1 de mar. de 2019

Caso Ilona Szabó faz Moro virar poodle do Bozo


Convidado por Bolsonaro para dar um tom 'anti-corrupção' no governo e demarcar uma linha institucional de perseguição ao ex-presidente Lula, Sergio Fernando Moro mergulhou na zona obscura do bolsonarismo manipulável, ostentando um discuso flácido e tutelado por pressões de segmentos ultraconservadores. A desnomeação de Ilona Szabó marca em definitivo sua descida de patamar: Moro encolheu e virou funcionário de Bolsonaro. 

O desgaste do ministro da Justiça - que chegou a ser chamado de "super ministro" - é visível não só pelos trending topics no Twitter que debocham de sua subserviência, mas aos gestos e atos do cotidiano incrustado nos interstícios do poder. Moro voltou atrás na sua ex-sólida posição sobre crime de caixa dois, compreensão que, a rigor, serviu apenas para perseguir Lula e ascender a um cargo no Executivo. 

Moro está pressionado. Foi-se por completo a leitura de que ele poderia entrar na linha sucessória de Bolsonaro, representando a 'força' e a 'disciplina judicial'. Seu nome cai, agora, no vazio pantanoso dos ministros exóticos de um governo politicamente moribundo. O ex-juiz faz companhia intelectual a Damares Alves, Ricardo Velez Rodrigues e Ernesto Araújo. 

O refugo na nomeação de Szabó, a rigor, chocou o que lhe restava de credibilidade, ainda que difusa e decorrente de ressentimento e ódio ao PT. Setores da magistratura brasileira, quase que em unanimidade, rechaçaram seu projeto anticrime como um arremedo técnico e uma senha para explosões de violência em um país já tomado pelo caos na segurança pública. 

A carreira política de Sergio Moro entra agora em estado de stand by. Como não é mais um magistrado - uma vez que pediu exoneração da carreira pública para aceitar um cargo político -, resta saber seu destino pós-lambança. 

Numa coisa, Moro obteve sucesso pleno: ele faz parte agora em definitivo do governo Bolsonaro. É, por assim dizer, um bolsonarista de carteirinha.



"O ministro Sérgio Moro me ligou de volta. Dado o clima, eu sabia que o risco existia. O ministro me pediu desculpas. Disse que ele lamentava, mas estava sendo pressionado, porque o presidente Bolsonaro não sustentava a escolha na base dele", contou Ilona Szabó, ao relatar como ficou sabendo da sua exoneração.

Ilona foi convidada por Moro para integrar, como suplente, o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. Mas por conta de suas críticas a política de armas do governo, ela foi desconvidada um dia depois a sua nomeação, após pressão de bolsonaristas e grupos da direita como o MBL.

"Hoje começaram os comentários nas redes sociais. Foi a polêmica do dia. Colocaram a história na rede, e o Movimento Brasil Livre ajudou a reverberar. São grupos que precisam de inimigos, e por isso não estão comprometidos com o debate democrático", afirmou Ilona em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

Na entrevista, a cientista disse que, assim como ela, vários integrantes do Igarapé - instituto que ela fundou - participam de conselhos na área de segurança em vários estados e municípios. "Em geral, ministros e secretários têm toda a liberdade para escolher conselheiros. Tais conselheiros costumam vir de todos os setores, com visões diferentes, diversas maneiras de ver o mundo. Dá trabalho, mas é assim que a gente constrói boas políticas públicas", disse ela, apontando a ingerência anormal do governo Bolsonaro.

Questionada se a sua exoneração poderia ser comparada com o caso de Mozart Araújo, outro nome técnico, que acabou sendo desconvidado do Ministério da Educação por pressão da base de Bolsonaro, Ilona disse que sim.

"Vejo total paralelo. Nos dois casos, ganha a polarização e perde o Brasil", disse. "Ficou muito claro nos dois episódios que o presidente Bolsonaro ainda não se elevou à altura do cargo que ocupa. Um presidente tem que construir diálogos e consensos. Quando ele diz que quem pensa diferente é inimigo, mostra que não está à altura do País. Acho que os brasileiros estão cansados disso. Uma prova é todas as mensagens de apoio que recebi quando decidi ir para o governo, muitas delas de gente que votou contra o Bolsonaro. Os brasileiros querem gente que pense no País, não gente que fica procurando inimigos", completou.











Bolsonaro humilhou Moro

Demissão de Ilona Szabó começou com Olavo de Carvalho

Do Painel da Fel-lha:

(...)

