24 de fev de 2019

O fracasso de Guaidó e o desespero do PIG

Viralizou nas redes sociais a foto de Guaidó, Duque (Colômbia), Piñera (Chile) e Almagro (OEA) com expressões decepcionada
A promessa de fazer entrar a "ajuda humanitária" do líder opositor Juan Guaidó, autoproclamado "presidente interino da Venezuela, não foi cumprida, apesar das diferentes tentativas em vários pontos das fronteiras venezuelanas. Os atos opositores na fronteira com a Colômbia provocaram ações violentas e deixaram 49 pessoas feridas, entre elas sete militares. Três pessoas apresentaram ferimentos com queimadura. Não houve registro de mortes nessa região de fronteira com a Colômbia, até o momento. O balanço de feridos foi feito pelo representante do governo nacional no estado fronteiriço de Táchira, Freddy Bernal.

As pontes internacionais Simón Bolívar, Francisco de Paula Santander, em Ureña, e Las Tienditas foram os centros dos protestos opositores, mas também ocorreram distúrbios no centro das cidades fronteiriças de Ureña e San António de Táchira, onde um guarda nacional teve o rosto queimado por um coquetel molotov lançado por simpatizantes de Guaidó.

As rodovias foram cortadas por opositores em vários pontos do estado de Táchira. A Guarda Nacional Bolivariana também fechou algumas estradas e rodovias. O aeroporto de Ureña foi tomado por um grupo opositor, mas depois recuperado pelos militares venezuelanos. No final do dia, o número de militares desertores eram sete, entre eles o major-general Hugo Parra Martínez. No entanto, o governo afirma que essa quantidade de deserção é insignificativa.

Así está el puente Santander este #24Feb. La policía colombiana que ayer daba logística a la guarimba hoy acomoda las cosas y no deja pasar a los encapuchados. Ya los utilizaron, hoy no les sirven, fin del espectáculo. Así es la derecha. #EnVenezuelaLaPazVencerá #FelizDomingo pic.twitter.com/RFqdFn0ITI
— Marco Teruggi (@Marco_Teruggi) 24 de fevereiro de 2019

Do lado colombiano, o número de manifestante opositores em todos os pontos de enfrentamento eram em média entre 300 e mil pessoas. Do lado, venezuelano quem liderou a resistência para impedir a entrada de opositores e militares colombiano foram os civis, das brigadas bolivarianas, uma organização cívico-miltar com treinamento, mas composta por trabalhadores comuns, operários, professores, camponeses. A professora Rubio Godoy, era uma das que estava na frente da defesa da ponte internacional Simón Bolívar. "Nós estamos aqui dispostas a defender nossa pátria com nossa vida se for preciso", afirma a brigadista. Como ela, cerca de 1.500 cidadão ocuparam a ponte. Um carro foi queimado por opositores do lado colombiano. Opositores e defensores do governo Maduro enfrentaram-se por várias horas, com pedras e uso da força física, mas sem uso de armas de fogo.

Já em Las Tienditas, palco da disputa política internacional, se encontrava Juan Guaidó, junto com o presidente colombiano, Ivan Duque e o secretário da Organização de Estados Americanos (OEA), Luis Almagro. As equipes de transmissões dos grandes canais de televisão internacionais também se concentravam nesse ponto. Do lado, venezuelano, na linha fronteiriça da ponte, era possível ouvir a voz do líder opositor Juan Guaidó, que em dois momentos fez discursos inflamados convocando as pessoas a adentrarem à força o território venezuelano. Cerca de 300 pessoas, entre jornalistas e opositores estavam no local. Por volta das 16h, Guaidó anunciou que já não tentariam entrar na Venezuela nesse dia. E, pela noite, afirmou que irá a Bogotá, na segunda-feira (26), para participar da reunião de ministros do grupo de Lima, que reúne 13 países.

Em outro ponto do município de Ureña, poucos quilômetros distante da ponte Las Tienditas, ocorreram protestos na ponte Santander. Três caminhões carretas com ajuda humanitária foram queimados por opositores, segundo apurou a reportagem do Brasil de Fato. Alguns meios de comunicação publicaram a informação dizendo que foram incendiados por militares da Guarda Nacional Bolivariana. No entanto, fotos e relatos de testemunhas mostraram depois que foram os opositores simpatizantes de Guaidó quem realizaram a queima dos caminhões, que não puderam cruzar a fronteira.

