27 de fev de 2019

Contra a escalada fascista, desobediência civil é a saída

Xavier: ministro “colombiano” transforma escolas em laranjais do PSL


O Conversa Afiada oferece a seu distinto publico sereno (sempre!) artigo de seu exclusivo colUnista Joaquim Xavier:

Tudo tem limite, até a decantada paciência dos brasileiros. Ele foi atingido nesta segunda-feira com a divulgação de uma circular do ministro da Educação de Bolsonaro. Tal qual um édito nazista, o documento obriga alunos e professores a repetirem slogans da campanha do ex-capitão e a cantarem o hino nacional. Tudo a ser filmado. Um escândalo mundial.

Ricardo Vélez é colombiano naturalizado brasileiro. Antecipando-me aos patrulheiros, digo que este não é o problema. Tivéssemos um ministro da Educação como Albert Einstein, Gabriel García Márquez, Noam Chomsky, Philip Roth ou tantos outros, todos estrangeiros, só teríamos a festejar. Isto sem falar de um sem número de brasileiros sabidamente capacitados a ocupar posto de tal importância.

O problema de Vélez é outro. É um sujeito medíocre. Nada em sua biografia o credencia a ocupar qualquer cargo público. Não tem produção acadêmica relevante, vagou por faculdades inexpressivas e desconhece os rudimentos da administração governamental. Seu “orientador” intelectual é um astrólogo desmiolado com domicílio americano.

Os diretores de escolas, professores, alunos, assim como os pais e mães de família, só podem dar uma resposta a suas diretivas: uma banana. Assim como à montanha de despautérios disparadas por esse governo.

É verdade que uma parte importante do povo assiste, entre aparvalhado e assustado, à atuação deste governo minoritário, eleito na base da fraude e da manipulação do voto popular.

O Brasil virou motivo de chacota no cenário internacional. A “ação humanitária” na Venezuela, apoiada pelo governo Bolsonaro, ficará mesmo conhecida como o dia “D” – só que o D, no caso, é D de Derrota, diferentemente da invasão da Normandia que martelou os últimos pregos no caixão de Hitler e do Terceiro Reich.

No ambiente interno, as propostas da famiglia Bolsonaro atentam diretamente contra o povo. Nem se fale do festival de roubalheiras que infestam as notícias mesmo da mídia gorda. Alguém ouviu falar de liquidação da aposentadoria durante a campanha? Não, até porque o candidato usurpador fugiu dos debates alegando problemas de saúde. Agora que a caixa de Pandora foi aberta, a ficha começa a cair.

Não dá mais para aguentar calado Damares, Araújo, Menendéz, Guedes, Moro e Bolsonaro. Tampouco essa tropa de militares aboletados no Planalto. Eles foram treinados para matar, não para ensinar, educar, criar empregos, incentivar a indústria local, defender a soberania nacional, reduzir a injustiça social e a distribuição tão desigual da renda.

Os ritmos, prazos e intensidade desta oposição entre governo ilegítimo e vontade nacional são difíceis de prever. Mas um primeiro passo é a desobediência pura e simples. Começar é preciso. As escolas são sempre um bom começo.

Joaquim Xavier

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