Menor do que entrou

Ao exigir que Sergio Moro (Justiça) desligasse a especialista Ilona Szabó do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, Bolsonaro submeteu o ministro a inédito constrangimento interno. Nem na pasta o episódio foi bem digerido.

Com o fígado

Segundo aliados do presidente, ele demonstrou profunda irritação com a nomeação de Ilona – especialmente depois de ter passado o dia recebendo mensagens com cobranças de apoiadores. A especialista é defensora do desarmamento.

(...)



O despreparo de Moro para suceder Celso de Mello


A História revelará um dia o “acerto” que o então juiz Sérgio Moro, que se apresentava como exemplo de coerência, terá feito com o então candidato Jair Bolsonaro, ao abandonar a magistratura para assumir o ministério da Justiça.

Somente o tempo confirmará a versão de que o magistrado de primeira instância, ao se incorporar a um presidente nitidamente despreparado, intolerante e faccioso, pretendeu pular etapas para chegar rapidamente a um cargo vitalício na mais alta corte do país, o Supremo Tribunal Federal (STF).

A se confirmar tal “acerto”, a Moro está reservada a cadeira do ministro Celso de Mello. Será o primeiro a se aposentar compulsoriamente, aos 75 anos, em novembro de 2020, após 31 anos na corte (ingressou em agosto de 1989). Três décadas em que, independentemente de posições assumidas, construiu carreira digna e coerente, que lhe garante hoje a reputação que desfruta.

Em apenas dois meses de governo, Moro já conseguiu marcar sua nítida diferença de conduta com aquele que supostamente deseja substituir. Afinal, dignidade e reputação se conquistam ao longo de toda uma vida. Celso de Mello, conservador ou não, conquistou-as. Fale-se dele o que se quiser, menos que lhe falta coerência, algo fundamental para atingir a dignidade, a reputação e o respeito.

Celso de Mello reputação construída com carreira digna e coerente
Foto Ascom-STF
Coerência que Moro começou a atropelar ao aceitar um convite de um ainda candidato que ele indubitavelmente ajudava a vencer ao prender seu principal concorrente, através de uma sentença totalmente questionável.

Como ministro da Justiça, em apenas 60 dias, acumulou fatos que demonstram sua despreocupação com a reputação que conquistara entre os seus, atropelando a coerência que se exige daqueles que se apresentam como vestais da moralidade.

Ocorreu com a liberação das quatro armas por residência, que ele antes defendia serem no máximo duas.

Repetiu-se no dito “perdão” ao colega de ministério, Ônyx Lorenzoni, por duas vezes flagrado recorrendo ao Caixa-2.

Voltou a acontecer no seu silêncio diante das provas de movimentações financeiras atípicas em torno do primogênito do presidente, o hoje senador Flávio Bolsonaro.

Silenciou-se ainda ao surgir o “laranjal” que abasteceu as campanhas dos partidários de Bolsonaro, incluindo novamente um colega de ministério, Marcelo Álvaro Antônio, do Turismo.

Como se não bastasse, desmentiu a si mesmo ao se deixar pressionar e retirar do seu projeto de lei a criminalização do “Caixa 2 nas campanhas, bandeira que sempre empunhou ao lidar com os adversários dos seus hoje aliados.

Surge agora o “desconvite” feito na quinta-feira (28/02), à cientista política Ilona Szabó, 24 horas depois de tê-la chamado para compor o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. Ao anunciar a decisão – imposição que os jornais dizem ter lhe sido feita por Bolsonaro -, Moro, como se buscasse uma espécie de remissão, reafirmou publicamente os “relevantes conhecimentos da nomeada na área de segurança pública” que justificaram o convite feito. Sequer escondeu ter cedido à “repercussão negativa em alguns segmentos”. Entenda-se, os bolsonaristas da extrema direita e das redes sociais.

Com esta demissão (ou “desconvite) o suposto guardião moral da República de Curitiba novamente deixou de lado qualquer preocupação com a coerência. Sinalizou claramente que os interesses políticos do grupo ao que se aliou superam a dita preocupação com o futuro do país. Ao mesmo tempo demonstrou que na pasta que comanda, a competência não é o fator primordial. Aderiu ao chamado pensamento único, que não admite, sequer em um conselho, portanto, um colegiado, pessoas com ideias e propostas divergentes.

