2 de mar de 2019

E por que não deixaram Lula ver Vavá?

Xavier: Justiça brasileira e o STF afundam na lama com Bolsonaro

Lula, Dona Marisa e Arthur, na comemoração de 70 anos do ex-Presidente
O Conversa Afiada publica magistral e sereno (sempre!) artigo de seu colUnista exclusivo, Joaquim Xavier:

Não há por que considerar “ato humanitário” excepcional a decisão que permitiu Lula dar o último adeus ao neto. Trata-se de um direito previsto na legislação: respeitá-lo deveria ser a praxe numa democracia de verdade.

O fato torna ainda mais escandalosa e discricionária a maneira como o Judiciário tratou o pedido de Lula para se despedir do seu irmão Vavá. As circunstâncias eram exatamente as mesmas. Os advogados expuseram os mesmos motivos levantados agora. Tudo dentro da lei formalmente em vigor no Brasil.

Viu-se, no entanto, um espetáculo dantesco naquele momento. Juizecos de instâncias inferiores vetaram a ida de Lula ao cemitério. Ignoraram o dispositivo que agora dizem respeitar e impediram o ex-presidente de viajar a São Bernardo. Os próprios números mostraram que milhares de outros presos tiveram e têm garantido esse direito. No caso de Lula, aprendizes de magistrados fabricaram restrições sob encomenda. Alegou-se de tudo, até que não havia transporte.

Tudo sob o olhar cúmplice do Supremo Tribunal Federal.

No episódio, o papel mais pérfido coube ao próprio presidente da corte. Ágil para conceder benefícios a criminosos graúdos, Dias Toffoli retardou ao máximo a decisão final. Ela só veio quando Vavá estava a minutos de ser enterrado. Uma peça de cinismo bem ao estilo dos togados brasileiros contra os adversários do poder.

O paralelo, por comparação, confirma o tamanho da perseguição à Lula. Tudo é feito sem escrúpulos. A ofensiva continua. Ainda outro dia, a defesa de Lula provou que a condenação sobre o sítio de Atibaia reproduzia literalmente trechos da sentença de Sérgio Criminoso Moro no caso do apartamento do Guarujá. Os juizecos nem se dão ao trabalho de ler os processos. Como se tivessem pronto há tempos um formulário condenatório padrão. Basta preencher com o nome de Lula.

Provas? Isso continua não vindo ao caso.

A atual ofensiva contra tucanos não deve iludir muito. Há décadas se conhece a roubalheira de cardeais do PSDB em São Paulo. Os processos, no entanto, nunca andaram no ritmo das falcatruas. Serra, Alckmin, Alô, alô Aloysio, Paulo Preto e tantos outros sempre tiveram licença para roubar nas barbas dos tribunais. Pivô do impeachment golpista contra Dilma Rousseff, o tucanato batia carteiras à vontade. Hoje, quando o partido está em destroços, perdeu muito da utilidade. Antes tarde do que nunca, pode-se pensar. Prefiro ver para crer.

O objetivo do momento é blindar a famiglia Bolsonaro para liquidar a aposentadoria. As evidências de malfeitos são tantas e tão solares que é difícil selecionar a mais grave. Já a disposição de engolir qualquer mentira parece não ter mudado. As desculpas esfarrapadas proliferam para esconder o latifúndio de laranjais do PSL. O depoimento  de Fabrício Queiroz, braço direito do “01” Flávio Bolsonaro, supõe que os brasileiros não passam de idiotas.

Não é bem assim, mas dessa Justiça nativa tudo se pode esperar.

A resistência de Lula frente a tantas provações só engrandece sua biografia e amplia a solidariedade do povo.

A sucessão de tragédias envolvendo sua vida de forma injusta e ilegal só não comove primatas assumidos como o “02” Eduardo Bolsonaro, com seus twiters infames que envergonham até macacos.

O tamanho da gestão Bolsonaro encolhe a cada dia com extrema velocidade - até as pesquisas mostram.


Além do caráter reacionário e destruidor no plano interno, seu prestígio externo escorre pelo ralo da incredulidade. Não é de estranhar que os amigos do peito do ex-capitão mundo afora se resumam a gente como Donald Trump, classificado pelo próprio ex-advogado como “racista, trapaceiro e vigarista”; Benjamin Netanyahu, cada vez mais encrencado em Israel; e o fantoche  Juán Guaidó, “presidente” a quem falta simplesmente um país, só isso, para brincar de títere.

Dize-me com quem andas...

Joaquim Xavier

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