30 de mar. de 2019

Membros da Operação Condor não comemoram os Golpes

Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai respeitam a memória das vítimas

Os presidentes da Condor: (E) Pinochet (ídolo dos Xi! Cago Boys); Geisel (o "Sacerdote" do
Gaspari); Bordaberry (ditador "eleito" do Uruguai); Stroessner (do Paraguai, que o Bolsonaro
chamou de "estadista") e (D) Videla, da Argentina, que morreu na cadeia, porque lá não teve
Anistia a torturador
Reprodução/El Coyote
A "Operação Condor" integrou os regimes militares da América do Sul à CIA.

O General Geisel foi quem fundou a "Operação Condor".

Para o historialista Elio Gaspari, que fez a melhor biografia autorizada da ditadura brasileira, Geisel era o "Sacerdote" enquanto Golbery era o "Feiticeiro".

Os dois fizeram e acabaram com o regime militar, para instalar a democracia no Brasil!

Quando se soube que Geisel era quem escolhia os que deviam morrer e mandava o Figueiredo matar, Gaspari não foi capaz de fazer uma "auto-crítica", como se dizia no agrupamento a que pertenceu, quando era o Helio Parmagiano.

Sylvia Colombo, na Fel-lha (o jornal da "ditabranda") mostra que, hoje, os membros da "Operação Condor" preferem homenagear os mortos:

Iniciativa de Bolsonaro de comemorar golpe é inédita em países da América do Sul

"Comemorar o início de uma ditadura militar, por iniciativa do Estado, é algo inédito na América Latina", diz à Folha Santiago Cantón, atual secretário de direitos humanos da Província de Buenos Aires e ex-secretário-executivo da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (2001-2012).

Na última segunda-feira (25), o porta-voz do governo Jair Bolsonaro, general Otávio do Rêgo Barros, afirmou que o presidente havia determinado "comemorações devidas" neste 31 de março, quando se completam 55 anos do golpe de 1964.

Bolsonaro, porém, mudou o tom nesta quinta-feira (27) e afirmou que a ideia é rememorar, não comemorar o golpe.

"Comemorar o início de uma ditadura militar, por iniciativa do Estado, é algo inédito na América Latina", diz à Folha Santiago Cantón, atual secretário de direitos humanos da Província de Buenos Aires e ex-secretário-executivo da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (2001-2012).

Na última segunda-feira (25), o porta-voz do governo Jair Bolsonaro, general Otávio do Rêgo Barros, afirmou que o presidente havia determinado "comemorações devidas" neste 31 de março, quando se completam 55 anos do golpe de 1964.

Bolsonaro, porém, mudou o tom nesta quinta-feira (27) e afirmou que a ideia é rememorar, não comemorar o golpe.

Veja abaixo como outros países da América do Sul que passaram por recentes ditaduras militares lidam com o dia do seu golpe.

ARGENTINA

Na Argentina, o dia 24 de março, data em que, em 1976, ocorreu o golpe de Estado que deu início ao mais recente regime militar do país e a uma brutal repressão, é um feriado, mas dedicado apenas a lembrar e celebrar as vítimas dos abusos do Estado.

É chamado de Dia da Lembrança pela Verdade e a Justiça. Todos os anos, como no último domingo, há manifestações contra a ditadura em várias cidades do país. Em Buenos Aires, organizações de direitos humanos, estudantes e famílias se reúnem na Praça de Maio, diante da Casa Rosada (sede do governo argentino) após marchar com velas, cartazes ou fotos dos desaparecidos.

Nos últimos anos, as Mães e Avós da Praça de Maio, cada vez mais envelhecidas, têm tido dificuldades para marchar, mas são levadas por manifestantes ou familiares e, mesmo em cadeiras de rodas ou com auxílio, fazem o percurso que começaram há mais de 40 anos para reclamar o paradeiro de seus filhos.

A celebração em memória das vítimas é um feriado nacional oficial e todas as atividades têm segurança da polícia.

"Obviamente há um setor aferrado aos militares que deram o golpe que deve comemorar, mas se o fazem é de forma privada, se o fizessem em público seriam hostilizados", diz Cantón.

Há dois anos, o presidente Mauricio Macri tentou mudar o dia da celebração, apenas para evitar um feriado prolongado, mas as críticas dos grupos de direitos humanos foram tão grandes que o feriado continuou sendo dia 24 de março, caindo no dia da semana que for.

O que mais se pode aproximar a uma celebração aos militares foi a restituição dos desfiles do dia da Pátria, em 9 de Julho, feriado nacional pela Independência argentina.

Desde o fim da ditadura, em 1983, estes tinham sido banidos, pois os militares estavam muito desmoralizados, pela repressão e pela derrota na Guerra das Malvinas (1982).

Foi o presidente Carlos Menem (1989-1999), em seu pacote de medidas para "reconciliar o país" — entre elas distribuir indultos a repressores —, que resolveu permitir que os militares voltassem a marchar em público nessa data festiva.

"Mas isso não tem nada a ver com comemorar a ditadura, ao contrário. Foi uma tentativa de voltar a dar algum prestígio às novas Forças Armadas após duas vergonhas nacionais, a ditadura e a Guerra das Malvinas", afirma o secretário de Direitos Humanos da Província de Buenos Aires.

CHILE

No Chile, o 11 de setembro não é um feriado. O dia marca o golpe do general Augusto Pinochet e o bombardeio ao Palácio de La Moneda, que deu início à ditadura (1973-1990).

"Na verdade, é um dia nefasto e marcado por medo", resume o cientista político Fernando García Naddaf. As escolas têm jornada reduzida, por temor de expor os alunos a manifestações contra o golpe que ocorrem nas ruas ou a ações localizadas de alguns pinochetistas.

"Há cada vez mais jovens nas manifestações anti-Pinochet do que filiados à ideia de que a ditadura foi boa para o país", conta Naddaf.

Na frente do Palácio de La Moneda há entrega de flores em homenagem a Salvador Allende (1908-1973), então presidente do país, que morreu durante o ação dos golpistas.

"No Chile ainda há pinochetistas, obviamente, mas, se fazem alguma celebração, é de forma privada, nem mesmo nas academias militares. Seria muito escandaloso", afirma o cientista político.

PARAGUAI

Tampouco se celebra o início da ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989) no Paraguai, em 4 de maio. Recentemente, um grupo de seguidores do ditador, os "stronistas", tentaram fazer um pedido ao governo para que seus restos, que estão no Brasil, onde ele morreu, fossem repatriados, mas não foram atendidos.

Rejeitado até mesmo pelo governo do conservador Mario Abdo Benítez, Stroessner foi chamado de "homem de visão, um estadista" pelo presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia em Itaipu, em fevereiro.

URUGUAI

O dia 27 de junho, que marca o início da ditadura militar que foi de 1973 a 1985 no Uruguai, não é feriado nem há qualquer celebração militar. Há, sim, reunião nas ruas e atos para a lembrança das vítimas da repressão.

"Em todos os países há grupos que ainda simpatizam com a ditadura, mas seria disparatado nos dias de hoje pensar que algum Estado estimularia a celebração de seus festejos. Espero apenas que Bolsonaro não lhes dê ideia e isso passe a virar uma tendência na região", diz Canton.

Em tempo: o Conversa Afiada recomenda os livros e artigos do jornalista Luiz Claudio Cunha, destemido testemunha de algumas das atividades da Operação Condor no Brasil, como o sequestro dos uruguaios Universindo Díaz e Lilián Celiberti - PHA

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