11 de mar de 2019

Bolsonaro clama por um impeachment


É no mínimo curioso, mas não existe vivalma nesse país que busque mais por um impeachment do atual presidente do que o próprio ocupante da cadeira.

No largo de seu vasto deserto moral e no alto de sua ignorância galopante, Jair Bolsonaro distribui em doses cavalares motivos e razões para que o seu breve, mas já desastroso mandato, seja cassado.

No desespero para encontrar justificativas que o coloquem na posição de vítima frente às recorrentes denúncias envolvendo corrupção, farra com dinheiro público, inoperância dos seus ministérios e incompetência no diálogo com o Congresso, o twiteiro-mor da nação não só confirma a sua plena incapacidade administrativa como enriquece a sua já longa ficha criminal de crimes cometidos previstos em lei.

Seu último caso de diarreia cerebral evacuada nas redes sociais (daqui a pouco teremos que pontuar data e horário dada a profusão da coisa) o imputa de mais uma vez espalhar Fake News a partir de um diálogo flagrantemente adulterado de uma jornalista.

Não que o seu talento para a discórdia, a mentira e a calúnia tenha se mostrado na presidência como uma novíssima extensão do seu carácter. Difamar e destruir reputações são seguramente as únicas ações que tomou com competência nas suas quase três décadas de perturbação parlamentar.

A questão é que uma vez saído dos esgotos da Câmara dos Deputados onde se escondia para ocupar o cargo de maior representatividade da República, atrai para si, inevitavelmente, a atenção e os holofotes não só da mídia nacional, mas também, para vergonha global, da imprensa internacional.

Mas o problema mesmo é justamente o fato de suas escatologias nauseabundas não se limitarem ao campo do vexame. O que Bolsonaro faz na prática é algo que a PGR, por dever funcional, tem de denunciar junto ao STF.

Se por um lado a divulgação de pornografia em redes oficiais por um chefe de Estado quebre o decoro da função, utilizar-se de uma gravação fraudada para provocar o linchamento virtual de uma profissional recai no direto penal propriamente dito.

A ninguém, e muito menos ao presidente da República, é permitido o uso de expediente tão baixo e ilegal para provocar indevido descrédito não só a profissionais da mídia, quanto, e sobretudo, à própria liberdade de imprensa.

E é por isso mesmo, por seus atos de claro constrangimento aos mais básicos pilares da democracia que a sua desvairada atuação na presidência da República deve ser interrompida o mais brevemente possível.

Não só por força da lei, mas também para a manutenção do que ainda restou de dignidade e respeito do cargo que, pela estupidez de muitos, ora se esvai.

Carlos Fernandes
No DCM

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