9 de fev. de 2019

Orleans e Bragança, o príncipe do PSL que gosta de dar lição de moral, não fala sobre rolos em sua empresa

Ele e seu livro
O príncipe Luiz Philippe de Orleans e Bragança é trineto da Princesa Isabel e tetraneto do ex-imperador Dom Pedro II. Com quase 50 anos, que completará em 3 de abril, ele teve 118.457 mil votos e foi eleito deputado federal pelo PSL.

Além de herdeiro da família reinou no Brasil após a independência, Luiz Philippe se descreve como empresário e ativista. Ele é formado em administração pela FAAP, tem mestrado em ciência política por Stanford e tem um MBA no INSEAD, uma das principais escolas de negócios da França. Fez carreira no mercado financeiro.

Ele fez parte do planejamento financeiro da Saint-Gobain, multinacional francesa, entre 1993 e 1996. Depois trabalhou por três anos no banco de investimentos JP Morgan em Londres e no banco de investimento do Lázard Freres em Nova Iorque. Nos anos 2000, o príncipe foi diretor de desenvolvimento de negócios da America Online (AOL) na América Latina, com sede no Brasil.

Em 2012, Luiz Philippe criou a ZAP Tech, uma incubadora de meios de pagamento para plataformas mobile. Dois anos depois, iniciou sua carreira política.

O príncipe fundou em 2014 o movimento liberal Acorda Brasil. A partir do ano seguinte, com o aumento das mobilizações pelo impeachment de Dilma Rousseff, ele se filiou ao Partido Novo, de João Amoêdo. Saiu em 2018 para entrar no PSL de Bolsonaro e se elegeu deputado.

Segundo o jornal O Globo, por um atraso de duas horas, o príncipe não foi escolhido como vice de Jair Bolsonaro. Janaína Paschoal, recordista de votos na Assembleia Legislativa de São Paulo, declinou e o general Hamilton Mourão, do PRTB de Levy Fidelix, acabou levando.

Mas há uma história no meio desse caminho que incomodou profundamente o príncipe  Luiz Philippe antes do seu ingresso na política.

Ele se tornou empreendedor ao fundar uma empresa chamada Ikat do Brasil Comércio Importação e Exportação LTDA. A companhia iniciou suas atividades em 14 de agosto de 1998.

A empresa trabalhava com “comércio por atacado de peças e acessórios novos para veículos automotores, motocicletas e motonetas”. Todas essas informações constam na Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP).

O capital inicial da empresa era de R$ 5 mil. Em 19 de setembro de 2006, o capital foi alterado para R$ 60 mil, com participação de R$ 30 mil de Luiz Philippe. Os outros R$ 30 mil tinham participação de Eudes de Orleans e Bragança, pai do príncipe, que ficou na companhia até 2007.

O capital subiu para R$ 300 mil em 2009. No dia 18 de julho de 2014, Luiz Philippe saiu da sociedade, com participação societária equivalente de R$ 270 mil. Entraram na empresa Luiz Antonio Pimentel e Grazielita da Silva Lima. A empresa foi dissolvida em 22 de agosto daquele ano.

Fontes próximas ao príncipe deram uma informação exclusiva ao DCM sobre a Ikat e Luiz Philippe. Ele teria deixado o comando formal da empresa depois da abertura de uma investigação por contrabando de motopeças, notas fiscais frias e irregularidades com o Fisco. Fez isso vendendo a empresa para os seus funcionários naquele período.

Segundo essas mesmas pessoas, ele tinha pânico que revirassem a companhia na disputa eleitoral. Por isso, hesitou muito antes de se tornar candidato a deputado.

A Ikat tem um processo de execução de 22 de outubro de 2013 por dívida no TRF-3. O responsável pela ação foi o procurador Frederico de Santana Vieira, da Fazenda Nacional em São Paulo.

O processo foi extinto por quitação da obrigação, o que revela o reconhecimento de que, se havia algo errado, ele sanou — no Brasil, em casos de sonegação, o pagamento livra o devedor de qualquer risco quando paga o tributo, mesmo que seja depois de iniciado o processo.

Numa reportagem da revista Época, durante jantar em seu apartamento alugado no bairro dos Jardins, em São Paulo, Luiz Philippe confidenciou ao repórter que ele era a pessoa dentro do PSL por trás da ideia de uma “nova Constituição formada por notáveis”.

Sua ideia, verbalizada pelo general Hamilton Mourão, é fazer uma Carta Magna diferente da de 1988: “não populista” e que “descentraliza” e “estabiliza” os Três Poderes. Para isso, seria necessário, nas palavras do próprio príncipe, “catequizar” a população em torno dessa nova proposta.

Ele também chama a Proclamação da República de 1889 de “verdadeiro golpe militar”. Lançou um livro chamado “Por que o Brasil é um país tão atrasado” em 2017. É um crítico ferrenho do “inchaço do Estado” e entusiasta da privatização como solução de problemas.

No entanto, em nenhuma das entrevistas recentes, ele cita seus negócios com a Ikat que envolveram sua família. Nem para explicar como a empresa foi seu primeiro negócio, nem para desmentir histórias que circulam a respeito dela.

O DCM entrou em contato com assessores do príncipe — e agora deputado — em São Paulo e Brasília, para esclarecer a história de sua empresa e o motivo para ele tê-la abandonado.

Sua assessoria se comprometeu a enviar respostas, mas até agora nada. O espaço segue aberto para manifestações do parlamentar do PSL, herdeiro da família real no Brasil.

Pedro Zambarda
No DCM

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