13 de fev de 2019

Olavo de Carvalho, Steve Bannon, propagandistas ideológicos apenas

Salvo engano, penso que estão tratando indevidamente Olavo de Carvalho. Ele não é intelectual. É, como Steve Bannon, propagandista ideológico de extrema-direita


Salvo engano, penso que estão tratando indevidamente Olavo de Carvalho. Ele não é intelectual. É, como Steve Bannon, propagandista ideológico de extrema-direita. E da pior espécie, tributários que ambos são de Goebbels pela direita e pela esquerda do propagandista que maquiava fotografias oficiais da revolução soviética apagando os opositores a Stalin – não sei neste caso a conta deve ser debitada ao próprio Stalin. O negócio deles não é do terreno da razão. É totalmente voltado para a manipulação de emoções através da deturpação de fatos, difamação, desinformação e mentiras em benefício de suas convicções ideológicas. Se algum argumento racional for por ventura utilizado é mais por oportunismo do que por busca da verdade via razão. Para eles serve como uma luva a acusação de Sócrates aos sofistas: “O trabalho deles é do terreno da persuasão e não da razão”.

Neste contexto se ajusta perfeitamente um youtuber velho com voz poderosa e ar de sábio como Olavo de Carvalho. Um filósofo – independente da qualidade do curso por ele ministrado sob a qual não posso opinar por puro desconhecimento – que agrega aquelas característica já mencionadas um linguajar chulo e raivoso contra os inimigos tão ao gosto de uma plateia de jovens suscetíveis ao discurso maniqueísta em defesa do status quo que busca um mentor autoritário para orienta-los e prepara-los para o embate contra os inimigos progressistas e democráticos ou  de esquerda cujas bandeiras de busca de democracia, justiça social e igualdade lhes são não só estranhas como se chocam de frente com seus valores conservadores e/ou reacionários calcados em preconceitos de toda ordem. Um filósofo que parece mais funcionar como caçador de cabeças para divulgação e reprodução ideológica de ideias de direita do que formador de filósofos propriamente.

A função destes propagandistas ideológicos como Olavo de Carvalho e Steve Bannon é, além de defender o status quo que beneficia os 1% mais ricos para torna-los cada vez mais ricos, manter presa na escuridão do preconceito racial, de classe social e de gênero os jovens e as pessoas mais simples e mais vulneráveis ao seu discurso de ódio, justamente, para que continuem tendo uma visão simplória e tosca do mundo. Eles propugnam uma alegoria da caverna de Platão invertida. Não querem permitir que as pessoas vejam a luz do conhecimento que pode levar a maior reivindicação de igualdade, justiça, liberdade e fraternidade.

No fundo, eles sabem que através da razão eles não conseguiriam muita coisa. Seus objetivos são por demais difíceis de defender por meios democráticos no terreno da discussão política. Praticamente, mesmo considerando a alienação das pessoas através da imprensa dos coronéis midiáticos, é quase missão impossível defender os interesses e a ganancia dos 1%muito ricos que lucram, em prejuízo de todo o resto da sociedade, com a guerra, com a especulação, com a renda dos juros pagos pelo governo aos que possuem títulos da dívida pública, com os poluição, com a boa vida dos abastados fundamentalistas religiosos, com a retirada de direitos dos trabalhadores, enfim, com toda esta agenda politica, econômica e social gananciosa que inferniza e destrói o mundo. Resta a eles, para desviar a atenção do que e de quem realmente defendem fugir do debate – como fez nosso atual presidente nas eleições – e se valer de subterfúgios republicanos, antidemocráticos e até criminosos.

A rede social como o WhatsApp é perfeita para a pregação maniqueísta reacionária deles.  Diferente do facebook e twitter que tem caráter aberto ao público, o WhatsApp se caracteriza por ser um grupo fechado, onde, na maioria, só entra quem pensa igual. Se alinha perfeitamente com a linha de ação política deles de usar a desinformação,  baixaria, mentira e difamação via redes sociais. Melhor, arrisco a dizer que sem elas não seriam nada. Não é à toa o fato de que os seus comandados políticos, por exemplo, no Brasil sejam o chamado pessoal do baixo clero. Gente que antes do crescimento do fundamentalismo evangélico e do advento do WhatsApp não tinham peso nenhum na arena política nacional.

