6 de fev de 2019

Por que Moro assinou exoneração de Alvaro Antonio e não as demais?


Tem caroço debaixo do angu da exoneração e do depois “não era bem isso”  com a exoneração do ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antonio, do PSL.

E a ponta do caroço é o fato de que as outras três exonerações de ministros para tomarem posse no mandato de deputado federal tiveram a assinatura solitária de Jair Bolsonaro, a única necessária, aliás.

A de Marcelo teve o privilégio de contar, também, com a de Sérgio Moro, o ex-vigia da moralidade, justo no momento em que o colega era acusado de desviar verbas eleitorais.

Como dizia aquele velho bordão: “nada é fruto do acaso”.

Para quem não acredita, os atos de exoneração dos outros ministros para tomarem posse na Câmara vai abaixo, na primeira página do Diário Oficial da União do dia 1° de fevereiro.


Fernando Brito
No Tijolaço



Em ato assinado por Moro, Bolsonaro exonera ministro do Turismo

Onyx Lorenzoni diz que Marcelo Álvaro retornará ao posto após assumir mandato de deputado

O presidente Jair Bolsonaro, em ato assinado em conjunto com o ministro Sergio Moro (Justiça), exonerou Marcelo Álvaro Antônio (PSL) do cargo de ministro do Turismo. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (6).

Em entrevista à coluna Mônica Bergamo, da Folha, o ministro afirmou que, apesar de exonerado, seguirá no comando da pasta. "Eu volto ao cargo amanhã", afirma ele.

"Tive que ser exonerado apenas para tomar posse como deputado federal, como exige a lei. Depois disso, devo ser renomeado", disse. Ele afirma ainda que fez uma "pequena cirurgia" e ficou de licença médica por 12 dias, o que o impediu de assumir o cargo no dia 1º de fevereiro.

Segundo a Casa Civil da Presidência, é praxe o ministro da Justiça assinar atos dessa natureza. Moro, no entanto, não assinou as exonerações de outros ministros que deixaram os cargos para tomarem posse na Câmara na semana passada.

A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) deu parabéns a Bolsonaro pela exoneração do ministro, em sua rede social. "[A exoneração] é a atitude correta, inclusive para que o ex-ministro cuide de sua defesa sem que os trabalhos no ministério fiquem prejudicados. Parabéns, Presidente!"

Na última segunda-feira (4), reportagem da Folha revelou que o ministro do Turismo de Bolsonaro, o deputado federal mais votado em Minas, patrocinou um esquema de candidaturas laranjas no estado que direcionou verbas públicas de campanha para empresas ligadas ao seu gabinete na Câmara.

Após indicação do PSL de Minas, presidido à época pelo próprio Álvaro Antônio, o comando nacional do partido do presidente Jair Bolsonaro repassou R$ 279 mil a quatro candidatas. O valor representa o percentual mínimo exigido pela Justiça Eleitoral (30%) para destinação do fundo eleitoral a mulheres candidatas.

Apesar de figurar entre os 20 candidatos do PSL no país que mais receberam dinheiro público, essas quatro mulheres tiveram desempenho insignificante. Juntas, receberam pouco mais de 2.000 votos, em um indicativo de candidaturas de fachada, em que há simulação de alguns atos reais de campanha, mas não empenho efetivo na busca de votos.

Ainda na segunda-feira, após a reportagem da Folha, o vice-presidente, general Hamilton Mourão, afirmou que o caso deve ser investigado. Segundo ele, se os órgãos de investigação confirmarem a existência da irregularidade em relação ao ministro, trata-se de uma denúncia grave. ​

Sobre o teor da reportagem, o ministro Marcelo Álvaro Antônio afirmou, por meio da assessoria, que “a distribuição do fundo partidário do PSL de Minas Gerais cumpriu rigorosamente o que determina a lei” e que “refuta veementemente a suposição com base em premissas falsas de que houve simulação de campanha com laranjas no partido.”

Ministro bancou com dinheiro público esquema de laranjas na eleição

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No Folha

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