23 de mar de 2019

Bolsonaro ou o Brasil, esta é a escolha


O que mais assusta hoje não é ver a grande mídia engajada em defesa da liquidação da aposentadoria e, portanto, de Jair Bolsonaro. Era o esperado. Os arroubos de "oposição" oficial em grande parte limitam-se a críticas aos desvarios do militar no campo dos costumes. Ou então quando se trata de alucinações que ferem o decoro hipócrita dos poderosos.

De fato, Jair já era, Ernesto quem é, Damares de tal, Vélez alguma coisa, Olavo gun são aberrações que nem sequer a desprezível elite local está acostumada a lidar. A praxe é roubar e escravizar o Brasil fingindo que o povo está na direção do paraíso. Apostar na ignorância e desinformação. Esta tem sido a fórmula para tentar conter explosões sociais num país em que a desigualdade e as injustiças pairam acima de tudo.

Assusta mesmo é ver colunistas, articulistas e lideranças políticas ditas de oposição verdadeira, inclusive em portais "independentes", tratarem este governo como legítimo e legal. Está mais do que provado que a famiglia Bolsonaro foi eleita por métodos fraudulentos. Desde a prisão de Lula à manipulação eletrônica descarada, todas as evidências provam que o Planalto caiu nas mãos de malfeitores orientados a eliminar qualquer vestígio de avanço social.

Vale tudo. Milicianos assassinos acobertados e condecorados, embaixadora na ONU humilhando o Brasil para defender o emprego da filha, saldão da soberania nacional em Washington, elogios às ditaduras de Pinochet e Stroessner, apoio à intervenção na Venezuela, liberação de armas, liquidação da aposentadoria. O cardápio é vasto.

Tudo bem que o Brasil passou recentemente por dois impeachments, momentos sempre traumáticos. Embora haja diferenças abissais entre os dois. No primeiro caso, o de Collor, não havia como negar que a presidência tinha se transformado num balcão de negócios particulares do bando do presidente. Já no segundo caso viu-se um golpe sem precedentes contra uma mandatária contra a qual nunca se provou qualquer irregularidade capaz de provocar uma destituição.

Mas os fatos não deixam escolha. O "governo" Jair Bolsonaro prova sua ilegitimidade e ilegalidade a cada dia. O programa que ele vem aplicando não foi sufragado nem pela fraude eleitoral – até porque jamais foi apresentado, com exceção de imagens simulando o império das balas.

As pesquisas, seja qual for o instituto, mostram que a população é contra as privatizações selvagens, as mudanças na aposentadoria, o veto à liberdade na educação, a perseguição às minorias. Ou seja, tudo o que Bolsonaro propõe. Não é à toa que sua popularidade desceu ladeira abaixo em menos de três meses.

As pesquisas não bastam? Pode ser. Mas os atos explicam os fatos, e vice-versa. Aos olhos de todos, veio à tona a acusação de roubalheira orquestrada pela famiglia com assessores legislativos –até agora sem resposta. Ministros encalacrados com a Justiça desfilam com desenvoltura de cidadãos honestos a salvo do indescritível Sérgio Moro. O gabinete de "gente do bem" é uma Torre de Babel de imbecilidades, atrocidades e atentados à honra do povo brasileiro.

Qual a solução? Isto cabe aos políticos. A única inaceitável é tratar este governo como "alternativa democrática". Quanto mais cedo Bolsonaro for embora, melhor para o Brasil.

Ricardo Melo é jornalista, presidiu a EBC e integra o Jornalistas pela Democracia

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