21 de fev de 2019

Venezuela envia tanques de guerra e soldados à fronteira com Brasil

Em ajuda humanitária que começa este sábado, Brasil também estaria se preparando para possível conflito militar


Após o governo de Jair Bolsonaro assumir uma operação coordenada com os Estados Unidos contra o governo de Nicolás Maduro e favorável ao líder opositor Juan Guaidó, e permitir o uso do território brasileiro na fronteira com a Venezuela para o envio de apoio aos opositores, Maduro determinou o envio de tanques de guerra na fronteira com o Brasil.

A operação iniciada pelos Estados Unidos, país que foi um dos primeiros a rechaçar o comando de Maduro na Venezuela, contou com a palavra de apoio do Brasil, pelo governo Bolsonaro. Publicamente, ambos os países anunciaram que iriam levar ajuda humanitária aos opositores no dia 23 de fevereiro, este sábado.

O porta-voz da Presidência da República, Otávio do Rêgo Barros, afirmou nesta terça (19) que Bolsonaro determinou o “apoio logístico” para que caminhões conduzidos por venezuelanos da oposição, liderados por Guaidó, busquem mantimentos em duas cidades de Roraima, Boa Vista e Pacaraima, que fazem fronteira com o país.


O governo brasileiro assumiu a responsabilidade própria de enviar produtos a postos nestas duas cidades. É a primeira vez que o Brasil se envolve de maneira contundente na crise política do país, após considerar Maduro um presidente “ilegítimo”.

“O governo brasileiro está mobilizando uma força-tarefa interministerial para definir a logística da prestação de ajuda humanitária ao povo venezuelano, a partir de 23 de fevereiro, atendendo a um apelo do presidente Juan Guaidó”, disse o porta-voz de Bolsonaro, na última terça.

Apesar de ser o Brasil o que irá colocar a ação em prática, por fazer divisa com a Venezuela, a operação está sendo calculada e coordenada pelos Estados Unidos. Por isso, para além de uma simples “ajuda humanitária”, trata-se de uma medida combatente contra o governo de Nicolás Maduro no país latino-americano.

Guaidó é o líder opositor, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, que se autodeclarou presidente interino do país em meio à crise política, e seu anúncio foi acatado pelos Estados Unidos, Chile, Brasil, Colômbia, entre outros países do continente.

O porta-voz de Bolsonaro havia explicado que alimentos e medicamentos seriam disponibilizados no território brasileiro, nas cidades que fazem fronteira com o país, para que caminhões liderados pela oposição e por Guaidó possam retirar.

Entretanto, a ajuda humanitária dentro do território brasileiro poderá ter consequências negativas: Maduro anunciou que tentará impedir o recolhimento desses produtos pelos caminhões dos opositores.

Para isso, já enviou tropas e veículos militares para a fronteira com o Brasil. Os tanques de guerra já passaram por Santa Elena, cidade venezuelana que fica a 15 quilômetros de Roraima.

De acordo com reportagem do Uol, fontes ouvidas pelo site afirmaram que o resultado dessa ação do Brasil poderá ocasionar uma “ação militar” de confronto: “É claro que não será dito isso publicamente, mas a verdade é que o Brasil está preparado para tudo, inclusive para uma eventual ação militar”, teria dito a fonte.

Patrícia Faermann
No GGN

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