15 de mar de 2019

Embaixadora do Brasil arruma barraco com Jean Wyllys na ONU


Barraco na ONU promovido pela embaixadora do Brasil que se recusou a ouvir a resposta de Jean Wyllys.



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Embaixadora do Brasil na ONU ataca Jean Wyllys em troca de cargo para a filha

A embaixadora do Brasil na ONU, Maria Nazareth Farani Azevedo, surpreendeu o mundo da diplomacia internacional ao agredir verbalmente o ex-deputado Jean Willys numa sessão dentro da organização em Genebra. Numa cena sem precedentes, a diplomata destratou Wyllys, recusou-se a ouvir seus argumentos e ainda saiu dizendo que ele "envergonha o governo".

Wyllys, como se sabe, decidiu sair do Brasil ao considerar que sua vida corria risco diante do regime de ultra-direita no poder. Ele é do mesmo partido da vereadora Marielle Franco, assassinada há um ano e um dia sem que o crime tenha sido esclarecido. Isto apesar da montanha de evidências de que o homicídio foi praticado por milicianos perigosamente próximos da família Bolsonaro.

O episódio assustou mesmo quem tinha alguma proximidade com Azevedo. Era considerada excelente diplomata, foi chefe de gabinete de Celso Amorim, tratada pelos amigos diplomatas de "Lele". É casada com outro excelente diplomata, Roberto Azevedo, diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Mas isto é a parte pública da história, talvez a menos importante para entender o caso. Os subterrâneos explicam o comportamento da "excelente diplomata".

A filha da embaixadora foi nomeada assessora da presidência da EBC --Empresa Brasil de Comunicação-- no governo Temer. Há menos de um mês foi exonerada. Surpreendentemente, há poucos dias foi recontratada. A filha se chama Luisa Farani de Azevedo.

É estilista - dizem as más línguas que trabalha para Michelle Bolsonaro. A primeira nomeação já foi escandalosa. Que diabos uma estilista é nomeada assessora da presidência de uma empresa teoricamente de comunicações?

A segunda, então, nem encontra adjetivo adequado no Houaiss. Foi uma compra pura e simples de subserviência desavergonhada, demonstrada com propriedade no episódio com Jean Wyllys. Veja os documentos:



Todo mundo tem seu preço, costuma-se dizer. Eu diria: todo mundo sem caráter. E o preço é tanto mais baixo quanto menor o caráter daqueles que se põem à venda. E ainda diziam que o PT aparelhava a EBC.

Ricardo Melo é jornalista, presidiu a EBC e integra o Jornalistas pela Democracia

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