27 de fev de 2019

Toga alugada


A constatação de que a juíza Gabriela Hardt copiou a sentença de Sérgio Moro para condenar o ex-presidente Lula, naquela patacoada do sítio de Atibaia, é reveladora do nível de amadorismo do Judiciário brasileiro – para não falar dos níveis de crueldade e ódio de classe envolvidos.

Quando uma juíza federal se dá ao desfrute de usar o mesmo arquivo digital de outra sentença para, sem nenhum pudor, copiar e colar trechos inteiros escritos por seu ídolo da Lava Jato, pouco importa se lá na ponta está Lula ou Dona Celeste da Quitanda: é o Estado de Direito, em si, que está sendo vilipendiado.

Autora da frase seminal "se o senhor começar nesse tom comigo a gente vai ter problema", Dra. Gabriela logo caiu nas graças da alcateia hidrófoba do antipetismo, não sem algum prazer, o que talvez tenha lhe dado essa sensação plena de impunidade penal e histórica.

Foi pega, quem diria, pelo Ministério Público Federal, parceiro de lutas da Lava Jato, primeiro, em um erro grotesco: a juíza, simplesmente, condenou Lula pelo crime errado, corrupção ativa, embora a denúncia do MP tenha sido por corrupção passiva.

Além disso, vale lembrar, Gabriela Hardt citou dois delatores no processo, Leo Pinheiro e José Adelmário, como se fossem pessoas diferentes, sem saber que o primeiro nome era o apelido do segundo. Ou seja, leu os autos sem nenhuma atenção, isso se chegou a lê-los.

Em meio a esse delírio copia-e-cola, foi encontrado um trecho da sentença com referência a um "apartamento", obviamente, retirado do texto original da sentença de Moro, que dizia respeito ao tríplex do Guarujá, e não ao sítio de Atibaia.

São motivos para anulação imediata da sentença e afastamento sumário da magistrada. Mas, no Brasil de hoje, é mais provável que ela receba o Prêmio Faz Diferença, do Grupo Globo.

Leandro Fortes, Jornalista e integrante da Rede de Jornalistas pela Democracia

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