27 de mar. de 2019

Novo líder da frente evanjegue na Câmara já foi condenado pela Justiça

Eleito nesta quarta-feira, Silas Câmara, da Assembleia de Deus, é ligado a grupo de mídia evangélica no Norte do país; ele responde por ao menos cinco crimes diferentes

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Silas Câmara (PRB-AM), deputado de sexto mandato eleito presidente da Frente Parlamentar Evangélica na manhã desta quarta, tem denúncias por ao menos cinco crimes diferentes e já foi condenado por alguns deles.

O político foi condenado pelo uso de documento falso e falsidade ideológica pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2016. Em 1997, falsificou documentos para limpar o nome e alterar o contrato de uma empresa de que era sócio. O crime, porém, só foi julgado quando já estava prescrito. Apesar de condenado, a pena de oito anos de prisão não foi cumprida em razão da prescrição.

Em março de 2018, Silas e a esposa, Antônia Lúcia Câmara, foram condenados por improbidade administrativa pela Justiça Federal do Acre. De 2007 a 2010, sua mulher usou o celular corporativo dele para fins pessoais, acumulando um prejuízo de R$ 62 mil aos cofres públicos. Eles recorrem da sentença, que determinou a perda dos direitos políticos de ambos.

Em ação que tramita no STF, Silas Câmara é denunciado por peculato. Segundo a acusação, desviou o salário de servidores na Assembleia Legislativa do Amazonas e nomeou três empregados que trabalhavam em sua casa como secretários: a cozinheira, o motorista e o jardineiro.

Em outro processo judicial que já tramitou pelo STF, mas foi arquivado em 2017, Silas foi denunciado por ameaça. A acusação é de que ele estaria ameaçando a vida de uma testemunha em processo judicial envolvendo desvio de recursos públicos realizado por ele e a esposa, Antônia.

Em 2011, Antônia Lúcia teve o mandato como deputada federal cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Acre. Em 2010, a Polícia Federal prendeu Heber e Milena Câmara, filhos do casal, que carregavam R$ 472 mil em uma caixa de papelão.

O Ministério Público diz que o dinheiro tinha sido enviado por Silas, do Amazonas, para a campanha da esposa no Acre. A quantia seria gasta com a compra de votos e despesas de caixa dois.

A cassação não foi referendada pela Câmara, Antônia recorreu e terminou de cumprir seu mandato. Ela também já foi acusada de compra de voto, falsidade ideológica, fraude processual, formação de quadrilha, peculato, uso de caixa dois e falso testemunho.

Os filhos mais velhos do casal dirigem a TV Boas Novas e uma rede de rádio no Amazonas e no Acre. É o maior conglomerado de mídia evangélica do Norte, mas Silas e Antônia não constam como dirigentes. Segundo a PF, o casal usava as emissoras ilegalmente para fazer campanha.

Em 2014, também foi arquivada no STF uma denúncia de que Silas teria usado a Fundação Boas Novas para a captação ilícita de votos durante a campanha eleitoral de 2010, configurando compra de votos. Assim como no processo arquivado em 2017, a Procuradoria Geral da República pediu que a acusação fosse dispensada por falta de provas.

Disputa na frente

Nas últimas semanas, a disputa pela frente estava entre Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) e Cezinha de Madureira (PSD-SP). O primeiro é apadrinhado de Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVC), e o segundo, de Samuel Ferreira, influente líder da AD Madureira.

Cezinha havia anunciado a candidatura antes mesmo de tomar posse. Criou-se um mal-estar na bancada com a disputa entre grandes denominações evangélicas, e Cezinha deu a ideia de desistir de sua candidatura em prol de Silas Câmara. Sóstenes hesitou, mas cedeu.

Na manhã da eleição, Abílio Santana (PR-BA), Flordelis (PSD-RJ), Glaustin Fokus (PSC-GO), Cezinha e Sóstenes retiraram suas candidaturas. Poderoso líder da Assembleia de Deus em Manaus, Silas não tem ligação com a Madureira nem com a Vitória em Cristo.

O nome de Silas Câmara colocou, porém, uma terceira igreja na composição de forças: a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), com ao menos 15 deputados fiéis, entre eles o presidente do PRB, Marcos Pereira (SP), bispo licenciado. O PRB apoiou sua candidatura.

O clima de disputa que quase gerou pela primeira vez uma eleição na bancada evangélica é atribuído, nos bastidores, à importância que o governo de Jair Bolsonaro dá aos religiosos. Até o momento, porém, o presidente não fez nenhum aceno à intenção de governar com o auxílio dos deputados. No discurso de posse, Silas Câmara disse que não irá usar a frente para fisiologismo.

Natália Portinari
No O Globo

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