Simpatizantes de Guaidó são flagrados queimando caminhão de "ajuda humanitária" 
Foto: Brigadas Bolivarianas

Governo venezuelano rompe relações com a Colômbia

O governo colombiano deu apoio político e militar para o opositor Juan Guaidó, nesse sábado (23), dia que marcou o aniversário de um mês de sua autoproclamação como presidente interino. Depois da série de eventos violentos, o governo da Venezuela informou que rompeu relações diplomáticas com a vizinha Colômbia.

"Governo da República Bolivariana da Venezuela decidiu pela ruptura integral das relações diplomáticas e consulares com o governo da República da Colômbia. Consequentemente, é concedido um período de 24 horas, a partir da publicação deste comunicado à imprensa, para que diplomatas e funcionários consulares colombianos deixem a Venezuela. Durante este período, o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela oferecerá todas as facilidades para o cumprimento desta disposição pelos funcionários diplomáticos e consulares colombianos", afirmou o governo de Nicolás Maduro, através de um comunicado.

"Os governos dos EUA e da Colômbia violaram praticamente todos os princípios e propósitos da Carta da ONU, fato que constitui uma provocação inaceitável contra a República Bolivariana da Venezuela, e que coloca a paz nacional e regional em risco", destacou.

Nesse domingo (24), está programado um discurso do presidente da Colômbia, Ivan Duque, na cidade de Cúcuta, próximo à ponte Simón Bolívar.

Fania Rodrigues
No Brasil de Fato



Comentarista da GloboNews disputa com bolsonarista quem xinga mais Maduro: “cleptocrata, incompetente e palhaço”


Eis o correspondente da Globo News em Nova York, Guga Chacra, uma espécie de Wesley Safadão hipster, orgulhoso do jornalismo que pratica:

Guga, como seus colegas de emissora, passou o dia fazendo “análises” da situação na fronteira da Venezuela com o Brasil.

Entenda-se como uma cobertura completamente enviesada, viciada, carente de informações e repleta de pitacos — sem contar os simples xingamentos, como os supracitados.

Chacra, que provavelmente nunca esteve em terras venezuelanas e fala com um grau de conhecimento do assunto à altura do bolsominion da esquina, se jacta de chamar Maduro de “cleptocrata, incompetente e palhaço”.

Parabéns.

Compare com o artigo de Robert Fisk, veterano jornalista britânico que oferece profundidade, complexidade, visão.

Guga Chacra nunca será Fisk, ok. Mas poderia se espelhar em homens como ele.

Não há, na prática, diferença alguma entre esse tipo de simplificação grosseira de Guga e as sandices de Ana Paula do Vôlei, sua interlocutora bolsonarista no Twitter.

Ambas são fruto da mesma indigência intelectual.

Ele, no entanto, acha que é, de alguma forma, superior.

Isso é o mais patético.

Kiko Nogueira
No DCM



Partidários de Guaidó impedem jornalista de TV espanhola de dizer que eles são minoria na Venezuela

A jornalista Anya Parampil relatou no Twitter cena que viu em Caracas no sábado, dia 23.

Acabei de testemunhar os partidários de Guaidó impedirem uma jornalista da @telecinco [canal de TV espanhol] que tentou explicar que a oposição representa a minoria na Venezuela. Ela não conseguiu terminar a reportagem. Esses são os amantes da democracia de Trump.

Agora observe como os oposicionistas se comportam com as câmeras da @globovision. Se esses dois vídeos não convencerem você da guerra da mídia que está sendo travada contra a Venezuela, não sei o que o fará.

A Globovisión, subsidiária da CNN, teve um papel importante na decepção da mídia em torno do golpe fracassado liderado pelos EUA contra Chávez em 2002, recusando-se a mostrar imagens de pessoas nas ruas exigindo seu retorno. 17 anos depois, outro golpe falha e a revolução ainda não será televisionada.




"Lo que están haciendo es inmoral e ilegal"

El músico británico grabó un nuevo video donde muestras las razones por la que Estados Unidos busca el golpe de Estado contra Nicolás Maduro y le exige al presidente Trump y a Juan Guaidó que "saquen las manos de Venezuela".


El músico británico Roger Waters emitió un nuevo video donde se refiere al proceso desestabilizador y golpista que se está desarrollando en Venezuela. En un largo discurso, donde el músico hace un recorrido de la historia de ataques norteamericanos a los gobiernos de Hugo Chávez y Nicolás Maduro, para luego enviar un mensaje a Juan Guaidó y al gobierno de Donald Trump: "Tengo un mensaje para la marioneta y sus dueños de Washington DC: Manos afuera de Venezuela, lo que están haciendo es inmoral e ilegal".

