20 de mar de 2019

Empresas de Carlos Lima e Rosangela Moro-Zucolotto surgiram pouco antes do acordão de R$ 2,5 bilhões na Lava Jato

Recursos da futura ONG da Lava Jato poderão ser usados para financiar ações sociais, promover cursos, palestras, "formação de lideranças políticas" e outras atividades que possivelmente favorecem sociedades como a de Rosângela Moro e Carlos Zucolotto e o novo escritório de advocacia de Carlos Lima, especializado em "compliance"


Um dos agentes mais combativos e midiáticos da Lava Jato, Carlos Fernando dos Santos Lima está oficialmente aposentado do Ministério Público Federal desde a última segunda-feira (18). Mas seu afastamento da operação ocorreu antes, em 14 de setembro de 2018. Duas semanas depois, em 27 de setembro de 2018, a Petrobras assinou nos Estados Unidos um acordo de “não-acusação” com o Departamento de Justiça (DOJ) americano que resultou no pagamento de uma multa de R$ 2,5 bilhões em solo brasileiro.

Mesmo sob uma enxurrada de críticas, hoje os procuradores de Curitiba travam uma batalha pelo controle de metade desse dinheiro, R$ 1,25 bilhão. A pretensão da equipe de Deltan Dallagnol é injetar esses recursos num fundo patrimonial administrado por uma ONG ou fundação privada sob a influência da Lava Jato.

Se tudo sair conforme o planejamento da “República de Curitiba”, a instituição poderá contratar escritórios de advocacia como o que será inaugurado por Santos Lima. Em entrevista ao Estadão, ele prometeu só não advogar contra o MPF e em ações ligadas à Lava Jato. No ramo de compliance, pretende vender seu know how em forma de palestras e cursos.

Quem também investiu numa empresa de palestras, em sociedade com Carlos Zucolotto e outros advogados, foi a esposa do ex-juiz Sergio Moro, Rosangela Moro.

A HZM2 Cursos e Palestras foi revelada pela Agência Pública em julho de 2018 – cerca de dois meses antes do acordo EUA-Petrobras.

Por ter sido afastado da Lava Jato em 14 de setembro de 2018, o nome de Carlos Lima não aparece no acordo assinado entre Petrobras e MPF, em Curitiba, em janeiro de 2019.


Foi neste acordo de janeiro de 2019 – um desdobramento do termo assinado entre Petrobras-EUA, em 2018 – que a estatal se submeteu ao pagamento de R$ 2,5 bilhões numa conta bancária vinculada à 13ª Vara Federal em Curitiba. Também concordou que metade do dinheiro iria para o fundo da Lava Jato e a outra fatia, para indenização de acionistas brasileiros.

A validade do acordo é questionada pela Procuradoria-Geral da República no Supremo Tribunal Federal, que congelou o dinheiro.

Isto porque, no contrato original entre Petrobras e EUA, consta que o pagamento da multa deveria se dar em benefício das “autoridades brasileiras”, não da força-tarefa do MPF em Curitiba, que escanteou qualquer órgão ligado ao Executivo nas negociações.

No GGN

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