5 de mar de 2019

O Brasil ou Bolsonaro: esta é a escolha


Bastou o tenente Bolsonaro (que só virou capitão ao ser expelido do Exército, pelas regras da Arma) ensaiar sorrisos amarelos de cor laranja para a mídia adesista se assanhar. Brincando de civilizado, convocou um café da manhã com jornalistas selecionados a dedo para vender uma imagem de "gente boa", de homem aberto ao diálogo, com direito a piadinhas e elogios hipócritas à imprensa.

Foi o que bastou para muita gente achar que o diabo tinha recolhido o tridente. O jornalismo brasileiro da mídia gorda, realmente, caiu abaixo do fundo do poço.

Não se passaram muitos dias para mostrar que nada mudou. Os twitters da famiglia, que ele prometeu iria filtrar, mantiveram o mesmo tom de ódio e belicismo de sempre. Para não citar todos, fiquemos no post de um dos filhos a respeito da morte do neto de Lula. Uma das peças mais execráveis a que o mundo civilizado já teve acesso. Filtrado pelo pai, a acreditar no que ele próprio prometeu.

Agora o próprio tenente voltou à ativa. Seu último twitter sobre a "lava Jato" na Educação demonstra que Bolsonaro continua o mesmo.

Anuncia uma perseguição sem tréguas à academia, universidades, professores, alunos para enquadrá-los no que há de mais reacionário e obscurantista. Promete ainda uma repressão implacável aos que resistirem ao projeto de destruir qualquer oposição ao plano de exterminar o pensamento livre, desimpedido e democrático.

Chega a ser revoltante ler nas redes, no papel, ver na TV e ouvir em rádios pedidos de paciência e compreensão diante de um presidente que recém assumiu. "Não tem experiência", falam. Como se isto anistiasse uma trajetória marcada por tudo o que mais odioso já visto no país.

Os argumentos dos bolsonaristas, neo-bolsonaristas e os ansiosos por uma boquinha não resistem a uma análise superficial que seja. Veja alguns:

— "ele teve 58 milhões de votos". Bem, mas de onde saíram estes votos? As notícias em profusão mostram ter sido produto de manipulação eletrônica, laranjais, mentiras difundidas aos montões sem o menor escrúpulo. O tenente transformado em capitão é um usurpador, cuja soma de votos, aliás, é inferior ao volume de votos da oposição, nulos, brancos e abstenções. .

— "ele não tem culpa das trapalhadas dos filhos". Referem-se, por exemplo, ao esquema de roubalheiras articulado pela dupla Fávio Bolsonaro/ Fabrício Queiróz. Omitem, quando podem, que o próprio tenente manteve em seu gabinete uma personal trainer que recebia dinheiro público (depois confiscado pelo militar) como assessora no Congresso.

— "o que ele falava como deputado não vale agora que ele é presidente". Quem acredita nisso, acredita em tudo. Já como chefe do Planalto, o tenente aproveitou uma cerimônia trivial para elogiar um ditador como Alfredo Stroessner, assassino, torturador, pedófilo, que durante 35 anos espalhou o terror pelo Paraguai. "Um estadista" na visão do militar.

E por aí vai. Nem sequer é preciso citar o episódio Ilona Szabó, que reduziu Sérgio Criminoso Moro ao que ele é de fato – um estafeta covarde, pitbull na frente de Lula e lulu amedrontado quando desmoralizado pelo tenente na presidência.

Bolsonaro tem 30 anos de vida pública. Suas convicções racistas, homofóbicas, misóginas, vendilhonas do Brasil e adorador de torturas, genocídio de pobres, exterminador de direitos da maioria do povo e subserviente a personagens como Trump, Guaidó, Duque, Pinochet etc – tudo isso faz parte de seu DNA.

O tenente, alçado a ex-capitão por injunções burocráticas, não tem conserto. Viveu desequilibrado, e permanecerá desequilibrado. Ninguém tem bola de cristal para saber como as coisas acontecerão. A única certeza é a seguinte: quanto mais tempo ele permanecer no Planalto, pior para o Brasil. Cabe ao povo decidir como e quando será o desfecho

Ricardo Melo é jornalista, presidiu a EBC e integra o Jornalistas pela Democracia

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