Waters no oculta su respaldo al gobierno bolivariano e incluso intentó hacer comprender a los organizadores del recital Venezuela Aid Live que estaban favoreciendo al golpe de estado que impulsa Estados Unidos.

Ahora, en un nuevo mensaje, el músico relata con mucha sencillez pero con datos cómo los gobiernos estadounidenses buscaron terminar con el gobierno de Chávez en 2002 a través de un fallido golpe. Incluso se refiere a las diferentes sanciones que las administraciones de Barack Obama y Trump impusieron a Venezuela: "Fueron 16 años de sanciones ilegales y draconianas y ha madurado la fruta y que es lo que EEUU pretendía de Venezuela al destruir la economía y alentando la inflación".

En otro tramo del video, Waters afirma que Guaidó, al cruzar a Colombia, "se está encontrando con sus titiriteros que se encuentran al otro lado del puente. Con una gran mentira a través de los aviones norteamericanos de transporte con los que pretenden ser los salvadores, que van a salvar a los venezolanos fruto de la supuesta crisis creada por el actual gobierno. Esto, por supuesto, no tiene ningún sentido y solo buscan lograr aquello que en 2002 no pudieron: un cambio violento".

Por último, Waters asegura que "millones de nosotros apoyamos al pueblo de Venezuela. Somos millones a pesar de lo que lees en los periódicos del mundo. Los queremos" y advierte que "la historia mostrará que el socialismo en Venezuela fue una brillante luz para la manera en que posiblemente podamos organizar la política en el resto del mundo".





Jornalista premiado no mundo inteiro explica a farsa estadunidense


O jornalista John Pilger, premiado internacionalmente, publicou um artigo no Counterpunch onde explica as sucessivas razões para tentar derrubar o governo venezuelano desde a eleição de Gugo Chávez, já falecido, até o atua presidente Nicolás Maduro. "Toda grande reforma chavista foi votada, nomeadamente uma nova constituição, que 71% dos venezuelanos aprovaram — cada um dos 396 artigos consagrando liberdades inéditas, como o artigo 123, que pela primeira vez reconheceu os direitos humanos dos mestiços e negros", destaca Pilger. Segundo ele, "isto incomodou aqueles que hoje vivem nos bairros chiques, nas mansões e penthouses do leste de Caracas, que se deslocam para Miami, onde se consideram "brancos". Eles são o núcleo poderoso do que a mídia chama de "oposição", ressalta.

"Embora a política identitária ocupe espaço nas páginas de jornais liberais do Ocidente, raça e classe são duas palavras quase nunca proferidas na "cobertura" mentirosa da mais recente tentativa de Washington de agarrar a maior fonte mundial de petróleo e recuperar o seu 'quintal'", avalia.

Para ele, "apesar de todas as falhas dos chavistas — como permitir que a economia venezuelana continuasse refém das fortunas do petróleo, nunca seriamente desafiando a desigualdade estrutural e a corrupção — houve justiça social para milhões de pessoas e isso foi feito com democracia sem precedentes".

Pilger observa, porém, que "desde a morte de Chávez, em 2013, seu sucessor, Nicolas Maduro, apareceu na imprensa ocidental como o "ex-motorista de ônibus" que se tornou encarnação de Saddam Hussein". "No entanto, como o jornalista e cineasta Pablo Navarrete relatou esta semana, a Venezuela não é a catástrofe que foi pintada", completa.

"Como uma página da festa do chá de Alice no País das Maravilhas, o governo Trump agora apresenta Juan Guaidó, uma criação pop do National Endowment for Democracy e da CIA, como o 'Presidente legítimo da Venezuela'", mas "para 81% do povo venezuelano, segundo The Nation, Guaidó não foi eleito por ninguém".

O jornalista relembra, ainda que "como seu "enviado especial à Venezuela", Trump nomeou um criminoso condenado, Elliot Abrams, cujas intrigas a serviço dos presidentes Reagan e George W. Bush ajudaram a produzir o escândalo Irã-Contra na década de 1980 e a mergulhar a América Central em anos de miséria encharcada de sangue".

"Caso Guaidó e seus supremacistas brancos tomem o poder, será a 68ª derrubada de um governo soberano pelos Estados Unidos, a maioria deles democracias", afirma.

Leia a íntegra no Counterpunch.

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