29 de mar. de 2019

O discurso terrorista que tenta impedir qualquer debate sobre a Previdência

Depois de muitos anos de bons serviços, Hélio Schwartsman foi promovido - ele foi incluído no Conselho de Redação da Folha, em decisão da mesma reunião de acionistas que mudou a diretora do jornal e submeteu de vez o jornalismo aos interesses financeiros do grupo. Aliás, a Folha sempre fala em "reunião de acionistas", sem maiores detalhes, e a gente pensa numa assembleia, mas ela se resume a três integrantes da família Frias.

O ponto é que o sucesso não subiu à cabeça. Schwartsman continua fazendo o que sempre fez, que é dar uma roupagem pretensamente "científica" às crendices do liberalismo mais tosco. É uma espécie de Olavo de Carvalho, mas voltado a um público com um pouquinho - um pouquinho só - a mais de sofisticação intelectual.

A coluna de hoje se dedica a espinafrar Bolsonaro, o que é, devemos reconhecer, tarefa fácil. Mas, claro, o ângulo é a incapacidade de empurrar a reforma da Previdência goela abaixo do povo brasileiro. A alturas tantas, diz o colunista que "sem ela [a reforma da Previdência], o país se tornará em um ou dois anos inadministrável".

Mesmo Schwartsman é capaz de perceber o que ele está fazendo aqui. Ele está se colocando na posição de garoto de recados de Paulo Guedes, reproduzindo o discurso terrorista que tenta impedir qualquer debate sobre a Previdência Social. Com menos ou mais disfarce, é isso que quase toda a cobertura da grande imprensa faz.

Cabe a nós fazer o contrário, ou seja, forçar o debate. Apesar de toda a propaganda incessante, os trabalhadores percebem que existe algo de muito errado em serem chamados a dar mais uma cota desproporcional de sacrifício para "salvar" um país que lhes nega quase tudo. Discutir a previdência a contrapelo do discurso hegemônico permite não apenas contestar Bolsonaro, mas todo o consenso neoliberal e austericida que contamina até mesmo a parte da esquerda preocupada em parecer "responsável" diante do capital.

Luis Felipe Miguel

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