante uma tentativa de assalto na Avenida Lúcio Costa, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.

Os dois estavam na praia do Pepê quando foram abordados por um criminoso em uma moto. Houve troca de tiros.

O militar Roni Lessa, de 47 anos, foi atingido de raspão no pescoço e o bombeiro baleado no braço. Eles formam encaminhados ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, na mesma região.

O caso aconteceu na manhã desta sexta-feira (27), na altura do Quebra Mar. Ainda não há informações sobre presos na ocorrência.

Com o caso, já são 103 agentes de segurança baleados no estado do Rio somente em 2018. O levantamento é da BandNews FM.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários com links NÃO serão aceitos.

Os comentários são de total responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do blog

Comentários anônimos NÃO serão publicados, como também não serão tolerados spams, insultos, discriminação, difamação ou ataques pessoais a quem quer que seja.

É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O blog poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.