14 de fev. de 2019

O que é que o Bebianno tem?


Em menos de 24 horas, formou-se por todo lado em Brasília uma onda de solidariedade a Gustavo Bebianno.

Ônyx Lorenzoni sai em sua defesa. Rodrigo Maia vai (ou diz que vai, o mais provável) pedir a intervenção de Paulo Guedes porque sua queda ameaçaria reforma da Previdência. Mourão quer fazer o apaziguamento com os “meninos” e o Estadão diz que “Militares agem para estancar crise e evitar demissão de Bebianno”.

É evidente que Bebianno por si não tem este peso político, é um advogado que farejou a oportunidade e “colou” no fenômeno Bolsonaro. Ainda mais porque, como mostra a Folha, no mínimo autorizou pessoalmente as transferências “laranja” do Fundo Eleitoral. Traduzindo: assinou os cheques.

O problema é outro, ou são outros.

O mundo político e até o mundo dos militares na politica ficou horrorizado com o papel desempenhado pelo filho e imediatamente secundado pelo pai presidente. Um ministro ser chamado publicamente de “mentiroso”, assim, com todas as letras. Na Record, a palavra “mentira” sobre as conversas alegadas por Bebianno saiu da boca do próprio Jair.

Se Bebianno, homem da “cozinha” de Bolsonaro é escrachado assim na via pública, o que está reservado para outros que se aproximaram do presidente?

O segundo motivo é o chamado “imponderável”. Não se sabe o que Bebianno tem de segredos – ou que pode alegar ter – dos intestinos da campanha de Jair Bolsonaro. Era dele o controle do dinheiro e quem controla o dinheiro sabe de tudo.

Na newsletter Drive, o jornalista Fernando Rodrigues conta que Bebianno teria dito a um figurão do PSL que “se sair, vou sair atirando”.

Bolsonaro, entretanto, foi longe demais para que um eventual recuo possa ser possível sem danos imensos. Voltar atrás agora, mesmo que seja “até o fim das investigações” vai transmitir a ideia de que ele foi emparedado pelos políticos e especialmente por Rodrigo Maia, o “menino superpoderoso”.

Bebianno sequer é um ministro “externo”, que pudesse ser colocado numa “Sibéria” administrativa. É “Ministro da Casa”, com direito a sala e corredores do Palácio do Planalto. Não tem como seguir em suas funções e claramente o que faz é chantagear o Presidente. O que usa para isso, um dia se saberá.

Fernando Brito
No Tijolaço

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