1 de fev de 2019

A mídia descontrolada: um livro imperdível


As eleições presidenciais de 2018 desorientaram os meios de comunicação tradicionais. Todos eles apostavam numa candidatura palatável para os seus interesses políticos e empresariais mas não encontraram quem a encarnasse. De repente se viram às voltas com uma realidade inesperada. Têm pela frente um governo que os despreza, que assusta muito dos seus leitores, ouvintes e telespectadores, mas do qual não podem se afastar totalmente, como sempre acontece no Brasil. A dependência das verbas publicitárias oficiais e de outros favores governamentais é muito grande.

Já dão mostras que se acomodarão aos novos tempos. Daí a importância dos movimentos sociais seguirem na luta por uma comunicação que abra espaço para a diversidade do país, democratizando a circulação de vozes existentes na sociedade. Uma parte importante dessa batalha está em A mídia descontrolada - episódios da luta contra o pensamento único, novo livro de Laurindo Leal Filho, o Lalo, lançado pelo Barão de Itararé.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação. A análise crítica da atuação dos meios de comunicação feita por Lalo fornece ao leitor as peças do quebra-cabeça que revela os interesses e o poder jogado pelo oligopólio midiático no país. Uma contribuição que reúne o rigor da investigação científica do professor aposentado da Universidade de São Paulo (USP) com linguagem acessível mesmo a quem não está acostumado com as discussões do mundo da comunicação.

Para celebrar o lançamento, o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé venderá o livro pela Internet. Os interessados podem adquirir A mídia descontrolada - episódios da luta contra o pensamento único, ao custo de R$ 40,00 (mais frete). No entanto, o Barão oferece um combo imperdível para quem quer mergulhar nas leituras: pagando R$ 50,00 (mais frete), é possível arrematar o livro de Laurindo Leal Filho e também levar o livro Os desafios da comunicação nas administrações públicas, de autoria de Ana Flávia Marx, diretora de Formação do Barão de Itararé, jornalista e pesquisadora. A obra traz textos de Flávio Dino, Fernando Haddad, Tereza Cruvinel, Franklin Martins, Renato Rovai, Ricardo Melo, Sandra Recalde, Edmilson Rodrigues, entre outros.

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Paulo Donizetti, autor da orelha do livro:

Certa vez ouvi o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva proferir um quase-axioma: às vezes, quando dizemos uma coisa e a pessoa não entende, achamos que ela é burra; quando explicamos uma segunda vez e ela não assimila, achamos que é muito burra; mas se falamos uma terceira vez e ela ainda não entende, acho que burros somos nós, que não conseguimos nos fazer entender.

E por que essa frase de efeito é “quase”, e não uma verdade incontestável? Porque nós, comunicadores que sonhamos e trabalhamos por um avanço civilizatório, por uma sociedade menos desigual e um mundo mais justo, temos barreiras muito maiores a superar do que a nossa suposta “burrice”. Enfrentamos um aparato secular de comunicação que opera diuturnamente para que o mundo permaneça perverso como é, injusto como está, e a sociedade mal informada ou desinformada como sempre. A concorrência é bruta.

Mas desafios estão aí para ser superados. Com obstinação, Laurindo Lalo Leal Filho tem feito a sua parte ao longo de toda sua trajetória. Como professor, intelectual, jornalista e cidadão. Lalo não passa um dia sequer sem analisar as falhas dessa concorrência bruta, as barbaridades cometidas pelo oligopólio da imprensa comercial.

E grande parte de sua produção intelectual chega ao público por meio da imprensa independente e de resistência. A Revista do Brasil, que circulou mensalmente por onze anos em edição impressa, de junho de 2006 a janeiro de 2017 – e hoje mora digitalmente no portal Rede Brasil Atual, acolhe orgulhosamente os textos de Lalo Leal desde dezembro de 2010, agora reunidos neste livro.

Como se comportam os meios de comunicação – sobretudo a televisão – quando está em jogo a dignidade de crianças, mulheres, minorias? Em que momentos a imprensa brasileira consegue fingir imparcialidade e quando ela escancara sua atuação como partido? Por que os donos dos grandes jornais, emissoras e portais têm calafrios quando se fala em regulação e censuram esse debate já superado nas grandes democracias do mundo?

Ao longo desta coletânea, o leitor terá respostas para estas e muitas outras questões. Elas evidenciam a necessidade de uma comunicação decente e democrática para que o avanço civilizatório possa sempre vencer a barbárie. Despido de qualquer arrogância acadêmica, o texto de Lalo é claro, preciso e elucidativo. Não precisa ler mais de uma vez.

Paulo Donizetti de Souza
Jornalista, editor da Rede Brasil Atual

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