21 de jan de 2019

Patrimônio declarado de Flávio Bolsonaro aumentou 6.723% em dezesseis anos

Eles
A revelação de que Flávio Bolsonaro comprou dois imóveis, no valor de R$ 4,2 milhões, entre 2014 e 2017, gera um novo problema para o primeiro-filho.

Em 2018, quando apresentou sua declaração de bens à justiça eleitoral, informou possuir um apartamento na Barra da Tijuca de R$ 917 mil, aplicações bancárias que totalizavam R$ 558 mil, sala comercial na Barra da Tijuca no valor de R$ 150 mil, carro da marca Volvo (66 mil), 50% de uma loja Kopenhagen. Total: 1,7 milhão.

Onde foi parar a diferença entre R$ 4,2 milhões e R$ 1,7 milhão?

A declaração de bens entregue à justiça eleitoral tem outro problema.

O valor informado do apartamento é inferior ao que está registrado na escritura, conforme reportagem da Folha de S. Paulo.

Flávio teria comprado o apartamento da Barra daTijuca nesse período pelo valor de R$ 2,55 milhões, R$ 1,64 milhão a mais do que o que foi declarado ao Tribunal Regional Eleitoral.

Segundo o jornal, mesmo o preço declarado em escritura é inferior ao que está registrado na Prefeitura do Rio de Janeiro para efeito de cobrança do IPTU.

O apartamento fica numa das áreas mais valorizadas na cidade, na avenida  Lúcio Costa, de frente para a praia.

No mesmo período em que fazia essas aquisições, o então assessor dele, Fabrício Queiroz, movimentava R$ 7 milhões em sua conta bancária, segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

De onde teria vindo os recursos que geraram o movimento de R$ 7 milhões em três anos?

Fabrício Queiroz, como o DCM mostrou, não tem sinais exteriores de riqueza. Pelo contrário. Mora em uma casa simples de uma comunidade e a família toda trabalha — durante muito tempo, em cargos políticos de confiança da família Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro entrou na política em 2002, quando se elegeu deputado estadual. Na época, declarou como patrimônio apenas um Gol 1.0 16 válvulas, no valor de R$ 25.500,00.

Oito anos depois, em 2010, ele já aparecia em intensa transação imobiliária.

Comprou sete salas comerciais em um condomínio da Barra, o Prime, e sete dias depois vendeu para a MCA, empresa que tem uma offshore do Panamá como uma de suas controladoras.

Essas negociações passam longe de suas declarações à justiça eleitoral, obrigatória quando se elege.

Ainda assim, a evolução patrimonial declarada por Flávio Bolsonaro em quatro mandatos consecutivos (16 anos) já é surpreendente.

Aumentou 6.723%, um absurdo principalmente se se levar em consideração o salário do deputado: R$ 25,3 mil brutos. 

Repita-se: evolução patrimonial por declarações dele próprio.

Atribuir essa evolução patrimonial e a montanha de dinheiro identificada nas contas de Flávio e Fabrício ao pedágio pago pelos funcionários de confiança de gabinete não fecha a conta.

Os valores tornados públicos são muito mais expressivos. Muito maior do que pixulecos de funcionários de gabinete poderiam proporcionar.

Talvez isso explique o desespero de Flávio Bolsonaro.

Ele não quer esclarecer nada, porque não tem como.

Se quisesse, já teria se apresentado ao Ministério Público.

Ao contrário, ele conseguiu suspender a investigação através de uma medida liminar no Supremo Tribunal Federal.

Vai bater na tecla de que está sendo perseguido, contando com os amigos na imprensa, como a Record e a RedeTV.

Quer levar o caso para a esfera federal, onde a influência da presidência é maior.

Nesse momento, segundo informações de bastidores, há uma disputa política no âmbito da Procuradoria Geral da República.

Raquel Dodge quer permanecer no cargo de procuradora geral, que Bolsonaro gostaria de entregar a partir de setembro a Deltan Dallagnol — o que completaria a ascensão dos líderes da “República de Curitiba” ao poder central.

Tanto Raquel Dodge quanto Dallagnol estão muito discretos em relação ao escândalo Flávio Bolsonaro.


O primeiro-filho sabe que o primeiro dos dois que tomar qualquer iniciativa contra ele, ainda que na forma de declaração, perderá a chance de comandar a PGR.

A república brasileira, nas mãos de Bolsonaro, já emite o mau cheiro da podridão.

Joaquim de Carvalho
No DCM



Queiroz devolveu R$ 16,8 mil após obter auxílio-educação irregular e responder a processo na Alerj


Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PSL) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), recebeu irregularmente R$ 16,8 mil de auxílio-educação para uma das filhas, entre 2007 e 2011, quando trabalhava para o então deputado estadual. O montante foi recebido irregularmente por Queiroz como auxílio-educação da filha Nathália Melo de Queiroz. Ela, no entanto, não tinha direito ao benefício porque trabalhava — na Alerj, inclusive, e indicada pelo pai.

Queiroz teve de ressarcir o valor, com parcelas que foram pagas até 2015, após um inquérito concluído em 2012 na Assembleia. O documento foi obtido com exclusividade pelo G1.

O auxílio foi renovado – irregularmente – mesmo depois de devassa em benefícios concedidos pela Casa, em episódio conhecido como Bolsa Fraude, em 2008. Na época, todas as bolsas foram cortadas temporariamente. Para renová-la, o funcionário precisava assinar uma declaração de que estava ciente das regras. Queiroz assinou, mesmo sem cumpri-las. Esta irregularidade só foi descoberta em 2011.

No episódio do Bolsa Fraude, deputados chegaram a ser cassados por contratar funcionários-fantasma e embolsar o benefício. Nem Flávio nem Queiroz são citados naquela investigação.

O G1 entrou em contato com o advogado que defende Queiroz no caso do Coaf. À reportagem, ele informou que a Alerj também descontou valores indevidos do ex-assessor. Quanto à renovação irregular, o próprio Queiroz alegou “correria”.

(…)



Queiroz se escondeu em favela do Rio dominada pela milícia


A coluna de Lauro Jardim, no Globo, informa que no dia 7 de dezembro, um dia depois de o repórter Fabio Serapião, de “O Estado de S. Paulo”, ter revelado que Fabrício Queiroz tinha movimentado de forma atípica R$ 1,2 milhão entre 2016 e 2017, o ex-motorista tomou um chá de sumiço. A partir dali, surgiu a provocação do “cadê o Queiroz?”.

O texto continua: “No dia 20 de dezembro, foi para São Paulo para internar-se no Hospital Albert Einstein, a fim de iniciar seu tratamento de câncer. Beleza. E onde Queiroz se escondeu nessas quase duas semanas, uma vez que a partir dali desapareceu de sua modesta casa, numa viela da Taquara, na Zona Oeste do Rio de Janeiro?

Queiroz se abrigou numa casa na favela de Rio das Pedras, também na Zona Oeste. É a segunda maior favela da cidade e dominada da primeira à última rua pela milícia mais antiga do Rio de Janeiro”, conclui a publicação.

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