Steve Bannon, para quem ainda não sabe, foi o principal estrategista de campanha de Trump e, não por acaso, figura- chave do escândalo da Cambridge Analytica, empresa contratada para coletar dados no facebook afim de enviar mensagens dirigidas, adequadas ao perfil do eleitor, caluniosas e mentirosas sobre a adversaria Hillary Clinton. Não é demasia supor, dados os fortes indícios, a possibilidade de envolvimento de Steve Bannon, que aparece em fotos recentes com Olavo de Carvalho e anda para lá e para cá com Eduardo Bolsonaro desde a campanha eleitoral, na manipulação e desinformação via fakenews no WhatsApp. Segue um vídeo que apesar de ter sido feito ainda durante a campanha não caducou. Ali está muito bem demonstrada a relação da extrema-direita internacional via Steve Bannon com a similar brasileira vide vídeo.



Como todo ortodoxo mal-intencionado – Falo isso porque creio na existência de ortodoxos bem-intencionados e com caráter – eles são não só especialistas em esconder para baixo do tapete os malfeitos dos seus como em olhar com lente de aumento o que eles entendem por defeitos ou malfeitos dos inimigos. A  mentira e a difamação são o carro-chefe da extrema direita que eles representam. Neste particular, trouxeram para a discussão política o maniqueísmo  de torcedor de futebol  que era a unica área que muitos destes hoje estridentes opinadores comentadores das redes sociais ousavam opinar.  Quem não pensa como eles é automaticamente colocado na cota de inimigos. O caso Mourão é exemplar disso. A despeito dele professar a mesma ideologia, não nos enganemos, ele  desviou um milímetro do que pensam, não importa se movido por boa ou má fé, e foi imediatamente difamado como inimigo desde sempre. Para ser justo, a direita tucana e a mídia dos coronéis midiáticos já atuavam de modo maniqueísta demonizando o PT e Lula, os inimigos da hora. Não esqueçamos também que sempre eles usaram este recurso difamatório. Getúlio Vargas, João Goulart, Brizola e até o conservador JK foram alvos desta gente antes. A extrema direita, mesmo tendo praticamente a mesma agenda econômica, social e política, colocou este “estilo” maniqueísta ideológico em outro patamar mais brutal e mais próximo do fascismo.

A discordância é sempre vista como desvio ideológico grave. Um exemplo da rigidez ideológica e do objetivo político- filosófico ultrarreacionário deles é a condenação in totum dos valores iluministas que são rotulados malandramente como valores do marxismo ocidental para melhor difama-los junto aos seus simplórios e toscos simpatizantes que surtam quando ouvem falar em marxismo e comunismo e veem em qualquer desvio do pensamento do senso comum um sinal do Satã comunista.

Valores iluministas que inspiraram a revolução burguesa e que são fundantes da democracia, que bem ou mal ensejou uma face humana ao capitalismo. Democracia que sabemos está hoje mais do que nunca capturada pelo dinheiro e que mesmo assim não contenta a ganancia doentia representada pelos interesses defendidos por estes dois propagandistas. Interesses que querem mais, sempre mais. O pobre que se exploda! Como dizia o bordão do personagem de Chico Anísio, Justo Veríssimo. Sobre a face humana do capitalismo sempre é bom lembrar as palavras do saudoso Antônio Candido “O que se pensa que é face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele com suor, lágrimas e sangue. Hoje é normal o operário trabalhar oito horas, ter férias… tudo é conquista do socialismo. ”

A tarefa destes propagandistas ideólogos, aproveitando a inexistência do contrapeso do socialismo real pós queda do muro de Berlim que tornava imperativo oferecer benesses aos trabalhadores e a chamada civilização ocidental para se contrapor a proposta do inimigo ideológico soviético poderoso, é aprofundar o capitalismo arrancando de vez a sua face humana tornando livre de qualquer freio o Deus Mercado, eufemismo usado para esconder o nome verdadeiro que é Deus Dinheiro.

Jorge Alberto Benitz
No GGN

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