1 de fev de 2019

Mourão emite “sinais, fortes sinais”


O general Hamilton Mourão, para ressuscitar a famosa frase do Governo Fernando Henrique, começa a mover-se “no limite da responsabilidade”.

Fez preces para que “o Senhor dos Exércitos” protegesse Jair Bolsonaro  durante a cirurgia, mas defendeu o “direito humanitário” de Lula ir ao velório do irmão, heresia intolerável para a turma do Moro e a turma do Bolso.

E matéria dos Bolsos, aliás, que a lama do “Filho 01” salpica o “00”  e não o governo. Isto é: o lugar onde está.

Agora, solta esta posição sobre o aborto, defendendo que a mulher tenha o direito de escolher nas situações revistas em lei (estupro, risco de vida e malformação do feto) e ainda avança, afirmando que, pessoalmente, acha que poderiam “ser ampliadas essas possibilidades de aborto”.

A estratégia de diferenciação é clara e inversa à que praticava antes da eleição, quando radicalizava num grau no qual o Bolsonaro candidato já não se aventurava, como no caso do 13° e das mães e avós dos “desajustados”.

Agora, Mourão veste o figurino da ala dos “não-malucos” do governo: modera a questão da embaixada em Israel, mostra-se “humano” para com a prisão de Lula e, agora, procura uma dissidência na questão do aborto que poderia ter evitado na entrevista que deu a O Globo.

Mino Carta, na edição desta semana da CartaCapital, o chama de “enigmático vice”.

Peço licença ao mestre para discordar. Se há algo que Mourão não está sendo é enigmático, mas claro.

Está construindo a imagem do diálogo, cuja ausência poder-lhe-ia ser fatal à pretensão de substituir o titular, se este se vir numa situação insustentável.

E para isso precisa descolar-se da horda fanática.

Fernando Brito
No Tijolaço




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