15 de fev de 2019

País sofre derrota dupla com a manutenção de Bebianno no Governo

Bebianno e Bolsonaro; suspeita de corrupção e ambiente tóxico

(Atualizando: O presidente Jair Bolsonaro (PSL) decidiu exonerar nesta sexta-feira (15) o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gustavo Bebianno. 

Bolsonaro optou por demitir Bebianno após uma reunião com outros ministros. A decisão será publicada no Diário Oficial da União desta próxima segunda-feira (18) e ocorre depois que Bebianno vazou áudios privados de Bolsonaro para veículos de imprensa.)

Bebianno havia afirmou ainda nesta sexta que não sabia se continuaria no cargo ou não. Além disso, deixou claro que não havia nenhum tipo de crise envolvendo ele e o presidente.

O ex-presidente Fernando Henrique foi ao Twitter na manhã desta sexta para falar sobre os primeiros 45 dias do governo Bolsonaro.

“Início de governo é desordenado”, escreveu. “O atual está abusando”.

Abusando e mais um pouco.

O que Jair Bolsonaro está conseguindo é um fato inédito no mundo: colocar um país inteiro para defender um suspeito de grossa corrupção como o secretário-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno.

Segundo a Folha, Bebianno autorizou o repasse de R$ 250 mil do fundo eleitoral para a candidatura de uma ex-assessora — esta, por sua vez, justificou o uso de parte deste dinheiro com notas fiscais de uma gráfica que seria de fachada.

O secretário-Geral da Presidência também teria autorizado os repasses de R$ 400 mil para uma suposta candidata laranja apoiada pelo atual presidente nacional do PSL e deputado federal por Pernambuco, Luciano Bivar.

Nada disso, porém, incomodou mais a opinião pública e o meio político que a forma atrapalhada e truculenta como o presidente lidou com as denúncias.

Do leito do hospital, tramou com o filho Carlos uma operação Tabajara para fritar o subordinado e forçar a sua demissão.

Bebianno fez como Paulo Preto, em São Paulo, quando o ex-diretor da Dersa se viu abandonado por Serra por conta das denúncias de desvio de recursos da estatal e transferência para a Suíça.

“Não se larga um líder ferido na estrada a troco de nada”, ameaçou o ex operador tucano. “Não cometam esse erro”.

Se funcionou com Paulo Preto, por que haveria de ser diferente com Bebianno?

Bastaram duas ou três ameaças de contar tudo o que sabe para que o capitão da reserva decidisse, entre Carlos, o filho, e o auxiliar, quem seguiria dando as cartas no Planalto.

Bebianno venceu, mas o Brasil perdeu duas vezes.

Porque a manutenção de um suspeito de corrupção dentro do núcleo duro do poder é tão nociva quanto o ambiente tóxico imposto ao país por Bolsonaro e seus filhos.

José Cássio
No DCM

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