25 de mar. de 2019

Depois do laranja do Serra, Lava Jato/SP chega a Alckmin!

Delação da Odebrecht entuba o Santo e o Careca


Da Fel-lha:

A página virou para a Lava Jato de São Paulo. Após mais de um ano entre idas e vindas em ações relacionadas a Paulo Vieira de Souza, o suspeito de ser operador do PSDB conhecido como Paulo Preto, o foco da força-tarefa será avançar em casos que envolvem outros agentes públicos e políticos.

(...) Nos últimos 30 dias, os procuradores do Ministério Público Federal em São Paulo obtiveram suas maiores vitórias desde a formação da força-tarefa: Paulo Preto, que é ex-diretor da Dersa (estatal paulista de rodovias), foi condenado duas vezes e se tornou réu em uma terceira ação penal.

Agora, o objetivo central é finalizar casos que envolvam grandes montantes de recursos públicos e tenham bom material probatório --o que nem sempre acontece nas narrativas apresentadas por delatores. O inquérito do metrô, o mais abrangente deles, apura supostos desvios nas obras das linhas 2-Verde, 4-Amarela, 5-Lilás e 6-Laranja.

Essas linhas tiveram diversos atrasos em suas construções e nas inaugurações das estações, que resultaram em aditivos contratuais.

O ponto de partida da investigação é a delação da Odebrecht, em que os ex-executivos relatam episódios que teriam acontecido entre 2003 e 2016, durante as gestões tucanas de José Serra e Geraldo Alckmin.

Cinco delatores da empreiteira dizem ter feito repasses a agentes públicos para viabilizar contratos e até liberações de vias públicas para a execução das obras. O principal citado nas delações é Sérgio Brasil, ex-diretor do Metrô.

Em um depoimento que menciona supostos fatos ocorridos em 2003, ex-executivos dizem que esse dinheiro seria usado para obter apoio de políticos do PSDB e DEM e evitar rescisões contratuais.

Além da colaboração da empreiteira, outras delações devem ser usadas pelos procuradores para embasar possíveis denúncias sobre as linhas do metrô.

Não é a primeira vez que essas obras viram alvo de ações. Ano passado, o Ministério Público do Estado apresentou duas denúncias contra Brasil, ambas sob acusação de corrupção passiva por suposto recebimento recursos ilícitos nas obras da Linha 5-Lilás. (...)

Ainda há outros dois casos relacionados a políticos que estão avançados: supostos repasses aos ex-ministros Alexandre Padilha (PT), hoje deputado federal, e Gilberto Kassab (PSD) —mas esses podem sofrer questionamentos sobre onde devem tramitar porque se relacionam com crimes eleitorais.

A coordenadora da Lava Jato em São Paulo, procuradora Anamara Osório, afirma porém que “não existe nenhum elemento de crime eleitoral” nos casos em andamento.

"Ao contrário, trata-se de dinheiro ilícito, entregue sempre de forma oculta ou dissimulada, sempre visando uma contrapartida e que tinha outra destinação que não um gasto em campanha. Isso se chama corrupção e lavagem de dinheiro", diz ela.

Os dois políticos sempre negaram ter cometido irregularidades.

Apesar da mudança de foco, a Lava Jato paulista ainda deve apresentar denúncias a respeito de Paulo Preto, e avalia suspeitas de lavagem de dinheiro.

Outras investigações pesam sobre a Dersa e podem resultar em desdobramentos da Operação Pedra no Caminho, que apurou fraudes durante a gestão Alckmin. (...)

Em tempo: sobre o laranja do Serra, ouça o podcast do Conversa Afiada.

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