12 de fev de 2019

Tucano Beto Richa e mais 9 são denunciados por corrupção


Eles são acusados de esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa na concessão de rodovias no Paraná

O juiz substituto federal da 23ª Vara Federal de Curitiba, Paulo Sergio Ribeiro, acatou denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra Beto Richa, ex-governador do Paraná, e mais nove pessoas. Eles são acusados de esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa na concessão de rodovias do Anel de Integração do Paraná.

A Operação Integração, que foi deflagrada em fevereiro de 2018, investigou o suposto esquema. Na investigação, o MPF e a Polícia Federal identificaram indícios de “diversos fatos criminosos relacionados a esquema de corrupção irrigado pelo suposto superfaturamento na cobrança dos pedágios nas rodovias públicas federais concedidas às empresas concessionárias”. 

A estimativa é de que, entre 1999 e janeiro de 2018, as concessionárias pagaram cerca de R$ 35 milhões em propina aos agentes públicos que as serviram em seus interesses. Beto Richa, pelas suspeitas levantadas, já tinha sido preso no último dia 25, e foi solto logo depois por decisão do presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro João Otávio de Noronha.

As informações que levaram o MPF a denunciar o grupo foram obtidas a partir dos depoimentos do ex-diretor do Departamento de Estradas e Rodagens do Estado do Paraná, Nelson Leal Júnior, do ex-presidente da Econorte, Hélio Ogama, e do executivo da Econorte, Hogo Ono. Os três assinaram acordos de delação coma Justiça em busca de redução de penas.

O juiz federal considerou que as provas eram robustas, e que os autos apresentam indícios suficientes da participação de cada um dos investigados, além de documentos que comprovam a prática de atos supostamente ilegais. Além disso, com autorização judicial de quebras de sigilo bancário, fiscal, telemática e telefônica, também foram suficientes, e mais laudos periciais.

De acordo com o MPF, o suposto esquema era baseado em quatro núcleos. O núcleo político, para influenciar a decisão do governo estadual de prorrogar contratos e beneficiar as empresas concessionárias de pedágios com outras medidas. O núcleo técnico, com diretores do DER e Agência Reguladora do Paraná nomeadas por agentes políticos e outros servidores públicos, que executavam as medidas para, supostamente, favorecer as concessionárias investigadas.

Tem ainda o núcleo dos administradores, formado por empresários ligados às concessionárias Econorte, Viapar, Ecovias, Ecocataratas, Rodonorte e Caminhos do Paraná que, de acordo com o MPF, negociavam com os agentes corruptos. E, por último, o núcleo de intermediadores, com representantes de várias empresas que, segundo o MPF, eram contratadas pelas concessionárias com o propósito de ‘lavar’ o dinheiro do esquema.

Segundo o MPF, os valores serviam para financiar campanhas políticas e também para benefício próprio dos envolvidos.

Além da denúncia contra o ex-governador Beto Richa, o juiz também tornou réu o irmão do político, José Richa Filho, e mais oito investigados: Aldair Wanderlei Petry; Antônio Carlos Cabral de Queiroz; Deonilson Roldo; Ezequias Moreira Rodrigues; Maurício Eduardo Sá de Ferrante; Nelson Leal Júnior; Jose Alfredo Gomes Stratmann e Ricardo Rached.

Lourdes Nassif
No GGN

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