14 de fev. de 2019

Precisamos do Barão e o Barão precisa de nós


Em 10 de maio de 2019, o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé completa nove anos.

Mais do que nunca, ele precisa de todos comprometidos com a democracia e a liberdade de informação e de expressão: jornalistas, blogueiros, ativistas digitais, artistas, movimentos sociais, entidades da sociedade civil.

Em 24 de novembro do ano passado, o Barão de Itararé lançou campanha para arrecadar R$ 50 mil, que serão usados para cobrir as despesas de aluguel e manutenção da sede durante 2019.

A campanha termina em 10 dias – precisamente 24 de fevereiro às 23h59min.

Porém, até agora só atingiu 62% da meta.

Às 9h45 desta quarta-feira, 14/02, havia apurado R$ 31.135.

Faltam ainda R$ 18.865.

E sem esses recursos o Barão de Itararé corre o risco de fechar as portas.

Em qualquer período isso seria péssimo para todos nós.

Em tempos bicudos como os que vivemos é trágico.

Quem viveu o outubro de 1975 sabe o quanto o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo foi vital na luta que se seguiu ao assassinato do jornalista Vladimir Herzog, o Vlado, num dos porões da ditadura militar,  o DOI-CODI paulista.

Mais do que nunca, portanto, precisamos manter o Barão de Itararé aberto.

Questão de resistência e sobrevivência.

É pela democracia, é por nós todos.

Se você ainda não colaborou, faça-o agora, não deixe para depois.

Se já contribuiu, tente convencer um amigo, parente, a fazer o mesmo.


Se ainda tem alguma dúvida, acompanhe a nossa entrevista com o jornalista e blogueiro Altamiro Borges, o Miro, presidente do Barão de Itararé.

Viomundo – Miro, como o Barão se manteve nesses oito anos de existência?

Altamiro Borges – Desde o seu nascimento, em 2010, o Barão tem basicamente cinco fontes de financiamento.

Uma primeira fonte são os chamados “amigos do Barão”: pessoas físicas ou jurídicas,  como entidades sindicais e do movimento social, que contribuem mensalmente com a entidade.

Tem gente que vai à sede para doar R$ 30,00 todo mês. É muito bonito!

Uma segunda fonte são os eventos. O Barão realiza muitos debates, seminários, cursos e cobra por eles – mesmo que sejam valores pequenos.

Há ainda a edição de livros. Já publicamos vários e eles são vendidos e rendem uma grana.

Nos últimos anos, conseguimos algumas publicidades de prefeituras, governos estaduais e entidades sindicais ou do movimento social.

E tínhamos, ainda, patrocínio do governo federal para alguns eventos, como os encontros nacionais de blogueiros e ativistas digitais.

Essa fonte, por razões óbvias, não existe mais. Logo após o golpe que derrubou a presidenta Dilma, em 2016, uma das primeiras medidas do Judas Michel Temer foi exatamente cortar dois patrocínios já contratados e executados para o encontro de blogueiros, realizado em Belo Horizonte.

—  O Barão nunca fez uma campanha nos moldes desta agora. O que aconteceu para isso ser necessário?

— A situação no país está muito difícil para os movimentos sociais e as entidades que lutam por democracia.

Com o golpe de 2016, que levou ao poder a quadrilha de Michel Temer e criou as condições para a ascensão do fascismo e a eleição do miliciano Jair Bolsonaro, o cenário ficou muito adverso. Inclusive do ponto de vista da estrutura.

O movimento sindical, com a “deforma trabalhista”, foi asfixiado financeiramente. Ele dava importante ajuda ao Barão de Itararé.

Houve, como já disse, o fim de qualquer patrocínio do governo federal, o que era totalmente legítimo — afinal, é grana dos nossos impostos.

A própria crise econômica, com a explosão do desemprego e a acentuada queda da renda, dificulta a realização de atividades.

Ou seja, o que aconteceu é que a vida ficou mais difícil. Mas a gente é teimoso e não desiste.

— Para que esses 50 mil reais são necessários?

— Como diz na apresentação do Catarse, essa grana garante basicamente a manutenção da sede da entidade em São Paulo. Banca aluguel, condomínio, conta de luz e água, gastos de internet.

— Tem gente que talvez diga: "ah, mas é só uma sede, as pessoas podem ser reunir em outros lugares e o Barão vai continuar existindo enquanto entidade".

— De fato, se não conseguirmos manter a sede, o Barão seguirá existindo. Vamos tocar a vida. Ocorre que a sede virou uma referência de amplitude e pluralidade.

É local de reunião, encontro, festa, de jornalistas, blogueiros, ativistas dos movimentos sociais, artistas –, enfim de uma vasta fauna.

Aqui, são feitos inúmeros debates, cursos, seminários. Serve de ponto de encontro de vários movimentos sociais. Seria uma derrota o fechamento da sede. Não vamos deixar que isso ocorra.

— Nesses oito anos que momentos marcantes do Barão você destacaria?

— Acho que tivemos vários momentos marcantes, emocionantes.

As primeiras reuniões de organização do movimento dos blogueiros progressistas, o chamada blogprog, já ficaram para história.

Ocorreram em 2010, logo após a fundação do Barão e por proposta do Azenha.

Foram momentos ricos, hilários, de muito companheirismo e unidade, apesar da enorme diversidade. Era uma zona. Ninguém concordava com quase nada, mas todos estavam dispostos a montar o blogprog, a questionar a mídia monopolista e manipuladora, a fortalecer a nova blogosfera progressista.

O que temos até hoje nasceu naqueles encontros intensos, estridentes, alegres, pulsantes.

A sede também já teve seu momento pop, com a visita e debate do Pepe Mujica e a palestra do Noam Chomsky. A ex-presidenta Dilma também esteve conosco.

Isso sem falar no ex-presidente Lula, que sempre apoiou as iniciativas do Barão, como o IV Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas e Ativistas Digitais,  em maio de 2014, em São Paulo, e  do qual ele participou.

Foram vários momentos. Cito só estes.

– Embora todo afável, sempre sorrindo, você faz o estilo durão: homem não chora (rsrs). Algum momento o comoveu mais?

– Que nada. Não tenho nada de durão. Choro bastante.

Procuro racionalizar as coisas, mas sou muito emotivo. Alguém outro dia assistiu a alguns vídeos dos encontros de blogueiros e disse que me viu com lágrimas nos olhos várias vezes.

De fato, todos os encerramentos dos encontros – e já foram sete – foram carregados de emoção.

Não é fácil juntar gente de vários estados, de diversas origens e tantas opiniões diferentes.

É um empreendimento que envolve muito esforço, muita paciência, muita gente com enorme talento, energia e dedicação.

Também foram ricos, emocionantes, os vários seminários, como o realizado no Maranhão e o em Maricá, sobre os desafios da comunicação nas administrações públicas.

PS de Conceição Lemes: A propósito, o Barão de Itararé fica na mesma rua do Sindicato dos Jornalistas, a Rego Freitas, e mesmo lado da calçada.


A outra coincidência da vida: a Laerte e eu somos da mesma turma de ECAUSP. Salve, Laerte! bj

No Viomundo

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