30 de mar. de 2019

Bolsonaro em Israel: uma viagem inútil


Bolsonaro vem aí. Neste domingo chega a Israel para uma curta visita. Na verdade, é um gasto de dinheiro público para nada já que vamos ter eleições para o parlamento dia 9 de abril e, em tese, seu amigo Bibi pode não ser reeleito para primeiro ministro.

Estamos também em meio ao problema de Gaza. As coisas esquentaram novamente depois que um segundo foguete foi lançado contra o centro do país "por engano”. Desta vez tropas e tanques de guerra estão posicionados na fronteira e os ministros de extrema direita querem sangue.

Nem a troca da embaixada de Tel Aviv para Jerusalém ele vai anunciar. Ao que tudo indica vai dizer que o Brasil terá um Escritório Comercial na cidade. Bibi vai ter que se contentar com esta notícia.

Várias manifestações estão sendo agendadas por onde ele passar. Orgulhosamente participo da organização de algumas e posso dizer que além de brasileiros e latino americanos, muitos israelenses vão estar presentes.

Aqui em Israel, aqueles mais politizados sabem da nossa história de uma ditadura militar, da injusta condenação do Presidente Lula, do golpe contra a Presidente Dilma e da desgraçada eleição de Bolsonaro. Até mesmo o assassinato de Marielle é do conhecimento e indignação aqui.

Preciso explicar que em Israel o voto não é obrigatório. O parlamento possui 120 cadeiras e o presidente escuta todos os partidos eleitos em quem eles apoiam para primeiro ministro. Quem tiver recebido 61 ou mais apoios tem a incumbência de tentar formar o governo. Ou seja, nem sempre o partido com mais deputados eleitos formará o governo.

Basicamente existem 4 blocos de afinidades. O primeiro é formado pelos partidos árabes com os quais nenhum partido judaico aceita se coligar. Uns usam a desculpa de que não são sionistas e outros dizem descaradamente por serem árabes.

Temos também os religiosos. Estes partidos costumavam ser o fiel da balança em vários governos e por conta deles, por exemplo, até hoje não temos transporte público aos sábados. Geralmente eles querem a pasta da educação para garantirem dinheiro para as suas escolas. Graças a eles, quem se dedica ao estudo da Torá não precisava servir ao exército. Esta lei está para ser reformada.

Depois temos o bloco da direita e a extrema direita. Este é o bloco liderado pelo Likud, o partido de Bibi, ou do Bibi. Ele é quem carrega o partido nas costas e sem ele podem vir a ser um partido com muito menos representatividade.

Finalmente o bloco de centro e esquerda. A esquerda em Israel, como conhecemos, tem hoje o Meretz com uma representatividade em torno de 5 cadeiras. O centro esquerda é o Avodá, ou o que restou do Partido Trabalhista israelense. Dependendo da pesquisa eleitoral vai receber entre 5 e 10 cadeiras.

Em toda eleição surge um novo partido chamado de centro. Este ano temos o Azul e Branco, o partido dos generais. É incrível como os generais de pijama adoram entrar para a política. Cada partido tem o seu. Seu líder, Beny Gantz é chamado de esquerda pelo Likud e de direita pelo Avodá. Vale tudo por um voto.

As pesquisas de opinião em Israel são um caso a parte. Cada uma mostra números totalmente diferentes uma da outra. Alguns determinados partidos passam a cláusula de barreira em uma pesquisa, em outra não. Partidos ganham e perdem cadeiras diariamente. Percentual de erro de algumas delas é de mais de 4%. Este percentual muda uma eleição.

Atualmente o partido Azul e Branco deve ser aquele mais votado, mas não necessariamente quem vai formar o governo. Hoje teriam junto com os partidos de centro esquerda e esquerda algo em torno de 42 a 48 mandatos. Vão precisar do apoio dos partidos árabes com quem dizem que não conversam e dos religiosos que dizem que não sentam com eles. Isso, antes da abertura das urnas, depois passa a ser uma mesa de negociações.

Bibi teria o apoio natural de toda a direita e dos religiosos. Basicamente é o seu governo de hoje. O problema é que com um número de 61 ou 62 mandatos. Foi por conta deste baixo número de apoio que ele convocou novas eleições.

Alguns falam de um governo de coalizão nacional entre os maiores partidos. No momento eles se acusam uns aos outros de ladrões, traidores, incompetentes, fanáticos etc. Passada a eleição vem a realidade e o desejo do poder costuma falar alto. Meu desafeto de hoje pode ser meu melhor amigo amanhã, afinal a política é a arte de engolir sapos. Tudo é possível.

Sim, comecei este artigo falando do Bozo e preciso acabar informando aos que me leem que na minha opinião a visita dele a Israel é só para ter mais tempo de brincar no Twitter. De prático mesmo não espero nada. Pelo visto a presença, ou ausência dele no Brasil, dá no mesmo. Um inepto na presidência.

Mauro Nadvorny, é Perito em Veracidade e administrador do grupo Resistência Democrática Judaica"

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