Definitivamente chancelou a diferença da sua conduta com a do decano do Supremo que, segundo consta, almejaria substituir. Sua atitude nesta quinta-feira rendendo-se às pressões sofridas pela matilha, selou de vez a distância que o separa de uma carreira onde sobressaia a dignidade.

Em posição diametralmente oposta, Mello, na quarta-feira, 20 de fevereiro, ao proferir o já histórico voto a favor da criminalização da homofobia (Homofobia, STF, Bolsonaro, Congresso. E o Lula?), demonstrou seu desprezo ao aplauso fácil em nome da coerência em posicionar-se a favor das minorias. Acentuou, inclusive, ter consciência de que remava contra a maré. Por isso admitiu que seria “inevitavelmente incluído no índex, mantido pelos cultores da intolerância.”

Apesar dessa “convicção”, não abriu mão de seus princípios e posicionamentos, como tem feito o ministro da Justiça. Ao contrário, fez questão de criticar/denunciar aqueles de “mentes sombrias, que rejeitam o pensamento crítico, que repudiam o direito ao dissenso, que ignoram o sentido democrático da alteridade e do pluralismo de ideias, que se apresentam como corifeus e epígonos de sectárias doutrinas fundamentalistas, desconhecem a importância do convívio harmonioso e respeitoso entre visões de mundo antagônicas“.

Exatamente os mesmos que compõem a “matilha” à qual Moro cedeu, nesta quinta-feira. Atitude com a qual demonstrou a sua falta de coragem em manter-se coerente a seus posicionamentos e pensamentos. Exatamente uma das exigências para se conquistar a reputação como a que o decano do STF desfruta.

Gesto suficiente para, em uma sociedade ética, afastá-lo de vez do cargo que almeja. Afinal, demonstrou lhe faltar estofo para substituir o atual ocupante daquela cadeira no plenário do Supremo.

Marcelo Auler



Moro desceu mais uma volta na espiral da humilhação

Quando Bolsonaro anunciou que Moro seria o ministro da Justiça, muitos comentaristas na imprensa diziam que era uma manobra arriscada. Lembro de ter lido e ouvido, mais de uma vez: o presidente não deve nomear alguém que não possa demitir.

Não sei se era só uma maneira de abordar a nomeação de uma maneira que colocasse em segundo plano o escândalo que ela representava ou se era uma constatação autêntica. Mas esse era o discurso.

Com a imagem de herói da Lava Jato, o salvador que manda às favas tanto os escrúpulos quanto as leis para punir os corruptos, Moro seria um mito ao lado do mito. Teria luz própria, teria autonomia. De dentro do governo, poderia entrar em rota de colisão com o próprio Bozo.

Acho que na primeira semana de governo isso se desfez. O intrépido justiceiro de terno preto metamorfoseou-se no garoto de recados do bolsonarismo. Investiga o que o chefe manda, empurra pra debaixo do tapete o que lhe é determinado. Não toma nenhuma iniciativa, está quase escondido. Parece estar só esperando o tempo passar para ganhar sua agradável sinecura no STF, onde se sentirá em casa ao lado de Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Carmen Lúcia e o resto da turma.

O episódio envolvendo Ilona Szabó mostra que Moro desceu mais uma volta na espiral da humilhação. Szabó tem respeitabilidade em sua área de atuação e, por motivos que desconheço e sobre os quais não vou especular, aceitou um cargo bem desimportante (suplente de um conselho de política penitenciária) de um governo que não tem respeitabilidade em área nenhuma. Uma jogada óbvia, mas esperta, de Moro, que mostrava abertura para a sociedade civil e apreço à pluralidade com custo próximo do zero.

Em um governo de obtusos, essa esperteza causou revolta. O outrora poderoso Vychinski de Curitiba desconvidou Szabó em 24 horas, incapaz de resistir a uns tuítes de bolsomínions enfurecidos.

Moro, que antes desprezava olimpicamente a própria Constituição, agora não resiste ao alarido de meia dúzia de fanáticos. Está agarrado a seu cargo como um Bebianno qualquer.




Fim de carreira

Gente, o ex-juiz não tem autonomia para nomear uma SUPLENTE de um cargo de terceiro escalão, no Ministério da Justiça.

Aceitou ser tutelado pela horda de Olavo de Carvalho e pelos escoteiros fascistas do MBL, na esperança de virar ministro do STF, daqui a dois anos.

Vamos ver até onde ele aguenta ser humilhado para realizar esse sonho.

Leandro Fortes

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