7 de mar de 2019

Monitoramento nas redes das imbecilidades de Bolsonaro mostra que não há ‘cálculo’ e sim pulsão suicida

Carluxo e Bozo em ação
É inevitável, diante de algo muito absurdo, surgir uma explicação “racional”.

Serve para o empate do Corinthians com o São Bento, a morte de Teori Zavascki, os discos do Fagner e o governo Bolsonaro.

O vídeo obsceno postado pelo Presidente da República é uma imbecilidade evidente.

Nem à sua base agradou.

Alguns bolsonaristas inventaram que a conta de Twitter do sujeito foi hackeada.

Analistas vieram com a conversa de que era uma “cortina de fumaça”, clichê usado por todo cidadão que quer parecer que sabe algo que você não sabe.

Diante de tanta estupidez, é tentador, mesmo, achar que existe algo por trás disso.

Não tem nada. Zero. Niente. Zip.

É som e fúria perpetrados por idiotas para idiotas, significando coisa alguma.

A lógica que move o bolsonarismo é a da agitação permanente e é por aí que vai cair.

Ninguém aguenta uma cambada de delinquentes berrando e xingando o tempo todo — especialmente a ala militar e seu representante mais visível, o general Mourão.

“É uma tática orientada de ‘fora’, de Steve Bannon, que subverte nas redes todos os protocolos de funcionamento da democracia moderna”, escreveu Tarso Genro. “Desvia crises”.

Ora.

Que crise foi desviada?? Tudo continua de pé, inclusive o Queiroz.

Uma coisa é Donald Trump fazer isso com uma economia estável e baixo desemprego.

Outra é um fulano fantasiado de bexiga de salame histérico à frente de um país em recessão.

Essas patacoadas em série provocaram a desmobilização de parte da milícia de apoiadores na internet, diz a Folha:

Monitoramento feito nas contas do governo e do próprio presidente mostrou que as críticas não vêm só de oposicionistas, mas de pessoas que votaram em Bolsonaro por se identificarem com pautas conservadoras, mas especialmente por serem críticos aos governos do PT.

A preocupação de auxiliares palacianos é que esse tipo de publicações leve a uma geração de crises espontâneas recorrentes e que isso prejudique sua popularidade antes mesmo de o governo chegar aos primeiros 100 dias. (…)

O controle do conteúdo publicado nas redes sociais não está a cargo da Secom (Secretaria de Comunicação Social), como era feito em gestões anteriores. Ao assumir o governo, o presidente passou o tema aos cuidados de assessores especiais, ligados diretamente à Presidência.

Entre os assessores especiais está Tercio Arnaud, que era do gabinete do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), um dos filhos do presidente e o responsável por criar uma estratégia de comunicação agressiva do pai com usuários das redes sociais. (…)

Não foi cálculo, não foi estratégia, não foi uma jogada incrível.

É o modus operandi dessa gangue. É assim que Carluxo, o pai e quejandos funcionam.

O mindset é de campanha e, por razões que eu arrisco psiquiátricas, não sabem viver de maneira diferente.

Assim prosseguirão até se auto destruírem.

Ou, como diz o Zé Simão, o fiofó parar de arder.



Kiko Nogueira
No DCM

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