18 de mar de 2019

Marielle – Dúvidas sobre a solução do crime

Por que os 2 presos, acusados pelo assassinato de Marielle, não recebem os tradicionais epítetos atribuídos pelos meios de comunicação aos frequentadores das páginas policiais?


No dia 12, após a notícia da prisão dos suspeitos do assassinato de Marielle, publiquei um artigo contestando a versão apresentada em site da Globo por uma das promotoras que incriminava os acusados, sob meu ponto de vista, de maneira completamente absurda.

No mesmo artigo, contestei também a versão apresentada pelo delegado em outro vídeo (do UOL), no qual o horário da câmera que serviria como prova aparecia borrado.

Em conjunto, as duas versões, diferentes, insustentáveis, e parecendo ambas forjadas, me sugeriram fortemente não haver provas que identificassem os acusados.

No dia seguinte, 13, a Globo editou o site, trocando o vídeo nele mostrado.

As críticas que eu havia apresentado na publicação, referiam-se ao vídeo anterior e não se aplicavam ao novo, no qual outras alegações eram apresentadas.

Embora mantidas por escrito, no site, as palavras da promotora que reproduzi e critiquei em meu texto, já não correspondiam às mostradas no vídeo.

Em decorrência da troca efetuada pela Globo, minhas críticas ficaram parecendo completamente disparatadas. Só descobri a troca no dia 15, 2 dias após ocorrida. A edição e divulgação de meu texto efetuadas pela direção do site, aliás, ocorreram após a troca do vídeo, uma lástima.

O novo vídeo esclarecia os detalhes que eu cobrava da promotora e que haviam sido omitidos no antigo (ela alega possuir uma ferramenta super high-tech com a qual identificou o criminoso).

Além disso, o novo vídeo mostrava novas imagens das mesmas cenas mostradas pelo delegado, mas sem apresentar a adulteração exposta no vídeo criticado por mim.


As novas imagens das cenas mostravam o horário conforme gravado pela câmera, incompatível com o crime, razão pela qual havia sido adulterado. No vídeo da Globo, um outro horário acrescentado à cena tentava disfarçar o original, compatibilizando a cena com o crime, e incriminando o acusado. Penso que o disfarce do segundo vídeo seja mais facilmente explicável que a adulteração do primeiro (ou menos inexplicável).

Em decorrência da troca do vídeo efetuada pela Globo, excluí o site original onde meu texto foi postado. Cópia dele aparece no final desse.

Para mim, de qualquer modo, o resultado foi péssimo, uma vez que minhas críticas direcionadas ao vídeo trocado pareciam não ter pé nem cabeça. O infortúnio foi agravado pelo título do artigo.

* * *

As alegações apresentadas no novo vídeo tornaram as denúncias mais verossímeis, lançando alguma base sobre suspeitas que sob a apresentação anterior pareciam descabidas.

Certas incongruências na história contada pela polícia, no entanto, continuam saltando aos olhos, vejamos algumas delas.

Conforme versão amplamente divulgada após o crime, o carro de Anderson, o motorista assassinado, foi fechado por outro, e parado junto ao meio-fio esquerdo, transformando-se assim no alvo fixo alvejado pelo atirador que chegava no outro carro.

A versão contada pela polícia omite descaradamente a existência do primeiro carro. Também se divulgou que as imagens do carro do atirador revelavam um terceiro ocupante no bando dianteiro do carro – policiais costumam dar cobertura aos milicianos encarregados de tais ações com o propósito de evitar eventuais prisões em flagrante dos criminosos. Tudo indica a existência de um número maior de participantes na ação, fato que, aliás, contraditaria fortemente a suposta motivação pessoal do crime, por aversão às pautas políticas de Marielle, conforme alegação da polícia.

Também foi amplamente divulgado o sumiço das imagens em torno do local do crime. Quem teria efetuado tal ação?

O matador é especialista no uso de fuzil, enquanto o crime foi cometido com uma submetralhadora.

Conforme denúncia apresentada em O Globo, com riqueza de detalhes, o assassinato teria sido cometido por um bando de matadores conhecido como Escritório do Crime. O assassinato teria custado R$ 200 mil, acrescido de ágio posterior, devido à inusitada repercussão do caso. O jornal oferece detalhes, como os postos dos participantes na PM. Será que a polícia não teve tempo para averiguar tal denúncia?


Por que a imagem da câmera de trânsito foi adulterada?

Como explicar a incompatibilidade do horário da imagem original com o crime?

O que justificou o atraso de um ano para a prisão dos assassinos?

Havia alguém atrapalhando as investigações?

Por que tentaram prender os intocáveis, semanas atrás? Pertencem eles ao escritório do crime?

Quem avisou os intocáveis de que seriam procurados?

Quem avisou os 2 acusados – presos saindo de suas casas às 4:30 h –, de que eles seriam presos?

Por que os 2 presos, acusados pelo assassinato de Marielle, não recebem os tradicionais epítetos atribuídos pelos meios de comunicação aos frequentadores das páginas policiais?

Porque não devassaram a vida dos acusados, comentando, por exemplo, o assassinato de 2 policiais que haviam extorquido 100 toneladas de cocaína, em Vitória, atribuído ao matador?

Veja também:






Gustavo Gollo
No GGN

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários com links NÃO serão aceitos.

Os comentários são de total responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do blog

Comentários anônimos NÃO serão publicados, como também não serão tolerados spams, insultos, discriminação, difamação ou ataques pessoais a quem quer que seja.

É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O blog poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.