11 de fev de 2019

Sou uma das filhas adotivas da Damares, diz Sara Winter em vídeo sobre cargo na Secretaria da Mulher


"Todos sabem que sou muito próxima da ministra Damares Alves, sou uma das suas filhas adotivas, mas é muito importante dizer que o governo Bolsonaro não tem nenhum tipo de facilitador para amigos, família, para nada"

Na parede que faz fundo à gravação de um vídeo que percorreu as redes sociais em busca de votos para Sara Winter – então candidata a deputada federal pelo PSL do Rio de Janeiro -, uma bandeira do Brasil hasteada. Nela, a imagem de um recém-nascido ocupa a área a azul e no lugar de “Ordem e Progresso”, as palavras: “Brasil Sem Aborto – Brasil Sem Drogas”. Damares Alves abraça a ex-feminista e diz: “Sara é mais que minha companheira na luta pela vida e pela família. Sara é como se fosse minha filha.”

Emocionada porque a mentora acabara de receber o cargo de ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos do governo Bolsonaro, Sara encheu a boca e repisou: “Damares Alves é minha mãe. A primeira pessoa que me apoiou quando eu nem pensava em voltar para a Igreja, quando eu estava pensando em deixar de ser feminista.”

Ex-assessora jurídica da Frente Parlamentar Evangélica, Damares “salvou” Sara do feminismo e colocou a jovem para trabalhar informalmente no gabinete de Magno Malta durante alguns meses, para que ela pudesse aprender as pautas conservadoras que hoje movem políticos e partidos da extrema-direita.

Sara saiu do gabinete para os auditórios de universidades internacionais e outras instituições que ainda hoje a contratam para ministrar palestras sobre a ideologia de gênero nas escolas, o perigo do feminismo para a mulher religiosa, etc.

Desde que Damares passou a circular em Brasília já investida no cargo, a jovem de 26 anos, estudante de Relações Internacionais, publica no Instagram fotos e vídeos que denotam a proximidade entre as duas.

Quando Damares concedeu entrevista à GloboNews no dia da polêmica “menino veste azul e menina veste rosa”, Sara, por exemplo, estava nos bastidores, fazendo a maquiagem da pastora. Nas semanas seguintes, almoçou com a ministra e outras funcionárias do Ministério, num “bandejão com as amigas”.

Depois de algumas semanas nesse ritmo, Sara admite que os jornais estavam certos: ela deve ganhar um cargo na Secretaria Nacional da Mulher, mas não a titularidade da Pasta, ao contrário do que divulgaram alguns portais.

O posto pleiteado foi o de “coordenadora de políticas públicas para a maternidade”, para o qual, diz em vídeo divulgado nesta segunda (11), Sara se sente completamente capacidade.

Mais do que isso: a indicação – ainda não há nomeação no Diário Oficial da União – não vem por “amizade” com a ministra, mas por mérito. “Aqui [no governo Bolsonaro] a amizade não importa, o status não importa. O que importa é o currículo, experiência. Tô começando debaixo, tenho 26 anos, falo 3 idiomas”, justificou.

“Todos sabem que sou muito próxima da ministra Damares Alves, sou uma das suas filhas adotivas, mas é muito importante dizer que o governo Bolsonaro não tem nenhum tipo de facilitador para amigos, família, para nada.”

“Meu lugar no governo, se tudo der certo, não tem a ver de indicações, até porque meu cargo é pequenininho, não é nada demais, porque é de acordo com aquilo que eu sou. Eu me formo em Relações Internacionais agora no meio do ano, estou ficando louca com meu TCC [sobre “a intromissão dos organismos internacionais na soberania do Brasil com relação à legislação pró-aborto]. Estou fazendo especialização em crimes na administração pública. Minha pós-graduação vai ser em gestão pública e vou engatar uma segunda graduação, que vai ser Direito.” A ativista quer ser “criminalista ou constitucionalista”, ainda não sabe.



Sobre os planos para a coordenadoria de políticas para a maternidade, Sara Winter, mesmo sem cargo oficial, já adiantou alguns pontos no vídeo. O destaque fica para uma política de assistência à mulher que decidir não fazer um aborto.



Cíntia Alves
No GGN

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